Agroexportadores: projeto com alívio tributário e dívidas em até 120 meses avança na Câmara
Proposta aprovada na Comissão de Agricultura prevê benefícios por 24 meses, crédito com juros equalizados e descontos sobre multas e juros; texto ainda será analisado por outras duas comissões
Publicado em: 06/11/2026 às 09:00hs
A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (4), uma proposta que reúne incentivos fiscais, condições especiais de crédito e renegociação de dívidas para empresas agroexportadoras. O objetivo é reduzir os impactos das barreiras comerciais e do encarecimento de insumos e serviços sobre a competitividade do agronegócio brasileiro.
O texto aprovado é o substitutivo do deputado Rafael Pezenti (MDB-SC) ao Projeto de Lei 3.989/2025, de autoria do deputado Lucas Ramos (PSB-PE). A proposta ainda depende de análise nas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Portanto, os benefícios previstos ainda não estão em vigor.
Programa prevê redução de tributos por 24 meses
O substitutivo mantém a criação do Programa Emergencial de Retomada do Setor Agroexportador (PERAGRO). A iniciativa contempla empresas agropecuárias e agroindustriais classificadas pela Receita Federal como preponderantemente exportadoras.
Conforme os critérios estabelecidos no projeto, o programa prevê a redução a zero, durante 24 meses, das alíquotas de PIS/Pasep, Cofins, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).
Também estão previstas a suspensão das contribuições previdenciárias patronais pelo mesmo período e a oferta de linhas especiais de crédito com juros equalizados pelo Tesouro Nacional.
O prazo fixo de dois anos foi uma das mudanças introduzidas pelo relator. Na versão anterior, a duração dos benefícios estava vinculada à manutenção das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
Renegociação poderá ter descontos e parcelamento em até dez anos
Outra medida é a criação do Programa Especial de Transação Tributária e Regularização Fiscal de Empresas Agroexportadoras (PETR-AGRO), destinado à renegociação de determinados débitos tributários vencidos até 31 de dezembro de 2025.
O texto permite descontos de até 70% sobre multas e juros, com parcelamento do saldo devedor em até 120 meses, equivalentes a dez anos. O prazo inicialmente proposto era de 180 meses, mas foi reduzido pelo relator.
A proposta também autoriza o uso de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL para amortizar as dívidas.
As empresas terão prazo de 18 meses para aderir ao programa, contado a partir de sua regulamentação pelo Poder Executivo, caso as medidas sejam convertidas em lei.
Barreiras comerciais e custos de produção motivam medidas
Ao apresentar o parecer, Pezenti ampliou o alcance da proposta para incluir os efeitos do aumento dos custos de insumos e serviços, além dos prejuízos associados às restrições comerciais.
Na avaliação do parlamentar, o protecionismo e os conflitos geopolíticos encarecem a produção e a logística, pressionando a rentabilidade dos produtores rurais e as margens das empresas agroexportadoras.
O relator também destacou a dependência brasileira de fertilizantes importados, que, segundo o parecer, representam cerca de 85% dos principais produtos utilizados nas lavouras. Essa exposição torna o setor mais vulnerável a oscilações de preços e problemas no abastecimento internacional.
Projeto surgiu em resposta às tarifas dos Estados Unidos
Apresentado em agosto de 2025, o PL 3.989/2025 teve como motivação o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Na justificativa, Lucas Ramos defendeu a adoção de instrumentos emergenciais para preservar empregos e assegurar a continuidade das atividades produtivas diante das restrições ao comércio exterior.
Antes da votação na Comissão de Agricultura, a proposta recebeu parecer favorável do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico em novembro de 2025.
Na ocasião, Coutinho apontou o encarecimento de fertilizantes, máquinas agrícolas e financiamentos como fatores de perda de competitividade das empresas exportadoras. O parecer defendeu medidas temporárias de desoneração, crédito e regularização de dívidas.
Proposta segue para análise financeira e jurídica
Após a aprovação na Comissão de Agricultura, o projeto seguirá para a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) e para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).
A tramitação ocorre em caráter conclusivo. Isso permite que a proposta seja encaminhada ao Senado sem votação no plenário da Câmara, desde que não haja recurso para análise pelos deputados em plenário.
Fonte: Portal do Agronegócio
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