Inteligência artificial vira infraestrutura do agronegócio e avança na gestão de dados e máquinas
Debate no GAFFFF 2026 mostrará como integração, conectividade e qualidade das informações podem acelerar decisões, automatizar processos e elevar a competitividade no campo
Publicado em: 31/08/2026 às 11:45hs
A inteligência artificial começa a ocupar uma posição estrutural no agronegócio, deixando de ser utilizada apenas em projetos experimentais para integrar operações, máquinas, sensores e sistemas de gestão. Essa transformação estará no centro do painel “IA: A Nova Infra do Agro”, programado para 1º de outubro durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF) São Paulo 2026.
Realizado no Nubank Parque, em São Paulo (SP), o debate abordará os desafios para consolidar a IA como parte da infraestrutura tecnológica das propriedades rurais e das empresas do setor. O avanço depende principalmente da organização dos dados, da conectividade no campo e da integração entre diferentes plataformas.
O painel terá a participação de Fernando Rodrigues, sócio-fundador da Rural Ventures, ecossistema que conecta tecnologia, dados e capital no agronegócio, e de Fabrício de Assis Ramos Orrigo, diretor-executivo da TOTVS.
Inteligência artificial depende de dados organizados
A aplicação eficiente da inteligência artificial exige uma base tecnológica capaz de coletar, armazenar e processar informações de diferentes fontes. Máquinas agrícolas, drones, sensores, estações meteorológicas, imagens de satélite, sistemas de gestão e plataformas empresariais geram grandes volumes de dados, mas nem sempre operam de forma integrada.
Segundo Fernando Rodrigues, a ausência de conexão entre esses sistemas ainda representa um dos principais obstáculos para o avanço da IA no agronegócio.
“Falar de inteligência artificial no agro sem falar de infraestrutura é discutir o motor sem olhar o combustível. A camada que sustenta a IA na fazenda é formada por dados organizados, conectividade e processos”, afirma.
Para o especialista, a qualidade das análises depende diretamente da consistência das informações utilizadas.
“Sem integração entre os sistemas, não há qualidade de dados; e, sem qualidade de dados, não existe inteligência que se sustente”, acrescenta.
Brasil alcança 2.075 agtechs em atividade
O avanço da inteligência artificial acompanha a expansão do ecossistema brasileiro de inovação agrícola. Dados do Radar Agtech Brasil 2025 indicam que o País encerrou o ano com 2.075 agtechs em atividade, ante 1.125 empresas identificadas em 2019.
O levantamento também contabilizou 390 ambientes de inovação ligados ao agronegócio. Entre as empresas de tecnologia agrícola mapeadas, 83% já utilizavam inteligência artificial em suas soluções.
Os números demonstram que a IA deixou de ser uma tendência distante e passou a integrar produtos, serviços e modelos de negócio voltados ao campo. O desafio agora é ampliar a adoção dessas tecnologias e conectá-las aos processos cotidianos das propriedades e agroindústrias.
Integração transforma dados em decisões no campo
Quando organizadas em um mesmo ambiente, informações provenientes de sensores, máquinas, drones, satélites, ERPs e sistemas meteorológicos podem apoiar decisões operacionais e estratégicas.
A inteligência artificial pode analisar esses dados para identificar padrões, antecipar riscos e recomendar ações. Entre as aplicações estão o planejamento de plantio, o manejo de irrigação, a previsão de produtividade, a manutenção de máquinas, o controle de estoques e a gestão dos custos.
A tecnologia também pode apoiar o produtor no acompanhamento de clima, logística, margens, rastreabilidade e sustentabilidade. A proposta é reduzir o intervalo entre a geração da informação e a tomada de decisão, tornando a gestão rural mais rápida e precisa.
Conectividade ainda limita avanço da IA no agro
Apesar da expansão das agtechs, a deficiência de conectividade em diversas áreas rurais permanece como uma barreira importante. Sem acesso confiável à internet, parte dos dados coletados por máquinas e sensores não consegue ser transmitida ou processada em tempo real.
Outro desafio está na interoperabilidade, ou seja, na capacidade de sistemas desenvolvidos por diferentes empresas trocarem informações entre si.
A consolidação da inteligência artificial como infraestrutura do agronegócio dependerá, portanto, de investimentos em conectividade, padronização, armazenamento seguro e capacitação das equipes que utilizarão as ferramentas.
IA pode elevar produtividade e competitividade
Para Luiz Felipe Nastari, diretor de Comunicação e Eventos da DATAGRO, compreender essa transformação será fundamental para a competitividade do agronegócio nos próximos anos.
“Trazer esse debate para o GAFFFF é discutir, de forma concreta, como a inteligência artificial pode contribuir para um agronegócio mais produtivo, eficiente, conectado e preparado para os próximos desafios”, afirma.
Segundo ele, a tecnologia já modifica a maneira como produtores, empresas e outros agentes da cadeia utilizam dados, automatizam atividades e tomam decisões.
GAFFFF 2026 terá mais de 100 palestrantes
O painel sobre inteligência artificial integra a programação de conteúdo do GAFFFF São Paulo 2026, que reunirá produtores rurais, lideranças empresariais, autoridades, especialistas e representantes de diferentes segmentos do agronegócio.
A edição contará com mais de 35 painéis e acima de 100 palestrantes, distribuídos em seis palcos simultâneos. O evento também terá feira de negócios, gastronomia e atividades de entretenimento.
Ao colocar a inteligência artificial no centro da discussão sobre infraestrutura, o encontro pretende mostrar que o avanço tecnológico do agro não depende somente de novas ferramentas. A transformação exige conectividade, integração de sistemas, dados confiáveis e processos capazes de converter informações em resultados práticos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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