Brasil e Estados Unidos retomam negociação sobre tarifas durante reunião do G20
Equipes dos dois países devem se encontrar nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, para avançar nas tratativas sobre sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros
Publicado em: 16/09/2026 às 11:15hs
Brasil e Estados Unidos voltarão a discutir as tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros durante a reunião ministerial de Comércio e Investimentos do G20. O encontro está previsto para os dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Milwaukee, nos Estados Unidos.
A retomada das negociações foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na segunda-feira (14). Segundo ele, representantes do governo brasileiro se reunirão com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O ministro não detalhou quais propostas serão apresentadas, mas informou que as equipes estão trocando documentos e organizando a agenda bilateral. O encontro de Milwaukee integra o calendário oficial da presidência norte-americana do G20.
Produtos do agronegócio estão entre os afetados pelas tarifas
Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) aplicou uma tarifa adicional de 25% a diferentes produtos importados do Brasil.
A medida alcançou segmentos como ferro e aço, vestuário, calçados, produtos farmacêuticos, máquinas elétricas e equipamentos agrícolas. No agronegócio, açúcar e etanol estão entre os produtos afetados.
O governo norte-americano alegou que determinadas práticas brasileiras prejudicavam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, empresas inovadoras e exportadores dos Estados Unidos.
Posteriormente, outra sobretaxa de 12,5% foi aplicada a um novo grupo de mercadorias brasileiras. Nesse caso, a justificativa apresentada foi a suposta insuficiência de mecanismos para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado no mercado brasileiro.
Diálogo bilateral foi retomado no fim de agosto
Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer já haviam realizado uma reunião virtual em 31 de agosto. A conversa marcou o início de uma nova etapa das negociações para revisar as barreiras comerciais.
Greer ocupa o cargo de representante comercial dos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, conforme informações oficiais do USTR.
O novo canal de diálogo foi aberto após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada em 21 de agosto.
De acordo com o Palácio do Planalto, o telefonema durou aproximadamente uma hora e 20 minutos e ocorreu de forma cordial. Os dois presidentes concordaram em ampliar as tratativas entre Brasília e Washington diante do aumento das tensões comerciais.
Reunião do G20 pode abrir caminho para revisão das sobretaxas
O encontro em Milwaukee será a primeira negociação presencial entre as equipes após a conversa virtual realizada no fim de agosto.
A expectativa é que os documentos trocados nas últimas semanas ajudem a organizar as reivindicações brasileiras e as exigências apresentadas pelo governo norte-americano.
Para o Brasil, a redução ou retirada das tarifas é considerada importante para recuperar a competitividade dos produtos atingidos no mercado dos Estados Unidos. As sobretaxas elevam o preço das mercadorias brasileiras e podem reduzir os volumes exportados.
No agronegócio, o impacto exige atenção principalmente dos segmentos de açúcar, etanol e máquinas agrícolas, que dependem de previsibilidade comercial para organizar produção, investimentos e contratos de exportação.
Negociação ocorre em meio a tensões no comércio internacional
A disputa entre Brasil e Estados Unidos acontece em um período de maior uso de tarifas como instrumento de política econômica e comercial.
Nesse ambiente, a reunião do G20 ganha relevância por reunir representantes das principais economias mundiais e abrir espaço para negociações bilaterais paralelas à programação oficial.
Embora ainda não haja indicação de um acordo, a confirmação do encontro mantém aberto o diálogo entre os dois governos. O avanço das tratativas dependerá da disposição das partes para rever as sobretaxas e negociar as questões comerciais apontadas por Washington.
Fonte: Portal do Agronegócio
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