Preço do etanol sobe nas usinas, mas cai 2,7% nos postos e amplia vantagem sobre a gasolina
Chuvas previstas para setembro, valorização do açúcar e demanda aquecida sustentam o biocombustível no mercado produtor, enquanto o preço médio ao consumidor recua para R$ 4,05 por litro
Publicado em: 01/09/2026 às 13:10hs
O mercado brasileiro de etanol encerrou agosto com movimentos distintos entre as usinas e os postos. Em São Paulo, os preços médios do etanol hidratado e do anidro registraram a primeira valorização mensal da safra 2026/27 no segmento produtor. Na ponta do consumo, porém, o biocombustível ficou 2,7% mais barato e ampliou sua competitividade diante da gasolina.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização nas unidades produtoras paulistas foi sustentada pela perspectiva de chuvas em setembro no Centro-Sul, condição que pode interromper temporariamente a moagem de cana-de-açúcar e reduzir a produção.
Outro fator de suporte veio do mercado internacional. A alta do açúcar e as preocupações com uma possível redução da oferta em importantes países produtores aumentaram a atratividade do adoçante para as usinas, influenciando o equilíbrio entre a fabricação de açúcar e etanol.
Demanda por etanol cresce e negociações atingem maior volume desde 2025
Além das incertezas relacionadas à oferta, o aumento da demanda contribuiu para sustentar os preços do etanol nas usinas. A volta às aulas ampliou a circulação de veículos e levou mais distribuidoras ao mercado spot para recompor estoques.
A competitividade do etanol hidratado nos postos também favoreceu as compras. Diante da maior procura, as distribuidoras precisaram aceitar os valores pedidos pelas unidades produtoras.
Como resultado, o volume de etanol hidratado negociado pelas usinas paulistas em agosto foi o maior desde janeiro de 2025, conforme levantamento do Cepea.
Etanol fica 2,7% mais barato nos postos em agosto
Apesar da alta observada no mercado produtor paulista, o preço médio do etanol hidratado recuou no varejo nacional. Dados do Monitor de Preços de Combustíveis, elaborado pela Veloe com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que o produto encerrou agosto cotado, em média, a R$ 4,050 por litro, queda mensal de 2,7%.
O etanol liderou a redução entre os seis combustíveis acompanhados. O diesel comum caiu 1,1%, enquanto a gasolina comum recuou 0,5%. A gasolina aditivada e o diesel S-10 registraram baixa de 0,4% cada. O gás natural veicular (GNV) foi a única exceção, com alta de 1,3%, para R$ 4,900 por metro cúbico.
A diferença entre o comportamento nas usinas e nos postos pode refletir etapas distintas da cadeia. Enquanto o mercado produtor já incorpora riscos de menor oferta e maior demanda, os preços ao consumidor ainda respondem às condições de comercialização, aos estoques das distribuidoras e à concorrência regional.
Etanol acumula queda de 9,5% em 2026
O desempenho acumulado reforça a diferença entre o etanol e os combustíveis fósseis. Nos postos, o biocombustível registra queda de 9,5% em 2026 e de 5,1% nos últimos 12 meses.
No mesmo período, a gasolina comum acumula alta de 6% no ano, enquanto a gasolina aditivada avançou 5,6%. Entre os derivados de petróleo, a maior elevação foi registrada pelo diesel S-10, com aumento de 12,4% em 2026. O diesel comum subiu 10,3%.
Em agosto, a gasolina comum foi comercializada por uma média nacional de R$ 6,654 por litro. Já o diesel S-10 encerrou o mês a R$ 6,949 por litro, mesmo após recuar 0,4% em relação a julho.
Relação entre etanol e gasolina atinge mínima histórica
Com a queda nos postos, o etanol consolidou sua vantagem econômica para os proprietários de veículos flex. Em agosto, o preço do biocombustível correspondeu a 65,6% do valor da gasolina comum na média das unidades da Federação.
Esse foi o menor percentual da série histórica iniciada em 2017, renovando o recorde pelo segundo mês consecutivo. Nas capitais, a relação também atingiu o menor nível da série, em 66,2%.
Considerando a regra de referência segundo a qual o etanol é vantajoso quando custa até 70% do preço da gasolina, o biocombustível apresentou melhor relação de preços em nove unidades federativas.
Mato Grosso liderou o ranking, com proporção de 55,6%, seguido por São Paulo, com 58,1%; Mato Grosso do Sul, com 61,8%; Goiás, com 61,9%; e Paraná, com 63,1%. Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia e Amazonas também ficaram abaixo do limite de 70%. Em Santa Catarina, a relação coincidiu com esse patamar.
São Paulo tem o etanol mais barato do Brasil
São Paulo apresentou o menor preço médio do etanol em agosto, a R$ 3,735 por litro. Na sequência apareceram Mato Grosso, com R$ 3,772; Mato Grosso do Sul, com R$ 4,078; Minas Gerais, com R$ 4,099; e Paraná, com R$ 4,111 por litro.
O comportamento dos preços, entretanto, permaneceu desigual entre as regiões. No Sudeste, onde ocorreu a maior queda mensal, de 3,3%, o etanol foi comercializado por uma média de R$ 3,892 por litro.
No Norte, o valor médio chegou a R$ 5,082, o mais elevado do país. No Nordeste, o litro custou, em média, R$ 4,927.
Gasolina mantém fortes diferenças regionais
A gasolina comum também apresentou ampla variação regional. Em agosto, o menor preço médio foi registrado no Rio Grande do Sul, a R$ 6,336 por litro. Minas Gerais apareceu em seguida, com R$ 6,391, enquanto São Paulo teve média de R$ 6,470.
Santa Catarina, com R$ 6,477, e Paraíba, com R$ 6,592 por litro, completaram a lista dos cinco estados com os menores preços.
Na outra ponta, Roraima apresentou o valor mais elevado do país, de R$ 7,830 por litro. Também registraram preços altos Acre, com R$ 7,499; Rondônia, com R$ 7,359; Amazonas, com R$ 7,306; e Sergipe, com R$ 7,272.
Por região, a gasolina custou, em média, R$ 6,467 no Sul e R$ 6,487 no Sudeste. No Norte, o valor chegou a R$ 7,130, enquanto o Nordeste apresentou média de R$ 6,960 por litro.
Diesel recua em agosto, mas continua mais caro no ano
O diesel S-10 encerrou agosto com preço médio de R$ 6,949 por litro, queda de 0,4% na comparação mensal. Apesar do recuo, o produto acumula valorização de 12,4% em 2026.
O Norte manteve a maior média regional, de R$ 7,254 por litro, enquanto o Sul registrou o menor valor, de R$ 6,647.
Já o diesel comum caiu 1,1% no mês, para R$ 6,752 por litro. Ainda assim, acumula alta de 10,3% no ano e de 10,2% em 12 meses.
Abastecimento compromete mais a renda no Norte e Nordeste
O custo dos combustíveis continua pesando de maneira desigual no orçamento das famílias. Conforme o Indicador de Poder de Compra de Combustíveis, abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum correspondia, em média, a 6,1% da renda domiciliar no segundo trimestre de 2026.
O percentual avançou 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. No Nordeste, o abastecimento comprometia 9,6% da renda familiar, enquanto no Norte a participação chegava a 8%.
O peso era menor no Sudeste, com 5,1%; no Sul, com 5%; e no Centro-Oeste, com 4,9%. Acre, Maranhão e Alagoas estavam entre os estados nos quais o abastecimento consumia a maior parcela da renda domiciliar.
Mercado acompanha chuvas, açúcar e repasse aos postos
Para setembro, o setor deve acompanhar o impacto das chuvas sobre a moagem de cana no Centro-Sul, a evolução das cotações internacionais do açúcar e o ritmo de compras das distribuidoras.
A combinação entre demanda firme, risco de interrupções industriais e maior valorização do açúcar pode continuar sustentando os preços nas usinas. No varejo, o avanço dependerá da velocidade de repasse dos reajustes ao consumidor.
Mesmo diante da primeira alta mensal da safra 2026/27 no mercado produtor, o etanol inicia setembro com ampla competitividade frente à gasolina, especialmente nos principais estados produtores do Centro-Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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