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Logística e Transporte

Frete rodoviário sobe para R$ 8,72 por km mesmo com queda do diesel em agosto

Índice avança 1,04% sob efeito da nova Lei do Frete Mínimo e da demanda gerada pela reta final da colheita do milho safrinha


Publicado em: 16/09/2026 às 11:45hs

Frete rodoviário sobe para R$ 8,72 por km mesmo com queda do diesel em agosto

O preço médio do frete rodoviário no Brasil avançou 1,04% em agosto, mesmo com a continuidade da queda do diesel nos postos. O valor médio passou de R$ 8,63 por quilômetro em julho para R$ 8,72 no mês seguinte.

Os dados são da edição mais recente do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), calculado com informações da plataforma Repom.

O resultado mostra que a redução dos combustíveis, um dos principais componentes dos custos do transporte de cargas, não foi suficiente para conter a valorização do frete. A alta foi influenciada principalmente pelas novas regras do piso mínimo e pelo aumento sazonal da demanda do agronegócio.

Diesel recua pelo quarto mês consecutivo

Os combustíveis ficaram mais baratos em agosto pelo quarto mês seguido, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL).

O preço médio do diesel comum caiu 1,17% e chegou a R$ 6,70 por litro. O diesel S-10 registrou redução de 0,70%, encerrando o mês cotado, em média, a R$ 7,05 por litro.

Em condições normais, a queda do combustível tende a aliviar as despesas operacionais e reduzir a pressão sobre o valor cobrado pelo transporte. Em agosto, entretanto, fatores regulatórios e sazonais tiveram maior influência sobre o mercado.

Lei do Frete Mínimo amplia fiscalização

A entrada em vigor da Lei nº 15.485/2026, conhecida como Lei do Frete Mínimo, reforçou a obrigatoriedade de cumprimento dos pisos estabelecidos para o transporte rodoviário de cargas.

Com a nova legislação, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passou a fiscalizar de maneira mais abrangente a aplicação do piso e a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em praticamente todas as modalidades.

A necessidade de adequação às novas exigências e o aumento dos mecanismos de controle contribuíram para elevar os valores praticados no mercado, mesmo diante da redução do diesel.

Colheita do milho aumenta demanda por transporte

A movimentação da segunda safra de milho também pressionou os preços dos fretes. Com a colheita entrando na reta final, a procura por caminhões aumentou nas principais regiões produtoras.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), enquanto a retirada do milho safrinha avança para a conclusão, o plantio da safra de verão 2026/27 já começou no Sul do Brasil.

As cotações do cereal permanecem sustentadas em grande parte das regiões produtoras. Esse cenário, combinado à necessidade de escoamento dos volumes colhidos, pode manter aquecida a demanda por transporte rodoviário.

Na direção contrária, indústria e construção civil apresentaram menor movimentação em agosto, limitando parcialmente a pressão sobre o mercado de cargas.

Frete pode continuar elevado em setembro

A expectativa é de que os custos do transporte permaneçam firmes em setembro. O setor acompanha o comportamento dos preços do milho, a evolução das operações agrícolas e as condições climáticas para a safra 2026/27.

As incertezas relacionadas aos possíveis efeitos do El Niño também entram no radar, uma vez que alterações no calendário de plantio, colheita e comercialização podem modificar a demanda regional por caminhões.

“Agosto registrou um cenário em que a queda dos preços dos combustíveis nas bombas não foi suficiente para conter a alta do frete. O movimento foi influenciado, principalmente, pelo novo marco regulatório, que reforçou a fiscalização do cumprimento do piso mínimo pela ANTT e os mecanismos de controle das operações, além das demandas sazonais do agronegócio”, explica Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade.

Segundo o executivo, o mercado deverá continuar atento às cotações do milho e ao clima, fatores que podem manter o frete rodoviário em níveis elevados ao longo de setembro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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