Soja sobe em Chicago com força do farelo, enquanto plantio avança de forma desigual no Brasil
Contratos futuros ganham até 10 pontos com apoio dos derivados e do clima nos Estados Unidos; mercado físico brasileiro mantém preços estáveis e Mato Grosso lidera vendas antecipadas
Publicado em: 16/09/2026 às 11:50hs
Os preços da soja avançaram na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (16), prolongando a valorização da sessão anterior. O movimento foi sustentado principalmente pelo farelo de soja, enquanto o mercado brasileiro iniciou a segunda quinzena de setembro com poucas alterações nas cotações e ritmos diferentes de plantio entre os estados.
Por volta das 7h40, no horário de Brasília, os contratos futuros da oleaginosa subiam entre 8,50 e 10 pontos. O vencimento novembro era negociado a US$ 13,28 por bushel, março alcançava US$ 13,52 e maio avançava para US$ 13,58 por bushel.
No Brasil, a comercialização permanece lenta em parte do Sul, com distância entre os valores oferecidos pelos compradores e os preços pretendidos pelos produtores. Ao mesmo tempo, chuvas atrasam a semeadura no Paraná, Mato Grosso do Sul inicia o plantio após o fim do vazio sanitário e Mato Grosso mantém ritmo elevado nas negociações antecipadas.
Farelo de soja sustenta alta em Chicago
O complexo soja permanece apoiado pelo desempenho dos derivados. Na sessão anterior, os contratos da oleaginosa fecharam com ganhos superiores a 1%, enquanto o farelo de soja avançou 2,58%, impulsionado pelos dados de processamento nos Estados Unidos.
O comportamento do farelo tem influência direta sobre as margens das indústrias esmagadoras e sobre a formação dos preços do grão. A continuidade dos ganhos do derivado reforçou o movimento positivo da soja nesta quarta-feira.
O óleo de soja apresentou comportamento menos uniforme. Os vencimentos mais próximos ainda registraram valorização, mas a realização de lucros após sucessivas altas limitou o avanço. O mercado também acompanha as tensões no Oriente Médio e os possíveis impactos sobre o fornecimento de energia, fator que pode influenciar a demanda por biocombustíveis.
Clima pode atrasar colheita nos Estados Unidos
As condições meteorológicas no Meio-Oeste norte-americano permanecem entre os principais fatores monitorados em Chicago. Chuvas persistentes em áreas produtoras podem atrasar a colheita da soja e do milho, acrescentando um componente de risco às cotações.
O mercado também acompanha a demanda internacional, especialmente as compras chinesas, e as expectativas para o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, previsto para os próximos dias em Washington.
Sinais de melhora nas relações comerciais entre Estados Unidos e China podem favorecer as exportações norte-americanas. Em sentido contrário, novos atritos entre os dois países podem deslocar parte da demanda para fornecedores sul-americanos.
Preço da soja permanece estável no Rio Grande do Sul
No mercado físico brasileiro, o levantamento referente a 15 de setembro indicou poucas mudanças nas referências de preços. No Rio Grande do Sul, a diferença entre as ofertas dos compradores e a disposição de venda dos produtores continuou limitando os negócios.
Sem novas referências estaduais, a soja permaneceu cotada a R$ 163 por saca em Rio Grande. Em Ijuí e Cruz Alta, o valor ficou em R$ 153; em Passo Fundo, em R$ 155; e, em Santa Rosa, em R$ 154 por saca.
Também não houve atualização oficial sobre o avanço do plantio da safra 2026/27 no estado.
Agroindústrias elevam disputa pela soja em Santa Catarina
Em Santa Catarina, o mercado também ficou sem nova formação nominal de preços. A saca foi mantida em R$ 162 em São Francisco do Sul, R$ 139,50 em Palma Sola e R$ 140 em Rio do Sul.
Apesar da estabilidade das referências, produtores relataram propostas mais agressivas de compradores locais. O movimento está relacionado à necessidade de abastecimento das agroindústrias instaladas no estado, que dependem da oferta regional para manter suas operações.
Chuvas atrasam plantio da soja no Paraná
No Paraná, o excesso de umidade reduziu o ritmo da semeadura em algumas regiões. Em Pato Branco, o plantio estava entre 10% e 15% da área prevista, abaixo dos aproximadamente 35% esperados para o período.
O atraso aumenta a atenção sobre a janela operacional da soja e sobre o calendário das culturas que serão implantadas na sequência. Caso as condições desfavoráveis persistam, o produtor poderá ter menos tempo disponível para o cultivo posterior.
Mato Grosso do Sul inicia semeadura comercial
Mato Grosso do Sul encerrou o período de vazio sanitário, permitindo o início da semeadura comercial da soja a partir desta quarta-feira (16).
O vazio sanitário é adotado para reduzir a presença de plantas vivas de soja durante determinado período e auxiliar no controle da ferrugem-asiática, uma das principais doenças da cultura. Com o término da restrição, o avanço das máquinas dependerá das condições de umidade em cada região produtora.
Mato Grosso antecipa venda de quase 40% da nova safra
Mato Grosso se destaca pelo avanço da comercialização. Segundo os dados apresentados, 96,90% da safra 2025/26 já estava negociada, enquanto 39,12% da produção prevista para 2026/27 havia sido vendida antecipadamente.
A projeção estadual considera uma área de 13,05 milhões de hectares e produção de 48,88 milhões de toneladas.
O elevado volume de vendas futuras indica maior disposição dos produtores mato-grossenses para proteger margens e reduzir riscos diante das oscilações do dólar, dos custos de produção e dos preços internacionais.
Derivados, China e clima seguem no radar da soja
Nas próximas sessões, o mercado da soja deverá continuar acompanhando o desempenho do farelo e do óleo, o avanço da colheita norte-americana, o comportamento da demanda chinesa e as relações comerciais entre Pequim e Washington.
No Brasil, além das oscilações em Chicago e do câmbio, o ritmo da semeadura e as condições climáticas serão decisivos para a formação dos preços e para o avanço da comercialização da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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