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Seguro Rural

Seguro rural protege R$ 17,8 bilhões e alcança mais de 42 mil produtores no Brasil

Programa federal segurou 3,2 milhões de hectares em 2025; proteção pode incluir lavouras, rebanhos, florestas, benfeitorias e outros bens ligados à atividade agropecuária


Publicado em: 22/09/2026 às 11:45hs

Seguro rural protege R$ 17,8 bilhões e alcança mais de 42 mil produtores no Brasil

O seguro rural beneficiou mais de 42 mil produtores brasileiros em 2025 por meio do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Ao todo, 3,2 milhões de hectares foram segurados, com R$ 17,8 bilhões em capital protegido, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Embora seja frequentemente associado à proteção das lavouras contra eventos climáticos, o seguro rural também pode abranger rebanhos, florestas, estruturas, produtos agropecuários e outros bens utilizados na atividade produtiva.

A contratação ganha importância diante da maior frequência de secas, geadas, granizo, chuvas excessivas e outros eventos capazes de comprometer a produção, o patrimônio e a capacidade financeira das propriedades.

Seguro rural vai além da proteção da safra

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) reconhece diferentes modalidades de seguro destinadas ao campo. Entre elas estão os seguros agrícola, pecuário, aquícola, florestal, de penhor rural, de benfeitorias e produtos agropecuários, além do seguro de vida do produtor devedor de crédito rural.

Na agricultura, as coberturas podem incluir perdas causadas por seca, geada, granizo, incêndio, ventos fortes e excesso de chuva. Os eventos protegidos, entretanto, variam de acordo com o produto contratado e as condições estabelecidas na apólice.

Na pecuária, o seguro pode alcançar animais destinados à produção, cria, recria e engorda, além de animais de trabalho e determinados reprodutores.

Seguro pecuário movimenta R$ 4,4 bilhões em proteção

A expansão do seguro pecuário mostra a diversificação desse mercado. Em 2024, o PSR contabilizou mais de 6,3 mil apólices na modalidade, com aproximadamente R$ 4,4 bilhões em importância segurada.

A proteção pode ajudar a reduzir o impacto financeiro provocado pela perda de animais, especialmente em propriedades nas quais o rebanho concentra parte significativa do patrimônio e da geração de receita.

O alcance da cobertura depende do contrato. Por isso, o produtor deve verificar quais animais, eventos e situações estão previstos, além das exclusões, franquias e procedimentos necessários para comunicar um sinistro.

Benfeitorias e estruturas também podem ser seguradas

Bens diretamente relacionados às atividades agrícola, pecuária, aquícola e florestal também podem receber proteção, desde que atendam às condições da apólice.

O seguro de benfeitorias e produtos agropecuários pode contemplar estruturas e itens empregados na operação rural. Essa modalidade amplia a gestão de risco para além do ciclo produtivo e permite avaliar a exposição patrimonial da propriedade de maneira integrada.

Romário Alves, fundador e CEO da Sonhagro, afirma que essa análise deve fazer parte do planejamento financeiro antes da contratação de crédito ou da realização de novos investimentos.

“Quando o produtor calcula quanto precisa para plantar, ampliar a produção, comprar equipamentos ou investir no rebanho, ele também precisa avaliar o que aconteceria com o caixa se parte desse patrimônio fosse perdida. Gestão de risco e planejamento financeiro precisam caminhar juntos”, avalia.

Apólice deve considerar os riscos de cada atividade

As necessidades de proteção variam conforme a atividade, a localização, a estrutura produtiva e o nível de exposição financeira de cada propriedade.

Uma fazenda dedicada à pecuária leiteira, por exemplo, apresenta custos e riscos diferentes de uma unidade produtora de soja, milho, café ou frutas. Por isso, não existe uma cobertura única capaz de atender igualmente todos os produtores.

Antes da contratação, é necessário identificar os pontos mais vulneráveis da operação, avaliar quais perdas comprometeriam o caixa e conferir cuidadosamente as condições gerais do seguro.

Também devem ser analisados os riscos cobertos, as exclusões, as franquias, os limites de indenização, os prazos e a documentação exigida pela seguradora.

Governo pode subsidiar parte do prêmio do seguro

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural reduz parte do custo da contratação para as atividades contempladas.

Conforme o Plano Trienal do PSR 2025–2027, o percentual geral de subvenção é de 40% do prêmio. Para a soja, a participação federal corresponde a 20%. O programa também estabelece limites financeiros por beneficiário.

A subvenção não significa que todos os prejuízos estarão cobertos. O apoio federal incide sobre o prêmio — valor pago pela contratação — enquanto a indenização depende das regras, coberturas e condições previstas na apólice.

Proteção pode preservar crédito e continuidade da produção

O seguro rural também pode reduzir os efeitos de uma perda sobre a capacidade de pagamento do produtor. Quando a atividade depende de financiamento, um evento climático ou patrimonial grave pode comprometer parcelas, investimentos e o custeio do ciclo seguinte.

“Uma perda não afeta apenas aquilo que foi produzido naquele momento. Dependendo do tamanho do prejuízo, ela pode reduzir a capacidade de pagamento, dificultar novos investimentos e comprometer a próxima safra”, afirma Alves.

Nesse contexto, a proteção da lavoura, do rebanho e das estruturas passa a integrar uma estratégia mais ampla de gestão. A escolha adequada do seguro pode ajudar a preservar o patrimônio, o acesso ao crédito e a continuidade da atividade rural após eventos adversos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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