Produção de azeite bate recorde no Brasil e cresce quase 500% em 2026
Expointer reúne cerca de 30 produtores e até 80 rótulos para venda e degustação, enquanto Selo Premium ajuda consumidores a identificar azeites extravirgens analisados e aprovados
Publicado em: 01/09/2026 às 12:30hs
A produção brasileira de azeite de oliva alcançou o maior volume da história em 2026, impulsionando a presença do produto nacional na 49ª Expointer. A feira, realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro, em Esteio (RS), oferece aos visitantes a oportunidade de degustar e comprar azeites extravirgens de diferentes regiões produtoras.
Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o País produziu 1,434 milhão de litros de azeite em 2026. O volume representa crescimento de 496,75% em comparação com 2025.
O Rio Grande do Sul, principal polo da olivicultura brasileira, respondeu por aproximadamente 1,17 milhão de litros, o equivalente a mais de 80% da produção nacional informada pelo instituto.
Expointer reúne até 80 rótulos de azeite brasileiro
O espaço coletivo organizado pelo Ibraoliva está instalado no Pavilhão Internacional da Expointer e reúne cerca de 30 produtores. Entre 60 e 80 rótulos estão disponíveis para degustação e comercialização durante o evento.
Uma das estratégias adotadas é o preço unificado dos produtos. A proposta permite que os visitantes concentrem a escolha nas características sensoriais, nas variedades de azeitona e nas próprias preferências, sem que o valor seja o principal fator de comparação entre os rótulos.
Além das garrafas individuais, o espaço comercializa caixas com três ou seis azeites. A iniciativa busca estimular a experimentação e facilitar o contato dos consumidores com diferentes perfis de azeite extravirgem nacional.
Para o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho, a participação na feira celebra o crescimento da produção e contribui para tornar os azeites brasileiros mais conhecidos.
“Estamos comemorando a maior safra da história da produção de azeitonas e de azeite no Brasil. O consumidor tem, nesta Expointer, a oportunidade de fazer uma verdadeira degustação dos grandes azeites produzidos no País”, afirma.
Degustação ajuda consumidor a conhecer diferenças entre azeites
A experiência sensorial também permite comparar aromas, sabores e intensidades. Segundo o Ibraoliva, o azeite pode ser utilizado em preparações que vão além de saladas e pães, incluindo arroz, risotos, sopas e até sobremesas.
“Escolha a sua preferência e depois faça o contato com o produtor. Tenho certeza de que, depois de conhecer esses produtos, o consumidor não vai deixar de comprar azeite brasileiro”, projeta Obino Filho.
A degustação ganha relevância diante dos questionamentos sobre a autenticidade e a qualidade de produtos vendidos como azeite extravirgem no mercado brasileiro.
De acordo com o presidente do instituto, o teste sensorial ajuda o público a perceber diferenças entre azeites de categorias distintas. A classificação como extravirgem depende de critérios específicos e não se limita à informação apresentada no rótulo.
Como identificar um azeite extravirgem de qualidade
A avaliação de um azeite considera parâmetros químicos, físicos e sensoriais. Pela legislação e pelos critérios aplicáveis à categoria, o produto extravirgem deve apresentar acidez livre de até 0,8%.
Embora a acidez não seja identificada diretamente pelo paladar, o índice é usado para avaliar a qualidade da matéria-prima e os cuidados adotados no processamento, armazenamento e conservação do produto.
O azeite também precisa passar por análise sensorial para verificar atributos positivos e a ausência de defeitos incompatíveis com a classificação extravirgem.
Segundo Obino Filho, a degustação na Expointer permite que o consumidor reconheça diferenças que podem ser evidentes entre produtos autênticos e aqueles que não cumprem integralmente os requisitos da categoria.
Selo Premium exige acidez máxima de 0,3%
Parte dos azeites gaúchos apresentados na Expointer conta com o Selo Premium, desenvolvido pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul em parceria com o Ibraoliva.
Para obter a certificação, o produto precisa passar por análises laboratoriais e avaliação sensorial. O selo é concedido ao lote efetivamente examinado, acrescentando rastreabilidade e uma garantia adicional de qualidade ao consumidor.
Enquanto a categoria extravirgem admite acidez livre de até 0,8%, o Selo Premium estabelece limite máximo de 0,3%. Alguns azeites produzidos no Rio Grande do Sul, segundo o Ibraoliva, alcançam índices entre 0,1% e 0,15%.
“Quanto mais baixa a acidez, maior é a demonstração de que aquele azeite passou por processos cuidadosos para alcançar um padrão de excelência. O consumidor que adquirir um produto com o selo terá a segurança de estar levando um azeite testado e aprovado”, explica Obino Filho.
Com produção recorde, maior diversidade de marcas e iniciativas de certificação, a olivicultura brasileira busca ampliar o consumo interno e aproximar o público dos azeites extravirgens produzidos no País.
Fonte: Portal do Agronegócio
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