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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo de qualidade fica escasso e sustenta preços no Paraná e no Rio Grande do Sul

Baixa disponibilidade de lotes adequados à moagem, risco de novas chuvas e divergências entre compradores e vendedores reduzem a liquidez no mercado brasileiro


Publicado em: 11/09/2026 às 18:40hs

Trigo de qualidade fica escasso e sustenta preços no Paraná e no Rio Grande do Sul

O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com negociações pontuais, baixa liquidez e preços diferentes entre as regiões produtoras. No Paraná e no Rio Grande do Sul, a dificuldade para encontrar lotes com qualidade adequada à moagem tornou-se o principal fator de sustentação das cotações.

Segundo a Safras & Mercado, os agentes também acompanham as condições climáticas e o avanço da nova safra. No Paraná, as previsões de chuva mantêm as incertezas sobre a qualidade do cereal, enquanto, no mercado gaúcho, a baixa disponibilidade da safra velha amplia a diferença entre os valores pedidos pelos vendedores e as ofertas dos moinhos.

Mercado de trigo permanece travado no Paraná

As negociações avançaram lentamente no Paraná, com poucas ofertas disponíveis e compradores procurando trigo. Embora o tempo tenha aberto na segunda e na terça-feira, a previsão de novas chuvas até domingo aumentou a cautela entre produtores e indústrias.

Parte dos lotes já colhidos apresentou problemas relacionados a doenças, incluindo a brusone, o que reforçou a preocupação com a qualidade do trigo que chegará ao mercado nas próximas semanas.

No início da semana, a pressão de curto prazo no Norte paranaense esteve associada à falta de espaço nos armazéns. A safra recorde de milho segunda safra ocupou parcela relevante da capacidade disponível, levando alguns produtores a negociar para liberar estruturas.

Nesse cenário, agricultores com necessidade imediata de armazenagem ficaram com menor poder de negociação, enquanto moinhos capazes de receber o trigo diretamente da lavoura buscaram condições mais favoráveis de compra.

Escassez de trigo para moagem ganha força

Ao longo da semana, a necessidade de liberar armazéns perdeu relevância e passou a ser considerada um movimento pontual. A oferta restrita, especialmente de trigo com padrão industrial, consolidou-se como o principal entrave ao avanço dos negócios.

A avaliação dos analistas é de que os moinhos poderão precisar elevar suas propostas para estimular as vendas. Com produtores pouco dispostos a negociar nos níveis atuais, a disputa por lotes de melhor qualidade tende a oferecer sustentação às cotações.

Trigo chega a R$ 1.550 por tonelada no Paraná

No Norte do Paraná, negócios foram fechados próximos de R$ 1.500 por tonelada FOB, sem frete incluído, enquanto vendedores indicaram valores superiores.

Nos Campos Gerais, as propostas dos moinhos chegaram a R$ 1.550 por tonelada CIF, com o frete incluído. Esse valor equivale a uma faixa entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada FOB.

Para entrega imediata, as indicações ficaram ao redor de R$ 1.500 por tonelada CIF. Nos negócios futuros, porém, as referências recuaram para R$ 1.450 por tonelada em outubro e R$ 1.400 em novembro.

De acordo com Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, praticamente não existe interesse dos produtores em realizar vendas futuras nesses patamares. A postura reduz a disponibilidade antecipada e limita a formação de novos negócios.

Diferença de R$ 100 trava negociações no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a liquidez também permaneceu baixa devido à distância entre os valores oferecidos pelos compradores e os preços pretendidos pelos vendedores.

Os moinhos demonstraram interesse em torno de R$ 1.400 por tonelada, enquanto os vendedores pediram aproximadamente R$ 1.500. Segundo o analista Thiago Oleto, um possível ponto de equilíbrio estaria próximo de R$ 1.450 por tonelada, mas ainda não há disposição efetiva de ambas as partes para negociar nesse nível.

Preço do trigo gaúcho acumula alta de 39% em 2026

A referência FOB no interior do Rio Grande do Sul, ainda ligada à safra velha, avançou 5,7% na semana e 9,1% no mês. Desde o início de 2026, a valorização acumulada chegou a 39%, enquanto, na comparação anual, a alta foi de 14,3%.

O movimento reflete principalmente a menor disponibilidade de trigo no estado. A oferta limitada mantém os vendedores firmes e sustenta as cotações, mesmo diante do ritmo reduzido de negócios.

A influência da nova safra sobre o mercado gaúcho deverá ganhar força a partir de outubro, com a aproximação da colheita. Até lá, a escassez de lotes de qualidade, o comportamento das chuvas e a disposição dos moinhos para elevar as ofertas devem continuar orientando os preços do trigo no Sul do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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