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Etanol sobe quase 38% nas usinas em três meses com chuvas e atraso na moagem de cana

Preço do hidratado em São Paulo se aproxima do nível do início da safra 2026/27; nos postos, alta foi de 8,6% desde meados de agosto


Publicado em: 05/11/2026 às 11:00hs

Etanol sobe quase 38% nas usinas em três meses com chuvas e atraso na moagem de cana

O preço do etanol hidratado recebido pelas usinas paulistas acumulou alta de 37,6% entre o início de agosto e o fim de outubro, após a forte desvalorização registrada nos primeiros meses da safra 2026/27. A recuperação ganhou força com o atraso na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul, onde o excesso de chuvas dificulta a colheita e limita o processamento da matéria-prima.

Na semana encerrada em 30 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado em São Paulo ficou em R$ 2,8135 por litro, líquido de impostos. O valor se aproximou dos R$ 2,8875 por litro registrados na semana de 2 de abril, no início do ciclo.

Nas bombas, o movimento foi menos intenso. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do etanol nos postos paulistas avançou 8,6% desde meados de agosto, chegando a R$ 3,92 por litro na última semana de outubro.

Recuperação reverte parte das perdas do início da safra

Entre o começo de abril e 31 de julho, o indicador do etanol hidratado nas usinas de São Paulo havia recuado 29,2%. A reação começou em agosto, inicialmente favorecida pela recuperação das cotações internacionais do açúcar.

Mais recentemente, as dificuldades para colher e processar a cana passaram a sustentar a valorização do biocombustível.

Em Mato Grosso, o hidratado também recuperou parte das perdas. Desde a primeira semana de agosto, o preço subiu 21,6%, após uma queda de 28,1% entre abril e o fim de julho.

Na semana encerrada em 30 de outubro, o produto foi negociado a R$ 3.119,51 por metro cúbico no estado, maior valor desde a semana de 30 de abril.

Chuvas dificultam colheita mesmo com cana disponível no campo

Para Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, o atraso na moagem é o principal fator por trás da recuperação recente do etanol.

Segundo o especialista, há um volume expressivo de cana disponível para colheita, mas as chuvas excessivas em importantes regiões produtoras dificultam a entrada das máquinas nas lavouras. Na avaliação dele, o cenário está associado aos efeitos de um El Niño de forte intensidade.

A combinação mantém parte da matéria-prima no campo e impede que o potencial da safra se transforme, no ritmo esperado, em produção de açúcar e etanol.

Usinas podem prolongar moagem até dezembro

Diante dos atrasos, Rodrigues avalia que as unidades produtoras tentarão estender as operações para aproveitar o máximo possível da cana disponível.

Dependendo das condições climáticas, algumas usinas poderão continuar processando até 20 de dezembro. O objetivo é reduzir o volume de cana que ficará para a safra seguinte, prática conhecida no setor como “bisar” cana.

O avanço das operações nas próximas semanas dependerá, portanto, de condições que permitam retomar a colheita e manter o abastecimento das unidades industriais.

Remuneração do etanol influencia decisão entre açúcar e combustível

Além do clima, a relação de rentabilidade entre açúcar e etanol interfere no direcionamento da produção.

Na avaliação do diretor da Bioagência, a subvenção governamental ao etanol aproximou a remuneração dos dois produtos, mesmo com a recuperação das cotações do açúcar. Isso reduz o incentivo econômico para ampliar a participação do adoçante no processamento da cana.

Rodrigues considera que ainda há espaço para novas altas do etanol nas usinas, mas ressalta que a reação do consumidor aos reajustes precisa ser acompanhada.

Preço do etanol nos postos sobe em ritmo menor

O aumento observado na indústria chegou parcialmente ao varejo paulista. Entre meados de agosto, quando o combustível atingiu o menor preço do ano nos postos de São Paulo, e a semana encerrada em 31 de outubro, a alta acumulada foi de 8,6%, conforme a ANP.

Com isso, o litro passou a custar, em média, R$ 3,92, maior patamar desde a última semana de maio.

Os períodos de comparação são diferentes: a valorização de 37,6% nas usinas considera o início de agosto até o fim de outubro, enquanto a variação no varejo parte de meados de agosto.

Na fase anterior de queda, o repasse ao consumidor também havia sido menor. De abril ao fim de julho, os preços recebidos pelas usinas paulistas caíram 29,2%, enquanto os valores nas bombas recuaram 20,1%.

Etanol mantém competitividade frente à gasolina em São Paulo

Mesmo após os reajustes, o etanol continuou com uma relação de preços favorável frente à gasolina nos postos paulistas. Na última semana de outubro, o litro do biocombustível correspondia a 62% do preço da gasolina.

O percentual ficou abaixo da referência tradicional de 70% utilizada para comparar a viabilidade dos dois combustíveis. A vantagem efetiva, porém, depende do consumo de cada veículo, das condições de uso e dos preços encontrados no abastecimento.

Entre junho e julho, essa relação chegou a 57% em São Paulo, indicando que o benefício econômico era ainda maior naquele período.

Para os próximos meses, o ritmo da moagem, as condições climáticas e a resposta da demanda aos reajustes serão determinantes para a trajetória dos preços do etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

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