Minerais bi-quelatados reduzem lesões em frangos de corte e aumentam rendimento das carcaças, revela estudo com 8 milhões de aves
Pesquisa realizada em condições comerciais aponta que a substituição do zinco inorgânico por minerais bi-quelatados diminui em até 70% os defeitos de pele, reduz condenações no frigorífico e melhora a rentabilidade da produção avícola
Publicado em: 28/07/2026 às 07:00hs
A adoção de minerais orgânicos bi-quelatados na alimentação de frangos de corte pode representar um importante avanço para a avicultura brasileira ao reduzir perdas industriais, melhorar a qualidade das carcaças e aumentar a rentabilidade dos produtores. É o que demonstra um estudo conduzido em condições comerciais com aproximadamente oito milhões de aves, que avaliou os impactos da substituição do sulfato de zinco por zinco bi-quelatado com análogo hidroxilado de metionina.
Os resultados indicam que o manejo nutricional exerce influência direta sobre a integridade da pele, a qualidade dos tecidos e o aproveitamento das carcaças, fatores decisivos para reduzir condenações parciais, retrabalho nas plantas frigoríficas e desclassificação de produtos.
Estudo comprova ganhos na qualidade das carcaças
A pesquisa, intitulada "Zn–Methionine Hydroxy-Analogue Chelate Supplementation Improves Carcass Quality in Broilers Under Commercial Conditions", foi desenvolvida em parceria entre pesquisadores, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Bello Alimentos e a NOVUS.
Durante quatro meses de avaliações em uma granja comercial localizada na região Centro-Oeste do Brasil, os pesquisadores compararam diferentes fontes de zinco utilizadas na alimentação das aves.
Os dados mostraram que a substituição de 120 ppm de zinco inorgânico por apenas 40 ppm de zinco bi-quelatado proporcionou resultados expressivos:
redução de aproximadamente 70% nos defeitos de aparência da pele;
- diminuição de cerca de 68% nas lesões totais de pele;
- menor incidência de condenações parciais de carcaças;
- melhor aproveitamento industrial dos cortes.
Segundo os pesquisadores, essas melhorias refletem diretamente na eficiência do processamento e na qualidade final da carne destinada ao mercado.
Menos perdas e maior rentabilidade para a indústria
Lesões de pele estão entre os principais fatores responsáveis por perdas econômicas na cadeia da avicultura, uma vez que podem provocar retirada de cortes, rebaixamento da classificação das carcaças e aumento do retrabalho nas linhas de processamento.
De acordo com a equipe técnica envolvida no estudo, o fortalecimento da integridade dos tecidos reduz significativamente esses problemas, aumentando o rendimento industrial.
Além da pele, o trabalho também identificou melhorias importantes na saúde das patas das aves.
A suplementação com minerais bi-quelatados reduziu a ocorrência de lesões severas no coxim plantar, condição que influencia tanto o bem-estar animal quanto os índices produtivos e a valorização comercial dos lotes.
Nutrição preventiva fortalece tecidos durante todo o ciclo
Os pesquisadores destacam que os melhores resultados são obtidos quando o manejo nutricional é utilizado de forma preventiva, desde as fases iniciais de criação.
Nesse modelo, os minerais orgânicos apresentam maior biodisponibilidade em comparação às fontes minerais convencionais, favorecendo a absorção intestinal e aumentando o suporte à formação dos tecidos.
O zinco bi-quelatado participa de processos fundamentais para o desenvolvimento das aves, incluindo:
- síntese de proteínas;
- proliferação celular;
- formação de queratina;
- manutenção da integridade da pele;
- fortalecimento dos tecidos musculares.
Esses fatores contribuem para reduzir a incidência e a gravidade das lesões ao longo do ciclo produtivo.
Minerais bi-quelatados aumentam eficiência nutricional
Outro diferencial observado no estudo é que a estrutura química dos minerais bi-quelatados proporciona maior estabilidade durante a passagem pelo trato gastrointestinal.
Essa característica reduz perdas antes da absorção intestinal, permitindo maior aproveitamento do nutriente pelo organismo das aves.
Além disso, a tecnologia minimiza interações negativas com componentes da dieta, como fitatos, fibras e outros minerais, favorecendo uma nutrição mais eficiente e consistente.
Avicultura busca maior produtividade com alimentação de precisão
A pesquisa reforça uma tendência crescente na avicultura moderna: investir em estratégias nutricionais capazes de elevar a qualidade das carcaças e reduzir perdas industriais sem comprometer o desempenho zootécnico.
Com margens cada vez mais pressionadas, tecnologias nutricionais que aumentam o rendimento dos lotes, reduzem condenações e melhoram o aproveitamento da produção tornam-se ferramentas estratégicas para a competitividade da cadeia avícola brasileira.
Os resultados indicam que a utilização de minerais orgânicos bi-quelatados pode contribuir para uma produção mais eficiente, sustentável e rentável, beneficiando produtores, frigoríficos e consumidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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