Tarifa dos EUA de 25% ameaça exportações do agro do Paraná e gera críticas ao governo federal
Medida norte-americana atinge produtos agropecuários brasileiros e preocupa produtores paranaenses; FAEP alerta para impactos comerciais e cobra negociação para reduzir prejuízos ao setor
Publicado em: 23/07/2026 às 19:40hs
A nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros importados acendeu um alerta no agronegócio do Paraná. A medida, que entrou em vigor em julho, afeta cadeias importantes para o Estado, incluindo proteínas animais, frutas, lácteos, produtos florestais, couro e hortaliças.
O Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) avalia com preocupação os possíveis impactos da decisão norte-americana e critica a falta de avanços em negociações por parte do governo federal para tentar reverter ou minimizar os efeitos da medida.
Segundo a entidade, os Estados Unidos representam um mercado estratégico para o agronegócio paranaense, e a manutenção de relações comerciais equilibradas é fundamental para preservar oportunidades aos produtores rurais.
Agro do Paraná exportou US$ 301 milhões aos EUA no primeiro semestre
Entre janeiro e junho de 2026, o Paraná exportou aproximadamente US$ 301 milhões em produtos para os Estados Unidos, segundo dados apresentados pela FAEP.
Os principais segmentos embarcados no período foram:
- Produtos florestais: US$ 172 milhões;
- Couros: US$ 17 milhões;
- Complexo sucroalcooleiro: US$ 10,1 milhões.
Além desses setores, outras cadeias agropecuárias podem ser impactadas pela elevação tarifária, dependendo da abrangência da aplicação da medida sobre os produtos brasileiros.
Para a FAEP, o mercado norte-americano possui relevância estratégica para o Estado e exige uma atuação diplomática para evitar perda de competitividade.
“Os Estados Unidos são um importante parceiro comercial para o agro do Paraná. Precisamos que a relação siga forte, com negócios e operações que permitam que os produtos paranaenses entrem no mercado norte-americano”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
FAEP cobra reação do governo federal
A entidade afirma que a tarifa havia sido anunciada anteriormente e que o período até a entrada em vigor poderia ter sido utilizado para abertura de diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano.
Na avaliação da federação, a ausência de negociações aumentou a preocupação do setor produtivo sobre os impactos econômicos da medida.
“A nova tarifa foi anunciada há mais de 40 dias, e o governo federal não abriu um canal de negociação com os Estados Unidos. Poderia preservar nossos acordos comerciais e minimizar os impactos sobre quem trabalha no campo”, declarou Meneguette.
A FAEP também defende políticas públicas mais eficientes para apoiar o setor agropecuário diante de mudanças no comércio internacional e possíveis barreiras externas.
Entenda a origem da tarifa aplicada pelos Estados Unidos
A medida norte-americana teve origem em uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), dentro da chamada Seção 301, mecanismo utilizado pelo país para avaliar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos.
O relatório apresentado pelo órgão apontou uma série de questionamentos sobre políticas brasileiras, incluindo temas relacionados a:
- sistemas de pagamento digitais;
- combate à pirataria;
- regulamentações ambientais;
- fiscalização contra desmatamento ilegal.
Segundo o documento norte-americano, áreas de desmatamento ilegal poderiam estar relacionadas à expansão de atividades agropecuárias, criando uma possível vantagem competitiva considerada irregular para produtos brasileiros exportados.
Exportações brasileiras enfrentam novo cenário internacional
A aplicação da tarifa ocorre em um momento de maior atenção do agronegócio brasileiro ao ambiente externo, marcado por disputas comerciais, mudanças regulatórias e aumento das exigências dos mercados internacionais.
Para produtores e entidades do setor, a ampliação das barreiras comerciais pode afetar custos, contratos e competitividade das empresas exportadoras.
No Paraná, a preocupação está concentrada principalmente nas cadeias que possuem forte dependência do mercado internacional e que podem enfrentar redução da margem comercial caso a tarifa seja integralmente incorporada aos preços finais.
Setor produtivo busca alternativas para manter competitividade
Diante do novo cenário, representantes do agronegócio defendem maior articulação entre governo, entidades e empresas para buscar soluções diplomáticas e preservar o acesso aos mercados externos.
A expectativa é que novas negociações possam reduzir impactos sobre as exportações brasileiras e garantir a continuidade da participação dos produtos paranaenses no mercado norte-americano.
O episódio reforça a importância da diversificação de mercados, do fortalecimento das relações comerciais e da preparação do agronegócio brasileiro para um ambiente global cada vez mais competitivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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