Publicidade
Seguro Rural

Seguro rural subvencionado encolhe em 2025 e cobre apenas 3,3% da área cultivada no Brasil

Corte no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural reduz número de produtores atendidos, diminui área protegida e amplia exposição do agronegócio aos riscos climáticos.


Publicado em: 29/07/2026 às 17:00hs

Seguro rural subvencionado encolhe em 2025 e cobre apenas 3,3% da área cultivada no Brasil

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) registrou uma forte retração em 2025, reduzindo significativamente a proteção financeira dos produtores rurais brasileiros. Dados do monitoramento oficial do governo federal mostram que o programa alcançou apenas 3,3% da área cultivada no país, percentual muito inferior à meta estabelecida de 11,79% para o período.

A redução da cobertura ocorreu em meio a cortes orçamentários e afetou diretamente milhares de produtores, diminuindo tanto a área segurada quanto o volume de recursos protegidos contra perdas provocadas por eventos climáticos, como seca, excesso de chuvas, granizo e geadas.

Número de produtores atendidos caiu mais de 50%

Em 2025, o PSR beneficiou 42.026 produtores rurais e garantiu cobertura para aproximadamente 3,2 milhões de hectares.

No ano anterior, o programa havia atendido 86.443 produtores, protegendo 7,3 milhões de hectares.

Na comparação anual, isso representa:

  • queda de 51,4% no número de produtores beneficiados;
  • redução de 56,2% na área segurada;
  • cobertura equivalente a apenas 3,3% da área agrícola brasileira.

Em 2024, o programa havia alcançado 7,72% da área cultivada, percentual que, embora abaixo da meta, representava mais que o dobro da cobertura registrada em 2025.

Os dados referem-se exclusivamente às apólices contratadas com apoio da subvenção federal e não incluem seguros rurais adquiridos diretamente no mercado privado.

Capital segurado despenca 65,5%

Além da redução na área protegida, houve uma queda ainda mais expressiva no valor econômico coberto pelas apólices.

O capital segurado caiu de R$ 51,6 bilhões, em 2024, para apenas R$ 17,8 bilhões em 2025.

A retração de 65,5% significa que praticamente dois terços do patrimônio agrícola anteriormente protegido deixaram de contar com cobertura subvencionada pelo governo federal.

Na prática, uma parcela muito maior do risco financeiro voltou a ficar concentrada diretamente nas propriedades rurais.

Corte orçamentário compromete expansão do programa

O orçamento inicialmente aprovado para o PSR em 2025 era de aproximadamente R$ 1,06 bilhão.

Desse total, cerca de R$ 67 milhões precisaram ser destinados ao pagamento de compromissos assumidos em apólices contratadas no exercício anterior.

Ao longo do ano, o programa sofreu um corte orçamentário de aproximadamente R$ 428 milhões, reduzindo significativamente os recursos disponíveis.

Com isso, a execução efetiva destinada à subvenção ficou em R$ 565,4 milhões, valor 47,3% inferior aos R$ 1,072 bilhão aplicados em 2024.

Segundo o relatório oficial, a demanda apresentada pelos produtores superou amplamente a capacidade financeira do programa, gerando uma insuficiência estimada em R$ 935 milhões.

Como consequência, milhares de produtores precisaram contratar seguros sem apoio federal, reduzir o nível de cobertura ou permanecer completamente desprotegidos diante dos riscos climáticos.

Seguro rural é ferramenta estratégica para gestão de riscos

Especialistas destacam que o seguro rural não impede a ocorrência de eventos climáticos extremos, mas exerce papel fundamental na gestão financeira das propriedades.

Ao transferir parte do risco para as seguradoras, o instrumento reduz o impacto econômico causado por perdas de produção e preserva a capacidade dos produtores de honrar financiamentos, investir em novas safras e manter o fluxo de caixa.

Quando a cobertura diminui, aumenta a vulnerabilidade não apenas das propriedades rurais, mas de toda a cadeia do agronegócio.

Quebras de safra podem provocar efeitos sobre cooperativas, fornecedores de insumos, transportadoras, agroindústrias, instituições financeiras e municípios cuja economia depende diretamente da atividade agrícola.

Além disso, a baixa adesão limita o desenvolvimento do próprio mercado de seguros rurais. Com menos produtores segurados, torna-se mais difícil distribuir riscos entre diferentes culturas, regiões e perfis produtivos, reduzindo a eficiência do sistema e elevando os custos das apólices.

Meta para 2026 exige expansão acelerada

O governo federal estabeleceu como meta elevar a cobertura do PSR para 13,6% da área cultivada em 2026, chegando a 15,35% em 2027.

Para atingir o objetivo previsto para este ano, será necessário multiplicar por mais de quatro a área atualmente protegida.

O avanço dependerá principalmente da recomposição do orçamento destinado ao programa, da previsibilidade na liberação dos recursos públicos e da retomada das contratações por produtores e seguradoras.

Outro desafio será ampliar a cobertura para diferentes regiões e cadeias produtivas, reduzindo a concentração das apólices em determinadas culturas e estados.

Agronegócio enfrenta crescente exposição aos riscos climáticos

Os resultados de 2025 reforçam um dos principais desafios da política agrícola brasileira: ampliar os mecanismos de gestão de riscos em um cenário marcado por eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos.

Com uma produção agrícola em expansão e o aumento da variabilidade climática, a distância entre a área efetivamente cultivada e a área protegida por seguro rural torna-se um indicador estratégico para a sustentabilidade econômica do agronegócio brasileiro.

A recuperação do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural será determinante para fortalecer a resiliência do setor, garantir maior estabilidade de renda aos produtores e ampliar a segurança da produção nacional nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias