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Algodão

Preço do algodão cai no Brasil com demanda fraca, apesar da alta em Nova York

Comercialização perde ritmo no mercado físico, pluma recua em Mato Grosso e São Paulo e exportações brasileiras registram queda na média diária de setembro


Publicado em: 11/09/2026 às 16:30hs

Preço do algodão cai no Brasil com demanda fraca, apesar da alta em Nova York

O mercado brasileiro de algodão encerrou a semana com negociações mais lentas e preços em queda nas principais praças. Mesmo diante dos ganhos recentes dos contratos negociados na Bolsa de Nova York, as cotações domésticas não acompanharam o movimento externo, refletindo principalmente a demanda retraída da indústria nacional.

Segundo levantamento da Safras Consultoria, algumas tradings demonstraram interesse pontual pelo algodão disponível no início da semana, enquanto outras buscaram lotes com entrega programada para dezembro. A baixa participação dos compradores, entretanto, limitou a liquidez e pressionou os valores da pluma.

Algodão recua em Mato Grosso e São Paulo

Em Rondonópolis, importante referência para o mercado de algodão em Mato Grosso, a pluma foi negociada na quinta-feira (10) a R$ 4,20 por libra-peso, equivalente a R$ 138,84 por arroba.

Na quinta-feira anterior, o produto era cotado a R$ 4,21 por libra-peso, ou R$ 139,32 por arroba. A comparação semanal aponta desvalorização de 0,34%.

Para o algodão colocado em armazém no sistema CIF em São Paulo, as indicações ficaram próximas de R$ 4,36 por libra-peso. O valor representa queda de 1,80% em relação aos R$ 4,44 por libra-peso registrados na semana anterior.

O comportamento evidencia o descolamento entre o mercado físico brasileiro e a Bolsa de Nova York. Enquanto os contratos internacionais avançaram, a menor disposição de compra da indústria e a comercialização mais cautelosa limitaram possíveis reajustes no Brasil.

Safra 2024/25 está totalmente comercializada em Mato Grosso

A comercialização da safra 2024/25 de algodão em Mato Grosso alcançou 100% até o dia 7 de setembro, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Em agosto, 99,18% da produção estimada havia sido negociada. No mesmo período do ano passado, as vendas correspondiam a 99,78% da safra.

O resultado confirma o encerramento comercial da temporada 2024/25 no maior estado produtor de algodão do país.

Vendas antecipadas das safras 2025/26 e 2026/27 avançam

Para a safra 2025/26, a comercialização do algodão mato-grossense atingiu 75,52%. O índice representa avanço de 1,52 ponto percentual em relação aos 74% registrados em agosto.

Na comparação anual, as vendas estão mais adiantadas. Em igual período do ano passado, 68,37% da produção projetada havia sido comercializada.

Os negócios antecipados da safra 2026/27 também ganharam ritmo. Até 7 de setembro, os produtores haviam negociado 39,34% da produção estimada, ante 32,73% em agosto e 27,82% no mesmo período do ano anterior.

O avanço da comercialização futura demonstra uma estratégia de proteção de preços e margens, especialmente em um cenário marcado pela volatilidade das bolsas, variações cambiais e incertezas sobre a demanda mundial.

Exportações brasileiras de algodão perdem ritmo em setembro

Nos quatro primeiros dias úteis de setembro, o Brasil exportou 28,826 mil toneladas de algodão, com média diária de 7,206 mil toneladas, segundo dados oficiais do comércio exterior.

A receita obtida com os embarques somou US$ 49,680 milhões, equivalente a uma média de US$ 12,420 milhões por dia.

Na comparação com setembro de 2025, o volume médio diário exportado caiu 11,3%. No mesmo período do ano passado, os embarques alcançavam aproximadamente 8,128 mil toneladas por dia.

A receita média diária também recuou, mas em menor intensidade. A queda foi de 6% diante dos US$ 13,208 milhões diários registrados em setembro de 2025.

Mercado monitora demanda industrial e ritmo das exportações

A evolução dos preços do algodão no Brasil deverá depender da retomada da demanda industrial, do desempenho das exportações e da movimentação das tradings para entregas futuras.

O avanço da comercialização antecipada em Mato Grosso reduz parte da pressão sobre os produtores, mas a menor liquidez no mercado físico e a desaceleração dos embarques limitam a sustentação das cotações domésticas.

Além disso, o setor continuará acompanhando o dólar e a Bolsa de Nova York. Embora essas referências influenciem diretamente a formação de preços, o comportamento recente mostra que fatores internos, especialmente a demanda e a disponibilidade imediata da pluma, permanecem determinantes para o mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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