Primato lança FIDC de R$ 150 milhões para financiar avicultura e suinocultura no Paraná
Nova linha oferece crédito a juros de 9% ao ano, prazo de dez anos e carência de dois anos para modernização de aviários, ampliação de granjas e compra de equipamentos
Publicado em: 01/09/2026 às 11:45hs
A Primato Cooperativa Agroindustrial estruturou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 150 milhões para ampliar o acesso dos cooperados a financiamentos destinados à avicultura e à suinocultura. A iniciativa atenderá produtores rurais do oeste e do sudoeste do Paraná, com condições consideradas mais competitivas que as oferecidas pelas principais linhas do Plano Safra.
O lançamento foi oficializado em 21 de agosto, na sede da cooperativa, em Toledo (PR). Participaram do encontro representantes da Fomento Paraná e do Sicoob Central Unicoob, instituições responsáveis, ao lado da Primato, pela composição financeira e pela operacionalização do fundo.
A nova linha permitirá financiar reformas de aviários, ampliação de granjas, aquisição de equipamentos e adoção de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, da eficiência e da segurança nas propriedades rurais.
Crédito terá juros de 9% ao ano e prazo de dez anos
Uma das principais vantagens do FIDC da Primato está nas condições oferecidas aos cooperados. Os financiamentos terão taxa de juros de 9% ao ano, prazo total de dez anos e carência de dois anos.
O período mais longo para pagamento busca adequar o crédito ao ciclo dos investimentos na produção animal, que normalmente exigem aportes elevados antes de começarem a gerar retorno financeiro.
A estrutura foi desenhada por meio da combinação de diferentes classes de cotas, cada uma com nível específico de participação e risco. Essa engenharia financeira possibilitou reduzir o custo final do crédito para o produtor rural.
A composição do fundo está distribuída da seguinte forma:
- Fomento Paraná: R$ 30 milhões, equivalentes a 20% do FIDC, em cota sênior remunerada a 4% ao ano;
- Sicoob Central Unicoob: R$ 75 milhões em cota mezanino;
- Primato: R$ 45 milhões em cota subordinada, formada por créditos de ICMS pertencentes à cooperativa.
A combinação dos recursos permite disponibilizar financiamentos com juros abaixo de importantes linhas tradicionais de crédito rural.
Fomento Paraná aposta em nova alternativa para o crédito rural
A participação da Fomento Paraná faz parte da estratégia do governo estadual de criar novos instrumentos para financiar investimentos no agronegócio.
Segundo o diretor-presidente da instituição, Claudio Stabile, o FIDC não substitui os recursos do Plano Safra, mas funciona como uma alternativa capaz de ampliar o acesso ao crédito e viabilizar projetos que poderiam ser adiados diante dos juros elevados.
“A questão do FIDC para o agro foi uma sensibilidade do governador Ratinho Júnior, que entendeu que o Estado precisava atuar também nessa frente. Proporcionalmente ao Plano Safra, o volume é pequeno, mas ajuda muito”, afirmou.
Stabile também destacou o crescimento da Primato e o trabalho desenvolvido pela cooperativa para facilitar o atendimento aos produtores. Na avaliação do executivo, iniciativas que aproximam o financiamento das necessidades reais das propriedades fortalecem tanto o agronegócio paranaense quanto a produção brasileira de alimentos.
Sicoob fará análise de crédito dos cooperados
Além de aportar R$ 75 milhões na cota mezanino, o Sicoob será responsável pela análise de crédito dos produtores interessados nos financiamentos.
O diretor de Mercado do Sicoob Central Unicoob, Carlos Schlick, ressaltou que a parceria conseguiu estruturar uma taxa inferior à divulgada em linhas do Plano Safra, ampliando a capacidade de investimento dos cooperados.
“Esse lançamento é uma operação muito relevante, principalmente para o produtor rural, porque a Primato consegue entregar uma taxa de juros abaixo da praticada no Plano Safra”, declarou.
Para Schlick, a operação também evidencia o potencial do cooperativismo financeiro na criação de soluções direcionadas ao campo. A expectativa é que modelos semelhantes sejam estimulados por meio de novas chamadas para fundos voltados ao agronegócio.
Recursos vão modernizar aviários e ampliar granjas de suínos
Na prática, o FIDC permitirá que os cooperados antecipem investimentos que poderiam ser postergados por falta de crédito adequado.
Os recursos poderão ser aplicados em modernização de aviários, instalação de novos equipamentos, ampliação de estruturas de produção, melhorias em granjas de suínos e incorporação de tecnologias capazes de reduzir custos e aumentar a eficiência.
De acordo com o diretor-presidente da Primato, Vilmar Sabadin, o fundo deverá gerar efeitos que ultrapassam os limites das propriedades atendidas.
“O FIDC de R$ 150 milhões permitirá aos cooperados ampliar e modernizar suas estruturas, incorporando mais tecnologia, eficiência e segurança. Esse investimento representa crescimento no campo, geração de renda, empregos e desenvolvimento regional”, afirmou.
Primato mira faturamento de R$ 2,5 bilhões em 2026
A criação da nova frente de crédito acompanha a expansão das atividades da Primato. No último exercício, a cooperativa alcançou faturamento de R$ 1,9 bilhão, crescimento de 26% em relação ao período anterior.
A pecuária foi responsável pela maior parcela da receita, com R$ 792 milhões. Na sequência aparecem:
- alimentos, com R$ 441 milhões;
- segmento industrial, com R$ 347,9 milhões;
- área agrícola, com R$ 325 milhões.
A diversificação das operações reduz a dependência de uma única atividade e fortalece a capacidade da cooperativa de investir em novos projetos.
Para 2026, a Primato estabeleceu como meta atingir faturamento de R$ 2,5 bilhões. O aumento da oferta de crédito aos cooperados é considerado estratégico para elevar a produção, sustentar o crescimento das indústrias e ampliar o fornecimento de aves e suínos.
Aumento da produção deve ampliar oferta de carne
A expectativa da Primato é que os investimentos financiados pelo FIDC resultem em maior oferta de proteína animal.
Segundo estimativas apresentadas pela cooperativa, o incremento previsto na produção de frango seria suficiente para atender ao consumo anual de aproximadamente 500 mil pessoas, considerando uma média nacional de 40 quilos por habitante.
Na suinocultura, a expansão poderia suprir o consumo anual de cerca de 1,5 milhão de pessoas, com base em uma média de 20 quilos de carne suína por habitante.
O impacto esperado envolve toda a cadeia produtiva, desde fornecedores de equipamentos e insumos até transportadoras, indústrias, comércio e consumidores.
Cooperativa também planeja expansão em Mato Grosso do Sul
Enquanto amplia os investimentos no Paraná, a Primato avalia novas oportunidades no sul de Mato Grosso do Sul. A cooperativa já mantém na região uma unidade de recebimento de grãos e uma fábrica de rações e minerais.
Durante o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs 2026), realizado em agosto, em São Paulo, representantes da Primato se reuniram com integrantes da Secretaria de Agricultura de Mato Grosso do Sul para discutir possíveis integrações e novos investimentos no estado.
No Paraná, a prioridade agora será transformar os recursos do FIDC em projetos concretos nas propriedades. A modernização dos aviários, a ampliação das granjas e a instalação de novos equipamentos deverão mostrar, nos próximos anos, o alcance dos R$ 150 milhões sobre a avicultura e a suinocultura regionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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