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Soja

Soja dispara em Chicago com piora das lavouras nos EUA, mas frete elevado limita ganhos no Brasil

Alta do óleo de soja, demanda para biocombustíveis e risco climático impulsionam as cotações internacionais, enquanto custos logísticos ampliam a diferença de preços entre o interior e os portos brasileiros


Publicado em: 01/09/2026 às 11:50hs

Soja dispara em Chicago com piora das lavouras nos EUA, mas frete elevado limita ganhos no Brasil
Foto: CNA

Os contratos futuros da soja avançaram com força nesta terça-feira (1º) na Bolsa de Chicago (CBOT), sustentados pela deterioração das lavouras nos Estados Unidos, pela valorização do óleo de soja e pela demanda aquecida no mercado norte-americano. No Brasil, porém, o impacto positivo do cenário externo foi parcialmente limitado pelo aumento dos fretes e pelas margens mais apertadas dos produtores.

Durante a manhã, as cotações da oleaginosa registraram ganhos superiores a 12 pontos. Por volta das 7h30, no horário de Brasília, o contrato de novembro alcançava US$ 13,00 por bushel. Março era negociado a US$ 13,21, enquanto maio atingia US$ 13,25 por bushel.

Condições das lavouras de soja pioram nos Estados Unidos

O principal fator de sustentação em Chicago veio do novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O levantamento apontou que 58% das lavouras norte-americanas de soja estavam classificadas em condições boas ou excelentes, queda de dois pontos percentuais na comparação semanal.

A deterioração aumentou a preocupação com o potencial produtivo justamente na reta final do desenvolvimento das plantas. Essa fase é considerada decisiva para o enchimento dos grãos e para a definição da produtividade da safra dos Estados Unidos.

As previsões meteorológicas também reforçaram o movimento de alta. Os mapas indicam temperaturas acima da média e chuvas abaixo do normal em áreas importantes do cinturão produtor ao longo de setembro. Caso o cenário seja confirmado, o estresse hídrico e térmico poderá reduzir o rendimento das lavouras.

O mercado, portanto, passou a equilibrar a expectativa de uma produção norte-americana volumosa com os riscos de perdas de produtividade provocadas pelo clima.

Óleo de soja sobe e reforça valorização do grão

A alta do óleo de soja também exerceu influência relevante sobre os contratos da matéria-prima. O derivado avançou mais de 1,5%, favorecido pela forte demanda do setor de biocombustíveis e pela valorização do petróleo no mercado internacional.

A expansão do uso de óleos vegetais na produção de combustíveis renováveis vem estimulando o processamento interno nos Estados Unidos. Diante desse cenário, o USDA elevou sua projeção para o esmagamento norte-americano de soja na temporada 2026/27.

Margens favoráveis das indústrias e a perspectiva de crescimento do consumo energético fortalecem a demanda pelo grão, criando uma importante fonte de sustentação para os preços.

O trigo também contribuiu para o avanço do complexo agrícola ao subir mais de 1% em Chicago, recuperando parte das perdas anteriores. As discussões relacionadas aos embarques de grãos pelo Mar Negro continuaram influenciando as negociações.

Demanda norte-americana permanece no radar

Além das condições climáticas e do desempenho dos derivados, os investidores acompanham as compras de soja dos Estados Unidos e o ritmo do processamento doméstico.

A continuidade da demanda poderá reduzir o impacto baixista de uma eventual safra elevada. Em contrapartida, qualquer desaceleração das exportações ou melhora do clima nas áreas produtoras poderá limitar novas valorizações na Bolsa de Chicago.

Assim, o mercado internacional permanece sensível aos relatórios semanais do USDA, às previsões meteorológicas e aos indicadores de consumo ligados aos biocombustíveis.

Frete elevado reduz competitividade da soja brasileira

No mercado brasileiro, a soja encerrou a segunda-feira (31) com comportamentos distintos entre as principais regiões produtoras. Enquanto algumas praças acompanharam parcialmente a valorização internacional, outras permaneceram pressionadas pelos custos de transporte e pelas margens mais estreitas.

No Paraná, o frete entre Campo Mourão e Paranaguá passou de R$ 164 para R$ 230 por tonelada. O custo equivale a aproximadamente R$ 13,80 por saca e reduz parte da remuneração obtida com a comercialização no porto.

Paranaguá apresentou referência de R$ 159 por saca. No interior do estado, Cascavel registrou R$ 149, enquanto Maringá foi indicada a R$ 146,84 por saca.

A elevação dos custos logísticos amplia a distância entre os preços pagos nas regiões produtoras e as cotações praticadas nos terminais de exportação.

Preço da soja no Rio Grande do Sul apresenta forte diferença regional

No Rio Grande do Sul, a TF Agroeconômica apontou uma diferença que chegou a aproximadamente R$ 21 a R$ 24 por saca entre determinadas referências de balcão e de porto.

Entre as principais praças gaúchas, Ijuí registrou R$ 146 por saca, Cruz Alta ficou em R$ 145,50, Passo Fundo marcou R$ 146,50 e Santa Rosa alcançou R$ 147.

No porto de Rio Grande, a referência chegou a R$ 157,50 por saca. As indicações para negócios no disponível ficaram em até R$ 156, enquanto o contrato com entrega em setembro alcançou R$ 159 por saca.

Santa Catarina registra valorização em algumas praças

Em Santa Catarina, Rio do Sul apresentou uma das maiores altas entre as referências acompanhadas, chegando a R$ 138 por saca, com valorização de 3,76%.

Palma Sola foi cotada a R$ 138,50. No mercado de lotes, Abelardo Luz alcançou R$ 155, com máxima de R$ 159 por saca. No porto de São Francisco do Sul, a indicação ficou em R$ 156,50.

As diferenças refletem condições específicas de demanda, disponibilidade regional, qualidade do produto e custo para transportar a soja até os centros consumidores ou terminais portuários.

Soja sobe em Mato Grosso do Sul e tem mercado misto em Mato Grosso

Em Mato Grosso do Sul, parte das referências apresentou altas expressivas. São Gabriel do Oeste foi cotada a R$ 142 por saca, Maracaju atingiu R$ 144 e Campo Grande chegou a R$ 143.

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, o comportamento foi mais irregular. Rondonópolis registrou R$ 144 por saca, Primavera do Leste ficou em R$ 142 e Sorriso apresentou indicações entre R$ 132,50 e R$ 136.

A redução do frete em algumas rotas mato-grossenses ajudou a aliviar a pressão sobre os preços. Ainda assim, os produtores continuam atentos aos custos dos insumos, às condições climáticas e às margens projetadas para a safra 2026/27.

Câmbio, Chicago e logística definirão os preços no Brasil

A valorização da soja em Chicago cria uma perspectiva mais favorável para as cotações brasileiras, especialmente se vier acompanhada de um dólar firme. Entretanto, os ganhos no mercado doméstico dependerão da combinação entre câmbio, prêmios de exportação, demanda das indústrias e custos logísticos.

O avanço do frete pode absorver parcela relevante da alta internacional, principalmente nas regiões mais distantes dos portos. Por isso, mesmo com a soja acima de US$ 13 por bushel em Chicago, a rentabilidade continuará variando significativamente entre as diferentes praças brasileiras.

No curto prazo, o mercado deverá acompanhar três fatores centrais: a evolução das lavouras nos Estados Unidos, o comportamento do óleo de soja e as condições de comercialização no Brasil. A combinação entre risco climático, demanda para biocombustíveis e logística interna tende a manter os preços voláteis nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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