Safra de algodão supera 4,1 milhões de toneladas e Bahia pode atingir produção recorde
País inicia temporada comercial 2026/27 com perspectivas positivas para as exportações, mas oferta elevada amplia a necessidade de conquistar mercados e reforçar a logística de escoamento
Publicado em: 16/09/2026 às 11:40hs
A produção brasileira de algodão deve superar novamente 4,1 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26, consolidando o país entre os principais fornecedores do mercado internacional. Na Bahia, segundo maior produtor nacional, o avanço da colheita indica a possibilidade de uma safra histórica, próxima ou superior a 1 milhão de toneladas.
O aumento da oferta fortalece as perspectivas para as exportações brasileiras de algodão, mas também amplia os desafios comerciais e logísticos. Com volumes elevados disponíveis, o setor trabalha para diversificar destinos, expandir o consumo doméstico e criar novas alternativas de escoamento pelos portos nacionais.
As projeções foram apresentadas durante a 84ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, realizada em Brasília.
Produção brasileira de algodão supera 4,1 milhões de toneladas
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) estima uma produção de 4,144 milhões de toneladas de pluma na safra 2025/26. A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), por sua vez, trabalha com um volume ligeiramente maior, de 4,178 milhões de toneladas.
A área cultivada no país foi estimada em aproximadamente 1,99 milhão de hectares, abaixo dos 2,17 milhões de hectares registrados no ciclo anterior. Mesmo com a retração, o avanço da produtividade deve compensar grande parte da redução e manter a produção brasileira próxima dos maiores volumes da história.
O cenário reforça a competitividade do algodão brasileiro no comércio internacional, mas aumenta a necessidade de garantir demanda suficiente para absorver a oferta.
Exportações somam 261 mil toneladas no início da temporada
Nos dois primeiros meses da temporada comercial 2026/27, o Brasil exportou 261 mil toneladas de algodão. Foram embarcadas 155 mil toneladas em julho e outras 106 mil toneladas em agosto.
Mesmo com o atraso na entrada da nova safra, o volume ficou apenas 18 mil toneladas abaixo do melhor resultado já registrado para o período. A expectativa da Anea é de aceleração dos embarques a partir de outubro, conforme mais algodão beneficiado chegar ao mercado.
A demanda internacional, entretanto, apresenta mudanças importantes. A China mantém importações mais limitadas, enquanto países como Bangladesh, Vietnã, Turquia, Paquistão, Índia e Egito ganham relevância entre os destinos da fibra brasileira.
Além do comportamento dos compradores, o mercado acompanha as negociações comerciais, os juros internacionais, as tensões geopolíticas e os incentivos concedidos ao algodão produzido nos Estados Unidos.
Bahia pode superar 1 milhão de toneladas de algodão
Na Bahia, cerca de 80% da área cultivada já havia sido colhida. O estado plantou aproximadamente 417,9 mil hectares na temporada 2025/26 e apresenta rendimento superior à média brasileira.
A produtividade está estimada em 2.360 quilos de pluma por hectare, ante uma média nacional projetada em 2.076 quilos. Caso o desempenho seja mantido ou avance nas áreas restantes, a produção baiana poderá superar 1 milhão de toneladas pela primeira vez.
“As expectativas são boas e tudo indica que vamos consolidar a melhor safra da nossa história”, afirmou a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto.
A produtividade média das áreas irrigadas e de sequeiro está próxima de 375 arrobas por hectare, equivalentes a 2.362 quilos de pluma. Até o encerramento da colheita, a entidade avalia que o rendimento pode chegar a 380 arrobas, ou 2.394 quilos de pluma por hectare.
Lavouras irrigadas apresentam recuperação
No início da colheita, algumas áreas irrigadas da Bahia apresentavam produtividade inferior à observada nas lavouras de sequeiro. De acordo com a Abapa, a diferença estava relacionada às condições climáticas enfrentadas durante as primeiras etapas do ciclo.
Com o avanço dos trabalhos sobre novas áreas, o cenário começou a mudar. As lavouras irrigadas colhidas mais recentemente passaram a apresentar resultados melhores, reduzindo a diferença em relação às áreas conduzidas sem irrigação.
“Foi, de certa forma, uma surpresa, mas isso esteve relacionado às condições climáticas do início do ciclo. Agora, as lavouras irrigadas que estão entrando na colheita vêm apresentando resultados melhores e essa diferença está se equalizando”, explicou Alessandra.
Logística vira desafio para o algodão brasileiro
A combinação entre produção elevada no Brasil e safra recorde na Bahia aumenta a pressão sobre a estrutura de armazenamento, transporte e embarque.
Para reduzir a dependência do Porto de Santos, a Abapa trabalha para ampliar a participação do Porto de Salvador nas exportações do algodão produzido no estado. A estratégia busca encurtar a distância entre as propriedades e o terminal, reduzir custos e aliviar a concentração dos embarques no porto paulista.
“Teremos muito algodão entrando e precisamos garantir capacidade para escoar essa produção. Temos feito um trabalho incansável para aumentar a saída pelo Porto de Salvador. Isso ajuda a desafogar Santos e, para a Bahia, faz muito mais sentido do ponto de vista logístico”, destacou a presidente da Abapa.
O volume de algodão baiano embarcado por Salvador vem crescendo, mas a entidade considera necessário avançar nos investimentos em infraestrutura e ampliar a participação das tradings para consolidar o terminal como alternativa para o setor.
Setor busca novos mercados e maior consumo interno
Além das exportações, a cadeia produtiva procura recuperar o consumo de algodão no mercado doméstico. A fibra natural enfrenta concorrência crescente dos materiais sintéticos, enquanto a indústria têxtil brasileira convive com retração da produção e aumento das importações de vestuário.
Abrapa e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) trabalham com a meta de elevar o consumo nacional para aproximadamente 1 milhão de toneladas de algodão e ampliar o processamento da matéria-prima no país.
Com produção acima de 4,1 milhões de toneladas, o desempenho da temporada dependerá não apenas da produtividade no campo, mas também da capacidade de ampliar mercados, fortalecer a indústria nacional e garantir eficiência logística para escoar a safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias