Publicidade
Governo

Brasil avalia retaliar União Europeia por embargo a carnes e produtos de origem animal

Governo brasileiro cobra solução rápida para restrições que atingem US$ 1,84 bilhão em exportações e admite adotar medidas de reciprocidade caso as negociações com o bloco europeu não avancem


Publicado em: 04/09/2026 às 11:05hs

Brasil avalia retaliar União Europeia por embargo a carnes e produtos de origem animal

O Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade contra a União Europeia caso as negociações para suspender o embargo a produtos brasileiros de origem animal não avancem de forma satisfatória. O posicionamento foi divulgado nesta quinta-feira em comunicado conjunto dos ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Exteriores.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que começaram a vigorar as restrições europeias. A medida afeta principalmente as exportações brasileiras de carnes, além de outros produtos de origem animal, e alcança um fluxo comercial que movimentou aproximadamente US$ 1,84 bilhão em 2025.

União Europeia exige garantias sobre uso de antimicrobianos

Segundo a Comissão Europeia, a suspensão das importações está relacionada à necessidade de garantias oficiais sobre a ausência de determinadas substâncias antimicrobianas no sistema produtivo brasileiro.

O governo federal manifestou “profunda preocupação” com o início da aplicação das restrições e informou que mantém contato permanente com autoridades europeias e representantes dos setores produtivos afetados.

O objetivo das tratativas, de acordo com a nota conjunta, é restabelecer a previsibilidade das operações e assegurar a continuidade do comércio de produtos brasileiros com o mercado europeu.

Brasil admite aplicar medidas de reciprocidade comercial

Apesar de priorizar a negociação diplomática, o governo brasileiro indicou que poderá reagir caso não seja alcançada uma solução em prazo considerado adequado.

Entre as possibilidades estão instrumentos previstos na legislação nacional, medidas de reciprocidade comercial e mecanismos disponíveis no sistema multilateral de comércio.

O Brasil também poderá recorrer às disposições do Acordo Mercosul-União Europeia, especialmente diante dos impactos das restrições sobre produtos contemplados nas negociações entre os dois blocos.

Embargo ameaça ganhos do acordo Mercosul-União Europeia

No comunicado, o governo destacou que parte dos produtos agora atingidos pelo embargo recebeu cotas de importação e reduções tarifárias no Acordo Mercosul-União Europeia.

Na avaliação brasileira, a exclusão dessas mercadorias do mercado europeu reduz os benefícios comerciais conquistados durante as negociações e compromete parcela relevante dos ganhos esperados com o acordo.

A posição reforça a pressão para que as exigências sanitárias sejam discutidas de maneira técnica, transparente e compatível com os compromissos assumidos entre o Mercosul e a União Europeia.

Restrições afetam principalmente exportações brasileiras de carnes

As carnes estão entre os produtos mais impactados pela decisão europeia. O embargo também alcança outros itens de origem animal exportados pelo Brasil, ampliando a preocupação entre frigoríficos, produtores rurais e entidades representativas do agronegócio.

Além das perdas imediatas de receita, o setor acompanha os possíveis reflexos sobre contratos, logística, competitividade e acesso ao mercado europeu.

O desfecho das negociações será determinante para definir se o fluxo comercial poderá ser retomado ou se o Brasil avançará com medidas formais de reciprocidade contra produtos da União Europeia.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias