Preço do milho resiste no Brasil e futuros avançam em Chicago com guerra e clima no radar
Vendas cautelosas sustentam as cotações no mercado interno, enquanto tensões entre Rússia e Ucrânia e calor no Meio-Oeste dos Estados Unidos influenciam a Bolsa de Chicago
Publicado em: 04/09/2026 às 11:40hs
O mercado do milho segue sustentado nas principais regiões produtoras do Sul do Brasil e em Mato Grosso do Sul. A postura mais seletiva dos vendedores, a necessidade pontual de reposição das indústrias e a demanda do setor de bioenergia reduzem a pressão sobre os preços, embora o ritmo de comercialização permaneça moderado.
No mercado internacional, os contratos futuros do cereal voltaram a subir nesta sexta-feira (4) na Bolsa de Chicago (CBOT). As atenções estão concentradas nas condições climáticas dos Estados Unidos e nos possíveis desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Oferta controlada limita negócios e sustenta preços do milho
Segundo informações da TF Agroeconômica, produtores têm demonstrado menor disposição para negociar nos atuais patamares. Do outro lado, compradores mantêm cautela e realizam aquisições apenas para atender às necessidades mais imediatas.
Esse comportamento reduz a liquidez, mas ajuda a sustentar as cotações mesmo com o avanço do plantio da safra 2026/27 e a reta final da colheita da segunda safra em importantes estados produtores.
Milho varia de R$ 59 a R$ 70 por saca no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as indicações de preços oscilam entre R$ 59 e R$ 70 por saca, dependendo da região, das condições de pagamento e da localização da mercadoria.
O levantamento da Emater aponta que o preço médio estadual avançou 1,43% na semana, alcançando R$ 61,09 por saca.
Ao mesmo tempo, o plantio do milho da safra 2026/27 ganhou ritmo após a melhora das condições nas lavouras. A área destinada ao cereal está estimada em 896,4 mil hectares, crescimento de 7,42% em relação ao ciclo anterior. Caso as projeções se confirmem, a produção gaúcha poderá alcançar 6,91 milhões de toneladas.
Déficit de milho mantém Santa Catarina dependente de outros estados
Em Santa Catarina, as referências de venda permanecem próximas de R$ 60 por saca, enquanto os compradores indicam valores ao redor de R$ 55. A distância entre as posições de compra e venda restringe a realização de novos negócios.
O elevado déficit estadual continua sendo um importante fator de suporte ao mercado. Santa Catarina consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, impulsionada principalmente pelas cadeias de aves e suínos.
Na safra 2025/26, a produção catarinense foi estimada em 2,67 milhões de toneladas. Com isso, o déficit se aproxima de 6 milhões de toneladas, mantendo o estado dependente do milho transportado de outras regiões brasileiras e importado do Paraguai.
Paraná avança na colheita da safrinha e no plantio de verão
No Paraná, as indicações de compra também se concentram ao redor de R$ 60 por saca. A comercialização ocorre de maneira pontual, com produtores avaliando as condições de mercado antes de ampliar as vendas.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a colheita da segunda safra chegou a 89% da área cultivada. Paralelamente, o plantio do milho da primeira safra 2026/27 alcançou 18% dos 373 mil hectares projetados para o estado.
O andamento das operações de campo e o comportamento dos vendedores devem continuar influenciando a disponibilidade do cereal nas próximas semanas.
Bioenergia reforça demanda por milho em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 54 e R$ 57 por saca. A firmeza dos produtores e as compras realizadas pelas indústrias de bioenergia ajudam a limitar possíveis recuos nas cotações.
Apesar desse suporte, a negociação continua concentrada em lotes pontuais, refletindo a cautela dos compradores e a expectativa dos vendedores por condições comerciais mais favoráveis.
Futuros do milho retomam alta na Bolsa de Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do milho iniciaram a sexta-feira em terreno positivo, recuperando parte das perdas observadas após movimentos recentes de realização de lucros.
Por volta das 8h56, no horário de Brasília, o contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 5,42 por bushel, com alta de 1,75 ponto. Março de 2027 avançava 1,50 ponto, para US$ 5,57 por bushel.
O vencimento maio de 2027 subia 2 pontos, cotado a US$ 5,65 por bushel, enquanto julho de 2027 registrava valorização de 1,75 ponto, a US$ 5,67 por bushel.
Guerra entre Rússia e Ucrânia segue no radar dos investidores
O mercado internacional acompanha as novas declarações relacionadas à guerra entre Rússia e Ucrânia, conflito que afeta diretamente o comércio mundial de grãos e a logística na região do Mar Negro.
Na quinta-feira (3), o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que poderia existir um caminho para uma solução do conflito iniciado em fevereiro de 2022. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, também indicou a possibilidade de uma nova dinâmica nas negociações.
Mesmo diante das sinalizações, os investidores mantêm cautela. Rússia e Ucrânia ocupam posições relevantes no mercado global de grãos, e qualquer mudança no fluxo de exportações pode provocar oscilações nos preços internacionais do milho, do trigo e de outras commodities agrícolas.
Calor nos Estados Unidos amplia atenção sobre as lavouras
As condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos também contribuem para a valorização dos futuros. A persistência de temperaturas elevadas em algumas áreas produtoras aumenta a preocupação com o desenvolvimento das lavouras e o potencial produtivo da safra norte-americana.
Com isso, o mercado do milho entra em um período de maior sensibilidade às previsões meteorológicas, às estimativas de produção e às notícias geopolíticas.
No Brasil, a combinação entre vendas cautelosas, demanda regional e custos logísticos deverá continuar orientando os preços. No exterior, clima e guerra permanecem como os principais fatores de volatilidade na Bolsa de Chicago.
Fonte: Portal do Agronegócio
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