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Suíno

Preço do suíno vivo sobe 24,89% no Paraná em outubro, mas margens exigem cautela

Média estadual chega a R$ 5,82 por quilo após perdas em setembro; alimentação concentra mais de 71% dos custos e cotações recuam no encerramento do mês


Publicado em: 05/11/2026 às 10:50hs

Preço do suíno vivo sobe 24,89% no Paraná em outubro, mas margens exigem cautela

O preço do suíno vivo no Paraná registrou forte recuperação em outubro, oferecendo alívio aos produtores após um período de pressão sobre a remuneração. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a média estadual passou de R$ 4,66 por quilo em setembro para R$ 5,82 em outubro, alta de 24,89%.

A valorização, porém, ainda não permite confirmar a recuperação da rentabilidade. Os custos consolidados de outubro são necessários para avaliar o resultado, e as cotações perderam força nos últimos dias do mês.

Custos superaram remuneração de referência em setembro

O levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, mostrou um cenário desfavorável em setembro.

O custo de referência da produção atingiu R$ 6,13 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor, na série utilizada pelo órgão, ficou em R$ 5,17 por quilo. A diferença de R$ 0,96 indicava remuneração 15,66% abaixo do custo calculado.

Os preços acompanhados pelo Deral e pelo Cepea têm referências distintas. Por isso, a cotação de outubro do Cepea não deve ser confrontada diretamente com o custo de setembro do Deral para calcular margens.

Alimentação responde por 71,45% do custo de produção

A nutrição animal permaneceu como a principal despesa da suinocultura paranaense. Segundo o Deral, a alimentação representou 71,45% do custo total em setembro, equivalente a R$ 4,38 por quilo de suíno vivo.

Esse gasto foi 10,61% superior ao registrado em setembro de 2025.

O custo total de produção também aumentou: passou de R$ 5,96 por quilo em agosto para R$ 6,13 em setembro, avanço de 2,85%. Na comparação anual, a alta foi de 6,24%.

A combinação entre despesas maiores e queda na remuneração naquele período pressionou as margens de referência da atividade.

ABCS identifica melhora na relação de troca com os insumos

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) também apontou recuperação nos preços do animal vivo e da carne suína em análise divulgada em 22 de outubro.

Segundo a entidade, a valorização do suíno, acompanhada pelo recuo do milho e pela estabilidade do farelo de soja, favoreceu a relação de troca com os principais ingredientes da ração.

A avaliação utiliza indicadores de mercado e uma composição de insumos baseada em referências de preços de São Paulo. Portanto, seus resultados não representam automaticamente as condições de produção no Paraná.

Na ocasião, o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, afirmou que o mercado já permitia recuperar margens positivas em determinados sistemas produtivos. A melhora, contudo, não pode ser generalizada para todas as propriedades.

Cotação recua 3,65% na última semana de outubro

Apesar da alta na média mensal, o indicador paranaense do Cepea apresentou acomodação no encerramento de outubro.

Após alcançar R$ 6,02 por quilo em 23 de outubro, a referência caiu para R$ 5,80 no dia 30, redução de 3,65% no intervalo.

O movimento não anulou a recuperação frente a setembro, mas reforça a necessidade de acompanhar a sustentação das cotações antes de projetar os resultados dos próximos meses.

Sistema produtivo influencia recuperação das margens

A situação financeira também varia conforme o modelo de produção. Suinocultores independentes assumem a compra dos insumos e a comercialização dos animais, ficando expostos às oscilações desses mercados.

Nos contratos de integração, a distribuição de despesas, responsabilidades e remuneração depende das condições acordadas com as agroindústrias.

Para avaliar se a alta de outubro resultará em melhora econômica duradoura, será necessário observar os custos atualizados de alimentação, a evolução dos preços do suíno vivo e o comportamento da demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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