Preço do frango reage, mas oferta elevada limita alta; exportações avançam 23,4% em setembro
Cotações permanecem estáveis em grande parte do Brasil, enquanto o Nordeste registra quedas; embarques aquecidos e carne bovina mais cara ajudam a sustentar o setor avícola
Publicado em: 11/09/2026 às 17:00hs
O mercado brasileiro de frango apresentou maior sustentação ao longo da semana, mas a elevada disponibilidade de animais e de carne ainda impede uma recuperação mais consistente dos preços. As cotações permaneceram estáveis nas principais regiões produtoras e no atacado de São Paulo, enquanto estados do Nordeste registraram recuos expressivos.
Segundo o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o equilíbrio do setor depende de ajustes nos alojamentos, aproximando o ritmo de produção do atual nível de consumo. Embora alguns mercados tenham demonstrado reação, a oferta nacional continua elevada e mantém as margens pressionadas.
Em contrapartida, o avanço das exportações e os preços mais altos da carne bovina oferecem suporte à avicultura. A proteína de frango ganha competitividade no mercado interno por ser uma alternativa mais acessível ao consumidor, ao mesmo tempo que os embarques brasileiros mantêm desempenho positivo.
Oferta elevada impede recuperação consistente dos preços
A disponibilidade de frango vivo permanece acima das necessidades imediatas do mercado em determinadas regiões. Esse cenário dificulta reajustes mais expressivos, mesmo diante da melhora pontual da demanda no início de setembro.
De acordo com Iglesias, uma recuperação sustentável depende da adequação dos alojamentos. A redução gradual da oferta permitiria um melhor equilíbrio entre produção e consumo, favorecendo os preços pagos aos avicultores e as cotações da carne no atacado.
O cenário é mais frágil no Nordeste, onde a pressão da oferta provocou quedas nos preços do frango vivo. Nas demais regiões acompanhadas, as cotações apresentaram estabilidade.
Consumo pode melhorar na primeira quinzena de setembro
No atacado, a ampla disponibilidade de carne e o consumo ainda insuficiente continuam limitando a valorização dos cortes. A entrada dos salários na economia, porém, pode favorecer as vendas durante a primeira quinzena do mês.
Esse efeito sazonal costuma aumentar a circulação de consumidores no varejo e impulsionar a reposição de mercadorias. Ainda assim, uma recuperação mais duradoura dependerá do controle da produção e da redução dos estoques disponíveis.
Outro fator favorável é o preço elevado da carne bovina. Com o encarecimento do produto, parte dos consumidores tende a migrar para proteínas de menor custo, preservando a competitividade da carne de frango nos supermercados e demais canais de distribuição.
Preço do frango permanece estável em São Paulo
O levantamento semanal da Safras & Mercado mostrou estabilidade nos preços do frango vivo em grande parte das principais praças de comercialização.
Em São Paulo, o quilo vivo permaneceu cotado a R$ 5,20. Nas integrações do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, o valor continuou em R$ 4,75, enquanto no oeste do Paraná ficou em R$ 4,65.
Em Mato Grosso do Sul e Goiás, o frango vivo permaneceu negociado a R$ 4,75 por quilo. Minas Gerais e Distrito Federal registraram estabilidade em R$ 4,80.
Preço do frango cai no Nordeste e no Pará
O cenário foi diferente em praças do Nordeste e do Norte do país. No Ceará, o preço do frango vivo recuou de R$ 5,50 para R$ 5,00 por quilo, queda semanal de 9,1%.
Em Pernambuco, a cotação caiu de R$ 6,00 para R$ 5,50, redução de 8,3%. No Pará, o valor passou de R$ 6,40 para R$ 6,00 por quilo, baixa de 6,25%.
Os recuos reforçam a fragilidade regional do mercado e mostram que a elevada disponibilidade de animais continua exercendo pressão sobre os preços pagos ao produtor.
Cortes congelados mantêm preços no atacado
No atacado de São Paulo, os cortes congelados de frango não apresentaram alterações durante a semana. O peito permaneceu cotado a R$ 8,00 por quilo, a coxa a R$ 6,40 e a asa a R$ 11,50.
Na distribuição, o peito congelado seguiu a R$ 8,20 por quilo, a coxa a R$ 6,60 e a asa a R$ 11,75.
A estabilidade indica que o mercado ainda encontra dificuldades para repassar preços, em razão da oferta elevada e da demanda insuficiente para gerar um movimento mais firme de valorização.
Cortes resfriados também ficam estáveis
Os cortes resfriados vendidos no atacado paulista também mantiveram as cotações. O quilo do peito permaneceu em R$ 8,10, enquanto a coxa ficou em R$ 6,50 e a asa em R$ 11,60.
Na distribuição, o peito resfriado continuou cotado a R$ 8,30 por quilo. A coxa permaneceu em R$ 6,70 e a asa em R$ 11,85.
Apesar da estabilidade, o setor acompanha a possibilidade de melhora nas vendas com a entrada dos salários e a maior procura por proteínas de preço mais competitivo.
Exportações de carne de frango avançam em setembro
As exportações brasileiras permanecem como o principal elemento de sustentação do mercado avícola. Nos quatro primeiros dias úteis de setembro, os embarques de carne de aves e miudezas comestíveis renderam US$ 182,263 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A receita média diária alcançou US$ 45,565 milhões, crescimento de 23,4% em relação à média registrada em setembro de 2025.
O volume exportado chegou a 93,325 mil toneladas, com média diária de 23,331 mil toneladas. Na comparação anual, a quantidade média embarcada por dia avançou 11,7%.
O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.953, valor 10,5% superior ao observado no mesmo mês do ano anterior. Os números mostram que o desempenho externo foi favorecido tanto pelo aumento do volume quanto pela valorização do produto exportado.
Embarques podem superar 5,69 milhões de toneladas em 2026
A projeção da Safras & Mercado aponta que as exportações brasileiras de carne de frango podem superar 5,69 milhões de toneladas em 2026. Caso o resultado seja confirmado, o comércio exterior continuará fundamental para absorver parte da produção nacional e reduzir a pressão sobre o mercado doméstico.
Além da demanda interna e das exportações, a avicultura acompanha as oscilações dos preços do milho e da soja, principais componentes da alimentação das aves. O setor também monitora os possíveis impactos de um El Niño intenso sobre as safras de grãos e, consequentemente, sobre os custos das rações.
No curto prazo, o mercado deve permanecer dividido entre o suporte das exportações e da competitividade da carne de frango, de um lado, e a elevada oferta interna, de outro. Uma recuperação mais consistente das cotações dependerá do crescimento do consumo e de ajustes no ritmo de produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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