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Milho e Sorgo

USDA reduz safra de milho dos EUA para 401,3 milhões de toneladas e colheita ganha foco

Produtividade do cereal volta a cair, enquanto soja tem produção maior e estoques menores; demanda chinesa e oferta recorde da Argentina devem influenciar o mercado nas próximas semanas


Publicado em: 16/09/2026 às 11:55hs

USDA reduz safra de milho dos EUA para 401,3 milhões de toneladas e colheita ganha foco

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu novamente suas projeções para a produtividade e a produção norte-americana de milho na safra 2026/27. Com o novo corte, a estimativa oficial aproximou-se do cenário mais conservador apresentado pelo Pro Farmer em agosto, embora ainda exista uma diferença de 11,8 milhões de toneladas entre os levantamentos.

Para a soja, o movimento foi diferente. O USDA elevou ligeiramente a previsão de produção dos Estados Unidos, mas também aumentou as exportações e reduziu os estoques finais. O resultado indica que a oferta adicional deverá ser absorvida pela demanda, mantendo o balanço norte-americano relativamente ajustado.

Com a colheita ganhando ritmo nos Estados Unidos, os números efetivamente obtidos no campo tornam-se decisivos para o mercado. Além da produtividade norte-americana, as compras da China, a oferta argentina e os conflitos internacionais devem influenciar as cotações e os prêmios de exportação nos próximos meses.

Produção de milho dos EUA cai para 401,3 milhões de toneladas

O USDA reduziu a produtividade média do milho norte-americano de 189 para 186,4 bushels por acre. Com o ajuste, a produção estimada caiu de 406,8 milhões para 401,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais dos Estados Unidos também foram revisados para baixo, passando de 42 milhões para 39,8 milhões de toneladas. A redução oferece algum suporte às cotações internacionais, mas o mercado ainda espera a confirmação dos resultados durante a colheita.

O levantamento realizado pelo Pro Farmer em agosto apresentou uma projeção mais baixa. A estimativa da consultoria ficou em 181,2 bushels por acre, com produção de 389,5 milhões de toneladas.

A diferença entre os dois levantamentos permanece em aproximadamente 11,8 milhões de toneladas. Esse intervalo mantém a atenção dos agentes sobre os dados de produtividade que serão divulgados à medida que as colheitadeiras avançarem pelas principais regiões produtoras.

“O USDA já começou a incorporar uma parte do que o Pro Farmer havia sinalizado em agosto, principalmente no milho. Ainda existe uma diferença importante entre as estimativas, e agora a colheita passa a ser fundamental para mostrar qual cenário está mais próximo da realidade”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.

Estoques globais de milho também são revisados para baixo

No mercado mundial, o USDA reduziu os estoques finais de milho da safra 2026/27 de 274,7 milhões para 272,1 milhões de toneladas.

A revisão indica menor disponibilidade global, mas seus efeitos sobre os preços dependerão do desempenho da safra norte-americana e do volume exportável de outros fornecedores.

A América do Sul terá papel importante nesse equilíbrio. A Argentina entra no mercado com uma safra recorde e ampla disponibilidade para exportação, aumentando a competição em destinos também atendidos pelo Brasil e pelos Estados Unidos.

Soja tem produção maior, mas estoques recuam

Na soja, o USDA elevou a estimativa de produção dos Estados Unidos para 123,4 milhões de toneladas, crescimento de 0,3% em relação ao relatório de agosto.

Mesmo com a revisão positiva da safra, os estoques finais foram reduzidos de 8,7 milhões para 8,4 milhões de toneladas. A principal explicação está no aumento da demanda externa.

A previsão para as exportações norte-americanas avançou de 45,2 milhões para 45,9 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico permanece elevado, impedindo que a maior produção resulte em crescimento dos estoques.

“O número da produção, sozinho, não conta toda a história da soja americana. As exportações foram revisadas para cima e isso ajuda a explicar por que os estoques finais caíram mesmo com uma safra maior. Daqui para frente, a execução dessa demanda será um dos pontos mais importantes para o mercado”, avalia Yedda.

Oferta e consumo mundial de soja ficam próximos

A produção mundial de soja na safra 2026/27 está estimada em aproximadamente 442,4 milhões de toneladas, volume praticamente equivalente à projeção global de consumo.

Os estoques finais permanecem próximos de 124 milhões de toneladas. Embora o volume global ofereça uma margem de abastecimento, sua distribuição entre os países e o ritmo de comercialização podem provocar oscilações nas cotações.

Nesse cenário, o mercado seguirá acompanhando as exportações dos Estados Unidos, o plantio da nova safra sul-americana e o comportamento da China, maior importadora mundial da oleaginosa.

China mantém projeção de importar 115 milhões de toneladas

O USDA manteve em 115 milhões de toneladas a estimativa para as importações chinesas de soja em 2026/27. O consumo do país foi projetado em 136 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais ficaram em 44,3 milhões.

Apesar da demanda elevada, os estoques nos portos chineses aumentaram nas últimas semanas, reduzindo a necessidade de compras mais agressivas no curto prazo.

A programação de desembarques deve perder força nos próximos meses. Ao mesmo tempo, pequenas e médias esmagadoras enfrentam margens mais apertadas, enquanto a soja brasileira permanece relativamente cara.

Parte das empresas chinesas já trabalha com a possibilidade de reduzir o esmagamento entre dezembro e fevereiro. Por isso, o momento das compras e a escolha da origem do produto terão influência direta sobre as cotações internacionais e os prêmios pagos nos portos brasileiros.

Argentina amplia concorrência com o milho brasileiro

O corte na safra norte-americana ocorre em um momento de maior oferta de milho na Argentina. A produção recorde aumenta a disponibilidade para exportação e mantém o cereal argentino competitivo em diferentes mercados.

A comercialização dos produtores do país também avançou, ampliando a presença da Argentina no comércio internacional.

Essa oferta representa um desafio para o milho brasileiro, principalmente nos destinos disputados pelos dois países. A proximidade logística pode aumentar a pressão sobre os portos brasileiros localizados mais perto do mercado argentino.

“O corte na produção americana dá algum suporte ao milho no mercado internacional, mas isso não significa necessariamente uma reação igual nos preços brasileiros. A oferta argentina continua forte e coloca uma pressão competitiva importante sobre o produto do Brasil”, explica Yedda.

Petróleo e conflitos adicionam volatilidade aos preços agrícolas

Além dos fundamentos de oferta e demanda, as tensões internacionais continuam interferindo no mercado de grãos.

No Oriente Médio, o petróleo é um dos principais fatores monitorados. Uma valorização da commodity pode aumentar a competitividade dos biocombustíveis e oferecer sustentação ao óleo de soja. Por outro lado, também pode elevar os custos do diesel, dos fretes e de parte dos insumos utilizados nas propriedades brasileiras.

No conflito entre Rússia e Ucrânia, o principal risco está relacionado ao fluxo das exportações agrícolas. O USDA elevou a produção ucraniana de milho para 31,8 milhões de toneladas, mas reduziu a previsão de embarques para 22 milhões. Os estoques finais do país foram projetados em 5,5 milhões de toneladas.

Ataques ou restrições envolvendo portos, navios e rotas marítimas podem alterar a disponibilidade do cereal e provocar novas oscilações nas bolsas internacionais.

Colheita norte-americana será decisiva para os preços

Os próximos dados de campo deverão indicar se a safra de milho dos Estados Unidos ficará mais próxima da projeção de 401,3 milhões de toneladas do USDA ou dos 389,5 milhões estimados pelo Pro Farmer.

“Agora o mercado precisa de confirmação. No milho, principalmente, a diferença entre as estimativas ainda é grande. A produtividade que vier da colheita americana, junto com o ritmo das compras da China e a oferta da América do Sul, vai ajudar a definir os próximos movimentos dos preços”, conclui Yedda.

Para o produtor brasileiro, o cenário reúne sinais opostos. A menor produção norte-americana e a redução dos estoques globais oferecem suporte ao milho, mas a oferta recorde da Argentina amplia a concorrência. Na soja, a demanda chinesa continua relevante, embora a maior seletividade das compras possa limitar os prêmios e aumentar a volatilidade no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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