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Pesquisas

Suco de uva brasileiro ganha destaque internacional e reforça potencial da vitivinicultura nacional

Presidente da OIV elogia a qualidade dos produtos brasileiros e aponta o país como referência em tecnologia, sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas


Publicado em: 01/09/2026 às 14:00hs

Suco de uva brasileiro ganha destaque internacional e reforça potencial da vitivinicultura nacional
Foto: Diego Adami

A qualidade do suco de uva brasileiro e os avanços tecnológicos da vitivinicultura nacional receberam reconhecimento da presidente da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), Yvette van der Merwe. Durante visita a Bento Gonçalves (RS), a dirigente afirmou que o Brasil possui conhecimentos e experiências capazes de contribuir para o desenvolvimento mundial do setor.

O reconhecimento ocorreu em encontro realizado na sede do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). Na ocasião, a presidente da OIV conheceu os diferentes sistemas brasileiros de produção, pesquisas desenvolvidas pela Embrapa e estratégias adotadas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Brasil reúne três modelos de produção vitivinícola

Durante a abertura do encontro, o diretor executivo do Consevitis-RS, Eduardo Piaia, apresentou um panorama da vitivinicultura brasileira. A diversidade produtiva do país está concentrada em três grandes sistemas.

Na Região Sul, predomina a viticultura tradicional, marcada pela presença de pequenas propriedades familiares e cooperativas. No Sudeste, destaca-se a produção de uvas em ciclo de inverno. Já no Nordeste, a viticultura tropical permite diferentes ciclos produtivos em razão das condições climáticas regionais.

Essa diversidade torna o Brasil um ambiente relevante para o desenvolvimento de pesquisas, tecnologias e modelos de produção adaptados a diferentes condições de solo e clima.

Pesquisa brasileira busca respostas para as mudanças climáticas

Os pesquisadores Marcos Botton e Henrique Pessoa dos Santos, da Embrapa Uva e Vinho, apresentaram estudos voltados à adaptação da vitivinicultura aos eventos climáticos extremos.

Entre as estratégias avaliadas estão novas formas de uso e conservação do solo, aplicação de tecnologias no campo e melhoramento genético de cultivares. Os pesquisadores também destacaram a necessidade de aproximar os resultados científicos do mercado e ampliar a troca de experiências com outros países produtores.

O desenvolvimento de cultivares mais adaptadas às condições brasileiras pode contribuir para aumentar a produtividade, reduzir riscos e fortalecer a sustentabilidade da cadeia de uvas, vinhos, sucos e derivados.

Pequenas propriedades da Serra Gaúcha surpreendem presidente da OIV

Ao conhecer a estrutura produtiva brasileira, Yvette van der Merwe destacou a capacidade de pequenas propriedades familiares, especialmente na Serra Gaúcha, de manterem sustentabilidade econômica e participação relevante no mercado.

Muitas dessas unidades produtivas estão ligadas a cooperativas, modelo que contribui para a organização dos produtores, o acesso à tecnologia e a comercialização da produção.

“Na OIV, a sustentabilidade econômica é um assunto a se explorar melhor, com um olhar mais cuidadoso. É preciso que toda novidade na área seja acompanhada pelo aspecto econômico. Não é um desafio só para os produtores brasileiros, mas de outros países também. Por isso, os países devem trabalhar juntos”, afirmou.

Suco de uva brasileiro conquista presidente da OIV

Durante a visita, Yvette degustou sucos elaborados com diferentes cultivares BRS, desenvolvidas pelo programa de melhoramento genético “Uvas do Brasil”, da Embrapa.

A qualidade das bebidas chamou a atenção da dirigente. “Eu absolutamente amo os sucos de uva brasileiros”, declarou.

No Rio Grande do Sul, aproximadamente metade da produção de uvas é destinada à fabricação de suco. A bebida tornou-se um dos principais produtos da vitivinicultura gaúcha, agregando valor à produção e ampliando as alternativas de mercado para agricultores, vinícolas e cooperativas.

Brasil pode ajudar vitivinicultura mundial a enfrentar mudanças climáticas

A presidente da OIV também destacou o potencial do Brasil para compartilhar tecnologias e conhecimentos com outras regiões produtoras. Segundo ela, soluções desenvolvidas no país podem ajudar a vitivinicultura internacional a enfrentar desafios climáticos, econômicos e produtivos.

“Podemos aprender muito com vocês e vocês conosco. Na questão climática, podem colaborar com as novas tecnologias utilizadas no país. Hoje, a Europa busca referências no Brasil. Sem dúvida, o Brasil tem muito a ensinar e a contribuir em diversas áreas, e a OIV está aberta e atenta a isso. Continuem fazendo o que estão fazendo. É incrível”, ressaltou.

Cooperação internacional abre oportunidades ao setor brasileiro

O encontro reuniu o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, representantes de empresas e entidades vitivinícolas, além de integrantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados, vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A aproximação com a OIV pode ampliar a troca de informações científicas, fortalecer a cooperação internacional e aumentar a visibilidade da produção brasileira no exterior.

Yvette van der Merwe esteve na Serra Gaúcha para participar do 2º EnoMeeting by ConceptWine, congresso internacional de enologia e viticultura realizado em Bento Gonçalves.

Fonte: Portal do Agronegócio

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