Corte no seguro rural aumenta risco financeiro para produtores e exige revisão das apólices antes da safra 2026/27
Redução dos recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural reforça a importância do planejamento da gestão de riscos para evitar prejuízos em caso de perdas na produção
Publicado em: 20/07/2026 às 08:00hs
A redução dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) acende um alerta para os produtores brasileiros às vésperas da safra 2026/27. Com menos recursos públicos disponíveis para subsidiar a contratação de seguros, especialistas apontam que a revisão das apólices e da estratégia de proteção patrimonial passa a ser fundamental para reduzir a exposição financeira das propriedades rurais.
O governo promoveu um novo corte de R$ 56,3 milhões no orçamento do programa, após um bloqueio anterior de aproximadamente R$ 461,7 milhões em 2026. O cenário amplia a preocupação do setor agropecuário em um momento de maior demanda por crédito rural, custeio e proteção contra riscos climáticos e operacionais.
Área segurada encolhe e amplia preocupação no agronegócio
A redução dos recursos do PSR ocorre em um contexto de retração da cobertura securitária no campo.
Levantamento do Observatório do Crédito e do Seguro Rural, vinculado ao Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), mostra que a área segurada no Brasil caiu de aproximadamente 13,45 milhões de hectares em 2021 para cerca de 3,2 milhões de hectares em 2025.
Segundo o estudo, seriam necessários aproximadamente R$ 2,37 bilhões em subvenção para que o país retomasse, em 2026, o nível de cobertura observado quatro anos antes.
O cenário aumenta a necessidade de que produtores adotem uma gestão mais estratégica dos riscos da atividade agrícola.
Seguro rural deve fazer parte da gestão financeira da propriedade
Para Clara Mendes, Head de Seguros da Agree, fintech especializada em soluções financeiras para o agronegócio, possuir uma apólice contratada não significa, necessariamente, que a propriedade esteja adequadamente protegida.
Segundo a especialista, é indispensável avaliar se os bens segurados estão corretamente dimensionados e se as coberturas acompanham a realidade operacional da fazenda.
"Ter uma apólice contratada não significa, necessariamente, estar protegido. O ponto central é entender se os bens estão avaliados corretamente, se as coberturas refletem os riscos reais da propriedade e se há lacunas que podem comprometer a indenização em caso de sinistro."
Coberturas desatualizadas podem reduzir indenizações
Entre os principais problemas identificados pelos especialistas está a renovação automática das apólices, sem atualização do patrimônio da propriedade.
Máquinas agrícolas, silos, armazéns, benfeitorias e frotas frequentemente sofrem valorização ao longo do tempo. Quando esses ativos permanecem registrados com valores inferiores aos reais, o produtor pode enfrentar redução significativa da indenização em caso de sinistro.
Outro ponto de atenção é a chamada cláusula de rateio, aplicada quando o valor segurado é inferior ao valor efetivo do bem. Nessa situação, parte do prejuízo permanece sob responsabilidade do produtor, mesmo havendo seguro contratado.
Limite de indenização precisa acompanhar a evolução da propriedade
Especialistas também alertam para a necessidade de revisar o Limite Máximo de Indenização (LMI) das apólices.
Quando esse limite é estabelecido abaixo da exposição patrimonial da propriedade, áreas estratégicas podem permanecer parcialmente descobertas. Em outras situações, o produtor pode pagar por coberturas superiores às necessidades reais da operação.
A análise técnica também permite identificar oportunidades para reorganizar contratos, unificar apólices de máquinas e frotas e eliminar duplicidades que elevam os custos do seguro.
Diagnóstico preventivo fortalece a gestão de riscos no campo
Diante das incertezas relacionadas aos recursos do PSR, especialistas defendem que o produtor realize um diagnóstico completo antes de contratar ou renovar qualquer seguro rural.
Essa avaliação inclui:
- levantamento das áreas efetivamente protegidas;
- identificação de ativos descobertos;
- revisão dos valores segurados;
- análise das garantias vinculadas ao crédito rural;
- verificação de riscos capazes de comprometer o fluxo financeiro da safra.
Segundo Clara Mendes, o seguro precisa ser tratado como parte da estratégia financeira da propriedade, e não apenas como uma exigência para obtenção de financiamento.
"Em um ambiente de crédito mais seletivo, custos elevados e maior incerteza sobre subvenções, a proteção patrimonial precisa ser planejada com o mesmo cuidado dedicado ao financiamento da safra. O seguro não deve ser visto isoladamente, mas dentro de uma estratégia de continuidade da operação e preservação do capital do produtor."
Planejamento pode evitar prejuízos na safra 2026/27
Com a redução da participação do governo na subvenção ao seguro rural, cresce a importância da gestão preventiva dos riscos nas propriedades.
Além de aumentar a segurança patrimonial, a revisão das apólices permite corrigir falhas de cobertura, eliminar contratos redundantes e adequar os limites de indenização à realidade da operação agrícola.
Para especialistas, decisões baseadas em análise técnica contribuem para preservar o patrimônio do produtor e garantir maior estabilidade financeira diante dos desafios climáticos, operacionais e econômicos que devem marcar a próxima safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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