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Milho e Sorgo

Preço do milho se mantém firme no Brasil, mas cautela de compradores trava negócios

Retração dos produtores sustenta as cotações, enquanto consumidores reduzem as compras, paridade de exportação perde força e mercado aguarda novos dados do USDA


Publicado em: 11/09/2026 às 17:30hs

Preço do milho se mantém firme no Brasil, mas cautela de compradores trava negócios

O mercado brasileiro de milho encerrou a semana com preços firmes, mas com pouca fluidez nas negociações. Segundo análise da Safras & Mercado, a postura retraída dos produtores, que aguardam possíveis valorizações no curto prazo, limitou a oferta do cereal e sustentou as cotações nas principais regiões produtoras.

Do lado comprador, indústrias e consumidores também adotaram maior cautela. A percepção de abastecimento confortável reduziu a necessidade de aquisições mais agressivas, resultando em um mercado marcado por pedidos firmes dos vendedores, propostas menores dos compradores e dificuldade para a conclusão de novos negócios.

Oferta limitada sustenta preço do milho

A estratégia dos produtores foi determinante para impedir recuos mais expressivos nas cotações. Parte dos vendedores permaneceu fora do mercado, apostando na possibilidade de preços mais elevados nas próximas semanas.

Essa retração, no entanto, não foi acompanhada por uma aceleração da demanda. Em diversas regiões, os consumidores trabalham com estoques considerados suficientes e demonstram pouco interesse em elevar suas propostas.

Em São Paulo, os compradores chegaram a atuar de maneira mais ativa no início da semana, buscando novos lotes de milho. A partir de quarta-feira, porém, a demanda perdeu força, com as indústrias aguardando referências mais claras antes de retomar as negociações.

Preço médio da saca chega a R$ 67,38

O preço médio da saca de milho no Brasil alcançou R$ 67,38 em 10 de setembro, avanço de 0,22% em relação aos R$ 67,24 registrados no encerramento da semana anterior.

Apesar da pequena valorização da média nacional, as principais praças acompanhadas apresentaram estabilidade:

  • Cascavel (PR): R$ 65,00 por saca;
  • Campinas (SP), base CIF: R$ 74,00 por saca;
  • Mogiana paulista: R$ 70,00 por saca;
  • Rondonópolis (MT): R$ 68,00 por saca;
  • Erechim (RS): R$ 71,00 por saca;
  • Uberlândia (MG): R$ 66,00 por saca;
  • Rio Verde (GO): R$ 65,00 por saca.

A estabilidade regional confirma o equilíbrio momentâneo entre a resistência dos produtores em vender e a baixa disposição dos consumidores para aumentar as ofertas.

Paridade de exportação perde competitividade

A paridade de exportação do milho enfraqueceu durante a semana, pressionada pela queda dos contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago e pela desvalorização do dólar diante do real.

A combinação reduziu a remuneração potencial dos embarques brasileiros e limitou o suporte externo aos preços domésticos. Com isso, as negociações passaram a depender ainda mais das condições regionais de oferta, demanda e logística.

O mercado acompanha o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O documento poderá aumentar a volatilidade dos contratos na Bolsa de Chicago e alterar as referências utilizadas no cálculo da paridade de exportação.

Colheita da segunda safra entra na reta final

No campo, a colheita do milho segunda safra está praticamente concluída nas principais regiões produtoras do Brasil. Os trabalhos remanescentes estão concentrados principalmente em São Paulo e Minas Gerais.

A finalização da colheita amplia a disponibilidade física do cereal, mas o efeito sobre os preços vem sendo limitado pela retenção de vendas. Mesmo com o milho armazenado, parte dos produtores evita comercializar grandes volumes nos patamares atuais.

Brasil exporta 1,126 milhão de toneladas em setembro

Nos quatro primeiros dias úteis de setembro, as exportações brasileiras de milho somaram 1,126 milhão de toneladas, com média diária de 281,649 mil toneladas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A receita alcançou US$ 270,206 milhões, equivalente a uma média diária de US$ 67,551 milhões. O preço médio do milho exportado ficou em US$ 239,80 por tonelada.

Na comparação com setembro de 2025, a média diária do volume embarcado caiu 18,1%, enquanto a receita média diária recuou 1%. Em contrapartida, o preço médio por tonelada aumentou 20,9%.

Mercado do milho pode ganhar volatilidade

A tendência de curto prazo permanece condicionada ao comportamento dos produtores, à necessidade de reposição das indústrias, ao câmbio e às oscilações de Chicago. Mudanças nas projeções do USDA também poderão influenciar os contratos futuros e a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional.

Enquanto vendedores resistirem aos preços atuais e compradores mantiverem estoques confortáveis, o mercado deverá continuar com cotações firmes, porém com baixo volume de negócios.

Fonte: Portal do Agronegócio

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