Publicidade
Milho e Sorgo

Preço do milho tem baixa liquidez no Brasil e recua em Chicago com realização de lucros

Produtores restringem vendas no mercado físico, compradores priorizam reposições pontuais e contratos futuros oscilam entre perdas na CBOT e estabilidade na B3


Publicado em: 16/09/2026 às 11:20hs

Preço do milho tem baixa liquidez no Brasil e recua em Chicago com realização de lucros
Foto: CNA

O mercado de milho iniciou esta quarta-feira (16) com baixa liquidez no Brasil e recuo dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Enquanto produtores permanecem seletivos nas vendas e compradores concentram as aquisições nas necessidades imediatas, a realização de lucros por fundos e especuladores pressiona as cotações internacionais.

No mercado físico brasileiro, os preços encontram suporte na menor disposição dos vendedores para negociar e na demanda das indústrias. No entanto, a diferença entre os valores pedidos e as ofertas dos compradores limita o fechamento de novos negócios, especialmente nos estados do Sul.

Na Bolsa Brasileira, a B3, os contratos abriram próximos da estabilidade, com oscilações entre R$ 79,27 e R$ 81,76 por saca. O cenário reúne o encerramento da colheita da segunda safra, o avanço do plantio do milho de verão 2026/27 e as expectativas para a colheita norte-americana.

Milho recua em Chicago após ganhos recentes

Os contratos futuros do milho operavam em baixa na Bolsa de Chicago por volta das 9h32, no horário de Brasília. Todos os principais vencimentos registravam perdas de 1,50 ponto.

O contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 5,34 por bushel, enquanto março de 2027 valia US$ 5,48. O vencimento maio de 2027 era cotado a US$ 5,55 e julho de 2027 aparecia a US$ 5,58 por bushel.

Durante a madrugada, os contratos chegaram a encontrar sustentação diante da previsão de chuvas generalizadas no Meio-Oeste dos Estados Unidos. As precipitações podem atrasar temporariamente a colheita, mas a expectativa de retorno do tempo seco na próxima semana reduziu a preocupação do mercado.

Outro fator de pressão é o movimento de realização de lucros. Especuladores acumularam uma posição líquida comprada elevada e passaram a reduzir parte das apostas após a valorização recente.

Produtividade dos Estados Unidos segue no radar

Analistas continuam avaliando a possibilidade de redução nas estimativas de produtividade do milho norte-americano. A próxima atualização oficial do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, porém, será divulgada somente no próximo mês.

Sem novos dados oficiais no curto prazo, o mercado permanece mais vulnerável a ajustes técnicos e à movimentação dos fundos de investimento.

As condições climáticas durante a colheita e os primeiros resultados de produtividade deverão orientar o comportamento das cotações nas próximas semanas. Volumes abaixo do esperado podem renovar o suporte aos contratos, enquanto o avanço acelerado dos trabalhos tende a ampliar a pressão sazonal de oferta.

B3 abre com preços mistos para o milho

Na B3, os contratos futuros do milho apresentaram pequenas oscilações na abertura. Por volta das 9h42, as principais referências estavam entre R$ 79,27 e R$ 81,76 por saca.

O vencimento janeiro de 2027 era cotado a R$ 79,86, queda de 0,18%. Março de 2027 recuava 0,04%, para R$ 81,76 por saca.

Na direção oposta, maio de 2027 subia 0,01%, negociado a R$ 80,41, enquanto julho de 2027 avançava 0,08%, para R$ 79,27 por saca.

A estabilidade dos contratos brasileiros reflete o equilíbrio entre a oferta decorrente da segunda safra, a demanda interna e a resistência dos produtores em aceitar valores inferiores às suas expectativas.

Rio Grande do Sul tem milho entre R$ 60 e R$ 68

No Rio Grande do Sul, as indicações para o milho variam entre R$ 60 e R$ 68 por saca, conforme levantamento da TF Agroeconômica.

O preço médio estadual calculado pela Emater passou de R$ 61,09 para R$ 61,60 por saca, valorização semanal de 0,83%.

A semeadura da primeira safra 2026/27 alcançou 54% da área projetada. As condições climáticas favoreceram os trabalhos de campo, e o estabelecimento inicial das lavouras é considerado satisfatório.

A evolução do plantio aumenta a atenção sobre o regime de chuvas e as temperaturas durante as próximas etapas do desenvolvimento. No mercado, a pouca disposição dos produtores para vender ajuda a sustentar as referências.

Déficit de milho limita negociações em Santa Catarina

Em Santa Catarina, os vendedores indicam preços próximos de R$ 60 por saca, enquanto os compradores trabalham com ofertas ao redor de R$ 55. A diferença de aproximadamente R$ 5 entre as posições restringe a liquidez.

O estado apresenta elevada dependência do milho produzido em outras regiões. O consumo anual catarinense é estimado em 8,5 milhões de toneladas, enquanto a produção da safra 2025/26 alcançou 2,67 milhões de toneladas.

A diferença mantém o déficit estadual próximo de 6 milhões de toneladas, sustentado principalmente pela demanda das cadeias de aves e suínos.

O plantio da primeira safra 2026/27 chegou a 21,7% da área prevista. Mesmo com o avanço da semeadura, a necessidade estrutural de importação de milho de outros estados continua influenciando as negociações.

Paraná encerra colheita da segunda safra

No Paraná, as indicações de compra permanecem próximas de R$ 60 por saca, enquanto parte da demanda está posicionada ao redor de R$ 55, na modalidade CIF. A distância entre compradores e vendedores também reduz o volume negociado.

A colheita da segunda safra alcançou 93% da área cultivada, aproximando-se da conclusão. Paralelamente, a semeadura da primeira safra 2026/27 avançou para 34%.

As chuvas interromperam temporariamente as operações em algumas localidades, mas o desenvolvimento das lavouras implantadas é considerado positivo.

Com a segunda safra praticamente colhida, o mercado passa a acompanhar a disponibilidade dos produtores para comercializar os estoques e a evolução do milho de verão.

Bioenergia sustenta demanda em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 57 por saca. A atuação das indústrias de bioenergia segue aquecida e ajuda a absorver parte da oferta disponível.

A colheita da segunda safra chegou a 98% da área, com encerramento das operações nas principais regiões produtoras.

O avanço da produção de etanol de milho amplia a presença de uma demanda mais regular no estado, contribuindo para o escoamento da safra. Ainda assim, os compradores continuam seletivos e concentram as aquisições em reposições de curto prazo.

Baixa liquidez deve continuar no mercado de milho

O mercado brasileiro de milho deverá permanecer marcado por negociações pontuais enquanto persistir a diferença entre os valores pedidos pelos produtores e as ofertas dos compradores.

A menor disposição para vender sustenta os preços físicos, mas o volume disponível após a colheita da segunda safra impede movimentos mais consistentes de alta em algumas regiões.

No mercado internacional, clima, produtividade e ritmo da colheita dos Estados Unidos continuarão no centro das atenções. Na B3, além de Chicago, o comportamento do dólar e a demanda das indústrias de ração, carnes e biocombustíveis deverão definir a direção dos contratos futuros.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias