Mercado global de café pode ter superávit de 8,9 milhões de sacas em 2026/27
Rabobank prevê aumento da oferta mundial, mas estoques reduzidos de arábica, atrasos nas exportações e riscos associados ao El Niño ainda podem provocar volatilidade nos preços do café
Publicado em: 01/09/2026 às 12:00hs
O mercado global de café deve registrar uma oferta mais confortável na temporada 2026/27, com possibilidade de superávit de 8,9 milhões de sacas. A projeção é do Rabobank, que mantém uma perspectiva positiva para o abastecimento mundial, embora reconheça que o processo de recomposição dos estoques esteja ocorrendo de maneira mais lenta e irregular do que o esperado.
Apesar da previsão de maior disponibilidade, fatores como os atrasos nas exportações brasileiras e colombianas, os baixos estoques certificados de café arábica e as incertezas climáticas devem continuar influenciando as cotações internacionais.
Estoques de café arábica permanecem reduzidos
A situação do café arábica representa um dos principais pontos de atenção do mercado. Os atrasos nos embarques do Brasil e da Colômbia, importantes fornecedores globais da variedade, devem manter os estoques certificados pela Bolsa de Nova York (ICE Futures US) em níveis reduzidos durante as próximas semanas.
Conforme a avaliação do Rabobank, uma recuperação mais consistente desses volumes dificilmente ocorrerá antes de novembro. Até lá, a menor disponibilidade de café nos armazéns credenciados poderá sustentar os preços e ampliar a sensibilidade das cotações às notícias relacionadas à produção, ao clima e às exportações.
Estoques de robusta começam a apresentar recuperação
O mercado de café robusta apresenta uma dinâmica diferente. Os estoques certificados dessa variedade começaram a se recuperar, sinalizando uma melhora gradual na disponibilidade física.
Esse avanço poderá contribuir para reduzir parte da pressão observada no segmento, mas ainda não elimina as incertezas sobre o equilíbrio entre oferta e demanda. O comportamento das exportações dos principais países produtores continuará determinante para a evolução dos preços internacionais.
El Niño mantém clima no centro das atenções
As condições climáticas também permanecem no radar do mercado global de café. O El Niño representa riscos para diferentes regiões produtoras, especialmente por seus possíveis efeitos sobre o regime de chuvas e as temperaturas durante etapas importantes do desenvolvimento das lavouras.
O Rabobank avalia, entretanto, que as cotações já incorporam de forma crescente as expectativas relacionadas ao fenômeno climático. Nesse sentido, parte da valorização pode estar associada à antecipação de possíveis perdas, e não necessariamente a impactos já confirmados sobre a produção.
A evolução do clima nas próximas semanas será fundamental para verificar se esses riscos se transformarão em danos efetivos às lavouras ou se permanecerão restritos às expectativas dos agentes.
Preços elevados começam a limitar demanda por café
Do lado do consumo, começam a surgir sinais mais evidentes de reação aos preços elevados. As importações realizadas por países que não produzem café recuaram 6,2% no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
No acumulado dos últimos 12 meses, a redução chegou a 0,6%. Os números indicam que os preços mais altos podem estar estimulando ajustes nos estoques, nas compras e no consumo em alguns mercados.
A desaceleração da demanda tende a contribuir para a formação do superávit projetado para 2026/27, especialmente caso a produção mundial avance e as exportações recuperem o ritmo.
Superávit não elimina risco de volatilidade nos preços
Embora o Rabobank projete um balanço global amplamente superavitário para a temporada 2026/27, a transição para um mercado mais abastecido ainda deverá enfrentar oscilações.
Os estoques apertados de arábica, os atrasos nos embarques do Brasil e da Colômbia e os riscos climáticos relacionados ao El Niño podem provocar períodos de forte volatilidade nas bolsas internacionais.
Dessa forma, a expectativa de superávit poderá exercer pressão sobre os preços no médio prazo, mas o mercado de café deverá permanecer sensível às condições climáticas, ao ritmo das exportações e à recomposição dos estoques certificados pela ICE.
Fonte: Portal do Agronegócio
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