Publicidade
Etanol

Be8 investe R$ 1,5 bilhão em planta de etanol de cereais e garante compra da produção de parceiros

Unidade multicereais em Passo Fundo deverá ampliar a demanda por trigo no Rio Grande do Sul, apoiar o planejamento das lavouras e transformar grãos em energia, alimentos e nutrição animal


Publicado em: 04/09/2026 às 11:35hs

Be8 investe R$ 1,5 bilhão em planta de etanol de cereais e garante compra da produção de parceiros

A Be8 apresentou um novo modelo de integração para fortalecer a cadeia produtiva do trigo e de outros cereais no Rio Grande do Sul. A iniciativa combina uma planta multicereais, planejamento conjunto das culturas e garantia de compra de 100% da produção dos agricultores parceiros.

Com investimento previsto de R$ 1,5 bilhão, a unidade industrial está sendo construída em Passo Fundo (RS) e terá capacidade para transformar diferentes cereais em etanol, ingredientes alimentícios e coprodutos destinados à nutrição animal.

O projeto foi detalhado durante a Noite dos Cereais, realizada na quarta-feira (2), na Casa Be8, dentro da programação da Expointer. O encontro reuniu produtores rurais, representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), lideranças do agronegócio e especialistas.

Projeto cria nova demanda para o trigo gaúcho

Uma das prioridades da futura unidade será ampliar a demanda pelo trigo produzido no Rio Grande do Sul. A proposta busca oferecer uma nova alternativa comercial para uma cultura que, em determinados ciclos, enfrenta dificuldades de rentabilidade e menor atratividade para os agricultores.

Além dos mercados tradicionais de panificação e alimentação animal, o avanço dos biocombustíveis abre uma nova frente para o cereal. A utilização do trigo na produção de etanol poderá ajudar a diversificar a demanda, agregar valor aos grãos e reduzir a dependência de poucos canais de comercialização.

Por ser multicereal, a planta também poderá processar outras matérias-primas. Essa flexibilidade permitirá adequar a operação à disponibilidade dos grãos e aos sistemas produtivos desenvolvidos nas propriedades ao longo do ano.

Be8 garante compra de 100% da produção dos parceiros

O modelo prevê a aquisição integral da produção dos agricultores participantes, oferecendo maior previsibilidade comercial e segurança para o planejamento das lavouras.

Segundo o presidente da Be8, Erasmo Carlos Battistella, a proposta vai além da compra dos cereais. A companhia pretende atuar ao lado dos produtores na gestão da produção, na escolha das culturas e na definição das melhores estratégias de rotação.

A meta é aproveitar o potencial de cada área, elevar a produtividade e ampliar a rentabilidade por hectare. Com mercado previamente estruturado, os produtores poderão tomar decisões com maior segurança e planejar o conjunto das atividades agrícolas, em vez de avaliar cada cultura isoladamente.

Planejamento integrado reúne trigo, soja e outros cultivos

A iniciativa considera o resultado econômico anual da propriedade, incluindo a combinação entre trigo, soja e outros cereais. O objetivo é tornar a rotação de culturas mais eficiente do ponto de vista agronômico e financeiro.

Esse planejamento poderá contribuir para melhorar o aproveitamento do solo, diluir custos fixos, diversificar as fontes de receita e reduzir os riscos associados à dependência de uma única cultura.

A estratégia também favorece a ocupação produtiva das áreas durante o inverno, período em que parte das propriedades gaúchas permanece com menor utilização ou encontra dificuldades para tornar o cultivo de cereais economicamente viável.

Para a Be8, a sustentabilidade da planta industrial dependerá da construção de uma relação duradoura com os produtores. A unidade multicereais permitirá analisar o sistema produtivo como um todo, considerando as culturas que oferecem os melhores resultados para cada propriedade.

Farsul destaca impacto dos biocombustíveis no campo

A Farsul apoia o projeto e deverá contribuir para aproximar a iniciativa dos produtores e das entidades representativas do agronegócio gaúcho.

De acordo com o presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, o incentivo ao trigo e aos cereais de inverno representa uma estratégia de sustentabilidade econômica para o produtor, indo além da simples ocupação do solo na entressafra.

Na avaliação da entidade, o fortalecimento do biodiesel e a expansão do etanol de cereais criam oportunidades para integrar a produção de grãos à matriz energética de baixo carbono. Esse movimento pode gerar valor dentro das propriedades, ampliar a estabilidade financeira e posicionar o Rio Grande do Sul entre os protagonistas da transição energética.

Unidade produzirá etanol, glúten vital e nutrição animal

A planta multicereais de Passo Fundo deverá conectar a agricultura gaúcha a diferentes mercados. Além do etanol, o complexo industrial produzirá glúten vital e coprodutos voltados à alimentação animal.

O aproveitamento industrial dos componentes dos grãos deverá aumentar o valor agregado da produção agrícola e estimular novas atividades econômicas na região.

A expectativa é de que o empreendimento contribua para a geração de empregos, renda e desenvolvimento regional, ao mesmo tempo que amplia a participação do agronegócio na produção de energia renovável.

Sistema trigo-soja deve ser avaliado pelo resultado anual

Durante a Noite dos Cereais, o economista Antonio da Luz apresentou uma análise econômica do sistema trigo-soja. A abordagem destacou a importância de avaliar a rentabilidade global da propriedade ao longo do ciclo produtivo.

Essa visão considera não apenas o resultado individual de cada cultura, mas também os efeitos da rotação, do melhor aproveitamento da área e da diluição de custos sobre o desempenho econômico anual.

O conceito está alinhado ao modelo proposto pela Be8, que pretende integrar produção agrícola, garantia de mercado e industrialização. Com a nova planta, o trigo poderá ganhar maior relevância nos sistemas de cultivo gaúchos e ocupar espaço estratégico na produção de biocombustíveis, alimentos e ingredientes para nutrição animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias