Preço do suíno vivo atinge menor nível real da série do Cepea e pressiona margem do produtor
Demanda interna enfraquecida derruba cotações em São Paulo, enquanto milho e farelo de soja ficam mais caros; exportações ainda crescem 7,9% na comparação anual
Publicado em: 17/09/2026 às 10:10hs
O preço médio real do suíno vivo atingiu em agosto o menor nível da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na região SP-5, formada por Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba.
A série começou em março de 2002. Para a comparação histórica, os valores foram corrigidos pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho de 2026.
Segundo o Boletim do Suíno do Cepea, as cotações vêm recuando desde o início deste ano. Mais recentemente, a queda ganhou força diante do baixo consumo de carne suína na ponta final, que reduziu a procura das indústrias por novos lotes de animais.
Ao mesmo tempo, a elevação dos preços do milho e do farelo de soja agravou a pressão sobre os resultados das granjas.
Demanda fraca reduz compras de suínos pela indústria
Agosto marcou o segundo mês consecutivo de queda nas cotações do suíno vivo. O movimento refletiu principalmente o enfraquecimento da demanda doméstica pela carne.
Com menor escoamento no varejo, frigoríficos reduziram as aquisições de animais, aumentando a pressão sobre os preços pagos aos produtores.
A sequência de desvalorizações preocupa o setor porque ocorre simultaneamente à alta dos principais componentes da alimentação dos plantéis. Dessa forma, o suinocultor recebe menos pelo animal e enfrenta custos maiores com a ração.
Milho sobe 3,2% e piora relação de troca
Em São Paulo, o preço do milho avançou 3,2% em agosto. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referência para Campinas, passou de R$ 64,84 para R$ 66,91 por saca de 60 quilos.
O farelo de soja também apresentou valorização no período, segundo o Cepea.
A combinação entre insumos mais caros e preços menores do suíno vivo deteriorou a relação de troca pelo segundo mês seguido. Esse indicador mostra quanto produto o criador precisa vender para adquirir os insumos necessários à alimentação dos animais.
Como milho e farelo de soja representam uma parcela relevante dos custos da suinocultura, a perda no poder de compra reduz as margens e exige maior controle sobre conversão alimentar, manejo e planejamento das compras.
Exportações de carne suína crescem 7,9% em um ano
O Brasil exportou 129,6 mil toneladas de carne suína em agosto, considerando produtos in natura e processados. O volume ficou 0,9% abaixo das 129,9 mil toneladas embarcadas em julho.
Na comparação com agosto de 2025, quando foram exportadas 120,1 mil toneladas, houve crescimento de 7,9%. Os números são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A redução mensal não foge ao comportamento observado nos últimos anos. Em seis dos oito anos anteriores, os embarques brasileiros também diminuíram entre julho e agosto.
Embora as exportações tenham avançado na comparação anual, o desempenho externo não foi suficiente para compensar integralmente a demanda enfraquecida no mercado doméstico e evitar a queda dos preços do suíno vivo.
Carne suína ganha competitividade frente ao boi e ao frango
Apesar do cenário desfavorável para o produtor, a carne suína tornou-se mais competitiva em relação às proteínas concorrentes durante agosto.
A carcaça especial suína apresentou desvalorização, enquanto os preços da carcaça casada bovina e do frango resfriado aumentaram. Essa diferença ampliou a atratividade relativa da proteína suína para compradores e consumidores.
O ganho de competitividade pode favorecer o escoamento no mercado interno, mas a recuperação da cadeia dependerá de uma reação mais consistente da demanda.
Enquanto isso, a combinação entre preços historicamente baixos do suíno vivo e custos elevados com alimentação mantém as margens dos produtores sob forte pressão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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