Publicidade
Café

Preço do café sobe em Nova York e pode estimular negócios no mercado brasileiro

Avanço dos contratos futuros e forte valorização do petróleo sustentam as cotações, enquanto a queda do dólar limita parte dos ganhos no Brasil


Publicado em: 31/08/2026 às 11:40hs

Preço do café sobe em Nova York e pode estimular negócios no mercado brasileiro

O preço do café opera em alta na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira, criando espaço para valorização no mercado físico brasileiro e novos negócios nos momentos de maior avanço das cotações internacionais. A queda do dólar diante do real, entretanto, reduz a força da alta para os produtores nacionais.

Após uma abertura volátil, os contratos futuros ganharam sustentação com compras orientadas por fatores técnicos e com a forte valorização do petróleo. O cenário pode estimular produtores a negociar lotes nos picos da bolsa norte-americana, sobretudo depois da recuperação registrada nas principais praças cafeeiras na sexta-feira.

Apesar da melhora das cotações, a expectativa é de comercialização seletiva. Parte dos vendedores permanece retraída, aguardando preços mais favoráveis antes de ampliar a oferta no mercado disponível.

Mercado físico de café registra negócios pontuais

O mercado brasileiro de café encerrou a sexta-feira com maior movimentação. Segundo informações da Consultoria Safras & Mercado, produtores aproveitaram a recuperação dos preços após vários dias de queda para negociar alguns lotes.

O volume comercializado, porém, permaneceu limitado. As operações foram pontuais e concentradas principalmente nas maiores regiões produtoras e centros de comercialização.

O comportamento indica que os cafeicultores continuam atentos às oscilações da Bolsa de Nova York e do câmbio. Quando os contratos futuros avançam, mas o dólar recua, parte da valorização internacional deixa de ser transferida aos preços domésticos.

Café arábica sobe no Sul de Minas Gerais

No Sul de Minas Gerais, o café arábica de bebida boa, da safra nova e com 15% de catação, foi negociado entre R$ 1.770 e R$ 1.775 por saca.

No dia anterior, o produto havia sido cotado entre R$ 1.750 e R$ 1.755. A valorização chegou, portanto, a R$ 20 por saca na comparação diária.

A recuperação favoreceu algumas negociações, mas não foi suficiente para provocar uma oferta mais expressiva por parte dos produtores.

Café no Cerrado Mineiro chega a R$ 1.785 por saca

No Cerrado Mineiro, o café arábica de bebida dura, da safra nova e com 15% de catação, ficou entre R$ 1.780 e R$ 1.785 por saca.

Na sessão anterior, as indicações variavam de R$ 1.760 a R$ 1.765. A alta também alcançou R$ 20 por saca.

O Cerrado Mineiro apresentou os maiores valores entre as praças acompanhadas, sustentado pela qualidade do produto e pela recuperação das referências internacionais.

Café arábica tipo 7 avança na Zona da Mata

Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica “rio” tipo 7, da safra 2026 e com 20% de catação, foi cotado entre R$ 1.360 e R$ 1.365 por saca.

Os preços anteriores estavam entre R$ 1.340 e R$ 1.345, indicando valorização diária de aproximadamente R$ 20 por saca.

A alta acompanhou o movimento observado nas demais regiões produtoras de arábica, embora as diferenças de qualidade mantenham uma distância significativa entre as cotações.

Preço do café conilon permanece estável no Espírito Santo

O mercado de café conilon apresentou estabilidade em Vitória, no Espírito Santo.

O conilon tipo 7, da safra 2026, permaneceu cotado entre R$ 1.020 e R$ 1.025 por saca. Já o produto tipo 7/8 foi indicado entre R$ 1.010 e R$ 1.015, também sem alterações.

A estabilidade contrasta com o movimento de valorização registrado nas principais praças de café arábica.

Café avança na Bolsa de Nova York

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos de café com vencimento em julho de 2026 eram negociados a 315,45 centavos de dólar por libra-peso.

O avanço era de 2,60 centavos, equivalente a uma alta de 0,83%. O mercado encontrou suporte em compras técnicas e na valorização do petróleo.

A evolução dos contratos futuros poderá determinar o ritmo das negociações no Brasil ao longo do dia. Novas altas podem estimular a venda de lotes, especialmente entre produtores que aguardavam uma recuperação após a sequência recente de perdas.

Queda do dólar limita valorização do café no Brasil

Enquanto o café sobe em Nova York, o dólar comercial recua 0,56%, cotado a R$ 5,1670. O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de divisas, cai 0,1%, aos 99,552 pontos.

O recuo cambial funciona como contraponto às cotações internacionais. Como o café é negociado globalmente em dólares, a desvalorização da moeda norte-americana tende a reduzir o valor convertido para reais.

Por esse motivo, a sustentação do mercado físico brasileiro dependerá do equilíbrio entre a alta dos contratos futuros, o comportamento do câmbio e a disposição dos produtores para vender.

Petróleo sobe mais de 3% e influencia commodities

O petróleo opera em forte valorização no mercado internacional. O contrato do WTI negociado em Nova York, com vencimento em junho, sobe 3,42%, para US$ 86,26 por barril.

A alta da commodity energética contribui para um ambiente positivo entre os mercados de matérias-primas e reforça as compras técnicas nos contratos futuros do café.

Nas bolsas europeias, o desempenho era predominantemente negativo. Frankfurt recuava 0,61%, enquanto Paris avançava 0,21%. O mercado de Londres permanecia fechado devido a feriado.

Na Ásia, os índices encerraram em direções diferentes. A Bolsa de Xangai subiu 0,86%, enquanto o mercado japonês caiu 0,14%.

Mercado de café deve seguir atento a Nova York e ao câmbio

O comportamento dos preços no Brasil dependerá principalmente da capacidade da Bolsa de Nova York de sustentar os ganhos e da trajetória do dólar ao longo do pregão.

Caso os contratos futuros ampliem a valorização, os negócios podem ganhar ritmo nas principais regiões produtoras. A moeda norte-americana mais fraca, contudo, poderá limitar o repasse integral da alta às cotações domésticas.

Depois de uma sexta-feira marcada pela recuperação dos preços e por vendas pontuais, o mercado brasileiro inicia a semana com possibilidade de maior movimentação, mas ainda condicionado à estratégia dos produtores e à volatilidade externa.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias