Mercado de frango enfrenta excesso de oferta no Brasil, mas exportações sustentam perspectivas para 2026
Produção elevada e maior disponibilidade interna pressionam os preços no mercado doméstico, enquanto exportações fortes, custos controlados e a competitividade frente à carne bovina mantêm um cenário favorável para a avicultura brasileira
Publicado em: 16/09/2026 às 12:00hs
O mercado de frango brasileiro atravessa um momento de equilíbrio delicado em 2026. De um lado, a elevada oferta doméstica limita a recuperação dos preços e comprime as margens da avicultura. De outro, as exportações seguem em ritmo robusto, os preços internacionais permanecem firmes e a carne de frango mantém vantagem competitiva em relação à carne bovina.
A análise consta do Agro Mensal de setembro de 2026, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta que o setor ainda reúne condições para uma forte expansão dos embarques ao longo do ano.
Oferta elevada limita recuperação do preço do frango
Em agosto, os preços da carne de frango permaneceram praticamente estáveis no mercado atacadista.
A ave inteira congelada em São Paulo registrou preço médio de R$ 7,19 por quilo, uma queda de 0,3% em relação a julho e de 1,2% na comparação com agosto de 2025.
O principal fator de pressão continua sendo a ampla disponibilidade de produto no mercado brasileiro.
Segundo o Itaú BBA, o crescimento da produção de carne de frango no primeiro semestre chegou a 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O aumento do peso médio das carcaças também contribuiu para ampliar a oferta, potencializando o crescimento dos abates.
Esse quadro dificulta uma recuperação mais consistente das cotações, mesmo com a carne de frango mantendo uma relação competitiva diante da carne bovina.
Abates continuam crescendo e ampliam disponibilidade interna
Os dados preliminares de julho reforçam a percepção de oferta elevada.
Os abates de frango aumentaram 4,4% em relação a julho de 2025. Com carcaças mais pesadas e exportações ainda fortes, a disponibilidade interna de carne ficou próxima de 9% acima do nível registrado no mesmo período do ano anterior.
Para o mercado doméstico, o aumento da oferta representa um desafio para a formação dos preços.
A demanda precisa crescer em ritmo suficiente para absorver esse volume adicional. Caso contrário, a pressão sobre as cotações e sobre as margens dos produtores tende a permanecer.
Exportações de carne de frango seguem como principal ponto positivo
Se o mercado interno apresenta dificuldades, o cenário externo oferece uma compensação importante para a cadeia avícola.
Em agosto, o Brasil exportou 480 mil toneladas de carne de frango. Embora o volume tenha recuado 5,1% em relação a julho, houve crescimento expressivo de 25,6% na comparação com agosto de 2025.
No acumulado de janeiro a agosto, os embarques brasileiros apresentaram crescimento de 17,1%.
O resultado mostra a recuperação das exportações após o impacto provocado, em 2025, pelas restrições impostas por diversos países em decorrência dos casos de gripe aviária no Brasil.
Preço de exportação do frango permanece firme
Além do aumento dos volumes embarcados, os preços de exportação também contribuem para melhorar a perspectiva do setor.
Em agosto, o preço médio de exportação da carne de frango estava 12,2% acima do registrado no mesmo mês de 2025.
Como consequência, o spread das exportações permaneceu em aproximadamente 46%, nível considerado historicamente atrativo e cerca de três pontos percentuais acima da média dos últimos cinco anos.
O resultado reflete a combinação entre preços externos firmes e um ambiente de custos ainda relativamente controlado.
Margem da avicultura recua no mercado brasileiro
Apesar do desempenho positivo das exportações, o mercado doméstico continua pressionando a rentabilidade da atividade.
O spread entre o preço da ave abatida no atacado e o custo de produção recuou para 32% em agosto, ante 36% um ano antes.
A queda evidencia uma compressão gradual das margens no mercado interno.
Na prática, o produtor enfrenta uma situação em que os custos permanecem relativamente favoráveis, mas os preços recebidos no mercado doméstico não avançam na mesma velocidade da produção.
Preço do frango começa setembro em recuperação
Apesar da estabilidade observada durante boa parte de agosto, as cotações começaram a reagir no início de setembro.
Na primeira semana do mês, os preços avançaram aproximadamente 4%, movimento semelhante ao observado em 2025.
A proximidade do período de maior consumo no final do ano pode contribuir para sustentar essa recuperação.
Outro fator favorável é a competitividade da carne de frango diante da carne bovina, que pode estimular a substituição entre proteínas e aumentar a procura pelo produto avícola.
Ainda assim, uma valorização mais consistente dependerá de uma redução da oferta doméstica ou de um crescimento ainda mais forte das exportações.
Carne de frango mantém vantagem competitiva frente à bovina
A relação de preços entre as diferentes proteínas continua sendo um dos fatores importantes para o mercado.
Com a carne bovina em níveis relativamente elevados, o frango permanece competitivo para o consumidor brasileiro.
Essa diferença pode favorecer a demanda doméstica especialmente durante o período de maior consumo no fim do ano.
Entretanto, a vantagem competitiva não elimina o efeito da oferta elevada. Para que os preços do frango tenham uma recuperação mais consistente, será necessário que a demanda absorva uma parcela maior do produto disponível.
Exportações devem continuar crescendo em 2026
Mesmo diante dos desafios no mercado doméstico, o Itaú BBA mantém uma perspectiva positiva para as exportações brasileiras de carne de frango em 2026.
A possível redução dos embarques para a União Europeia nos próximos meses é um ponto de atenção. Porém, a avaliação do relatório é de que o setor possui capacidade para redirecionar parte desse volume para outros mercados.
Dessa forma, a expectativa de forte expansão das exportações brasileiras permanece preservada.
Esse movimento é estratégico para o equilíbrio da cadeia, pois o aumento dos embarques externos ajuda a reduzir a pressão provocada pela elevada disponibilidade de carne no mercado brasileiro.
Milho e farelo de soja mantêm custos sob controle
Outro fator que favorece a avicultura é o ambiente atual de custos de alimentação.
A ampla disponibilidade interna de milho e farelo de soja continua proporcionando condições relativamente confortáveis para o setor no curto prazo.
Como esses dois produtos possuem peso relevante na composição dos custos da produção de frango, preços mais comportados dos grãos ajudam a preservar a rentabilidade da atividade, especialmente nas operações voltadas ao mercado externo.
El Niño aumenta risco para os custos da avicultura
Embora o cenário atual de custos seja favorável, o Itaú BBA alerta para um risco importante nos próximos ciclos.
A consolidação do El Niño aumentou as preocupações em relação à safra de verão e à safrinha de 2027. Eventuais problemas de produção podem provocar uma alta nos preços do milho e da soja e, consequentemente, elevar os custos de alimentação das aves.
Por isso, estratégias de gestão de risco ganham importância para proteger as margens da cadeia avícola diante de possíveis oscilações nos preços dos grãos.
Mercado de frango: quais fatores devem ser acompanhados?
Para os próximos meses, alguns indicadores serão fundamentais para determinar o comportamento dos preços e da rentabilidade da avicultura brasileira:
- Oferta doméstica: o crescimento da produção continuará pressionando os preços?
- Exportações: os embarques seguirão em ritmo suficiente para absorver parte do excedente?
- Preços internacionais: a manutenção das cotações externas favorece a rentabilidade das exportações.
- Consumo interno: a sazonalidade do final do ano pode estimular a demanda.
- Preço da carne bovina: a competitividade do frango pode aumentar diante de uma proteína bovina mais cara.
- Milho e farelo de soja: a disponibilidade dos grãos será decisiva para os custos.
- Clima: o avanço do El Niño aumenta a atenção sobre as próximas safras de grãos.
Perspectiva para a avicultura brasileira em 2026
O cenário traçado pelo Agro Mensal apresenta uma cadeia dividida entre dois ambientes.
No mercado doméstico, a oferta elevada continua sendo o principal obstáculo para uma recuperação mais forte dos preços e das margens.
No mercado internacional, entretanto, a situação é mais favorável. As exportações crescem, os preços externos permanecem firmes e o spread exportador continua em patamar atrativo.
Além disso, os custos de produção permanecem relativamente controlados graças à disponibilidade de milho e farelo de soja.
O principal risco para os próximos meses está na possibilidade de mudanças no cenário dos grãos provocadas pelo clima, especialmente diante do avanço do El Niño.
Conclusão
O mercado de frango brasileiro chega à reta final de 2026 com fundamentos distintos entre os mercados interno e externo.
A elevada produção e a ampla disponibilidade doméstica continuam limitando a valorização do frango e pressionando as margens. Ao mesmo tempo, as exportações apresentam desempenho robusto e ajudam a equilibrar a oferta.
Com a carne de frango competitiva diante da bovina e a aproximação do período de maior consumo no final do ano, existe espaço para alguma recuperação dos preços. Porém, uma alta mais consistente dependerá principalmente de uma moderação da oferta interna ou de um novo avanço das exportações.
No lado dos custos, o cenário permanece favorável no curto prazo, mas o clima adiciona uma variável de risco para 2027.
Assim, exportações, consumo doméstico, oferta de frango e preços do milho e do farelo de soja serão os principais fatores a determinar a rentabilidade da avicultura brasileira nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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