Congresso Brasileiro de Fertilizantes bate recorde e amplia debate sobre segurança do abastecimento
CBFer 2026 reuniu mil participantes presenciais e mais de 3,6 mil no ambiente digital para discutir produção nacional, importações, logística, inovação e competitividade
Publicado em: 31/08/2026 às 11:55hs
O Congresso Brasileiro de Fertilizantes (CBFer) encerrou sua 13ª edição com recorde de participação e uma agenda voltada aos principais desafios do abastecimento de insumos no Brasil. Promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o encontro reuniu mil pessoas presencialmente e mais de 3,6 mil participantes no ambiente online.
A programação também alcançou o público internacional, com mais de 350 participantes de outros países. Os números reforçam a relevância estratégica dos fertilizantes para o agronegócio brasileiro, especialmente diante da elevada dependência das importações e da instabilidade do mercado mundial.
Durante o CBFer 2026, representantes da cadeia produtiva defenderam a necessidade de equilibrar o fortalecimento da produção nacional com a diversificação dos fornecedores externos. A proposta é ampliar a capacidade de resposta do Brasil diante de crises geopolíticas, problemas logísticos e oscilações nos preços e na oferta mundial.
A edição contou com 16 patrocinadores, dos quais 12 participaram como expositores, além de 17 apoiadores de mídia. A presença de empresas, especialistas e instituições ampliou o alcance das discussões sobre o futuro do mercado brasileiro de fertilizantes.
Dependência externa mantém abastecimento de fertilizantes no centro das discussões
A segurança do abastecimento foi um dos principais temas do Congresso Brasileiro de Fertilizantes. Os debates mostraram que a elevada participação dos produtos importados torna a agricultura brasileira mais exposta às mudanças no cenário internacional.
Conflitos geopolíticos, eventos climáticos associados ao El Niño, restrições comerciais e dificuldades nas rotas marítimas podem afetar a disponibilidade dos insumos e pressionar os custos pagos pelos produtores rurais.
Diante desse cenário, o setor destacou que o Brasil precisa ampliar a produção doméstica sem abandonar a estratégia de diversificação das importações. A combinação dessas duas frentes pode reduzir riscos e aumentar a resiliência da cadeia diante de eventuais interrupções no comércio global.
Também foi ressaltada a importância de tornar os processos de importação mais eficientes e competitivos, garantindo previsibilidade para empresas, distribuidores e agricultores.
Segurança do abastecimento exige estratégia integrada
A avaliação apresentada durante o CBFer 2026 é de que a segurança no fornecimento de fertilizantes não será alcançada por meio de uma iniciativa isolada. O avanço depende de uma política estruturante que reúna produção nacional, comércio exterior, infraestrutura, logística, regulação e segurança jurídica.
Entre as prioridades debatidas estão a redução dos gargalos nos portos e corredores de transporte, a melhoria das condições de armazenagem e a criação de um ambiente regulatório capaz de estimular novos investimentos.
Essas medidas são consideradas essenciais para diminuir custos operacionais e aumentar a competitividade do setor. Uma estrutura logística mais eficiente também pode facilitar a distribuição dos fertilizantes até as principais regiões agrícolas do país.
Inovação pode elevar eficiência no uso de fertilizantes
Além das discussões sobre oferta e importação, o Congresso destacou a importância da inovação e do uso eficiente dos fertilizantes nas lavouras.
O objetivo é elevar a produtividade agrícola com uma aplicação cada vez mais precisa e racional dos insumos. Tecnologias de manejo, ferramentas digitais e soluções voltadas à sustentabilidade podem ajudar os produtores a aproveitar melhor os nutrientes e reduzir desperdícios.
A eficiência agronômica ganhou espaço como elemento estratégico para a segurança alimentar e a competitividade do agronegócio. Quanto melhor for o aproveitamento dos fertilizantes, maior poderá ser o retorno econômico para o produtor e menor a exposição a variações de preços.
A modernização tecnológica também foi associada à necessidade de conciliar aumento da produção, conservação dos recursos naturais e atendimento às exigências dos mercados consumidores.
Infraestrutura e segurança jurídica são prioridades para atrair investimentos
Os participantes do CBFer 2026 defenderam avanços na infraestrutura e na modernização das normas que regulam o mercado. A falta de previsibilidade jurídica e regulatória pode limitar investimentos em mineração, fabricação, mistura, armazenagem e distribuição de fertilizantes.
Para o setor, regras mais claras e estáveis são fundamentais para viabilizar projetos de longo prazo e ampliar a capacidade produtiva brasileira.
A melhoria da logística também aparece como condição indispensável para aumentar a competitividade. Investimentos em ferrovias, rodovias, hidrovias, portos e terminais podem reduzir o custo de movimentação dos insumos e melhorar o atendimento às regiões produtoras.
CBFer defende agenda de longo prazo para o agronegócio brasileiro
A 13ª edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes mostrou que o país precisa avançar em uma estratégia permanente para o setor, superando medidas emergenciais adotadas apenas em períodos de crise.
Essa agenda passa pela ampliação dos investimentos, pelo estímulo à produção nacional, pela diversificação dos fornecedores internacionais e pela melhoria das condições logísticas e regulatórias.
Segundo a ANDA, o recorde de participação presencial e digital demonstra o interesse dos diferentes elos da cadeia na construção de soluções para o abastecimento brasileiro.
Com os resultados alcançados em 2026, o CBFer consolida-se como um dos principais espaços de discussão sobre fertilizantes no país. O evento fortalece o diálogo entre empresas, especialistas e instituições em torno de uma agenda capaz de reduzir vulnerabilidades, garantir insumos ao produtor e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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