Melão dispara 370% nas exportações e mamão alcança 2º maior volume para agosto
Início da safra 2026/27 impulsiona embarques de melão do RN e Ceará, enquanto preços médios mais altos mantêm atratividade das vendas externas de mamão
Publicado em: 17/09/2026 às 10:45hs
As exportações brasileiras de frutas apresentaram comportamentos distintos em agosto de 2026, mas com resultados favoráveis para dois produtos importantes da pauta nacional. Os embarques de melão cresceram 370% em relação a julho, impulsionados pelo início da campanha 2026/27 no Rio Grande do Norte e Ceará. Já o mamão registrou queda mensal de 7% no volume, porém alcançou o segundo melhor resultado para agosto desde o início da série histórica do Comex Stat, em 1997.
No caso do mamão, o preço médio de exportação subiu 10% frente ao mesmo mês de 2025, contribuindo para preservar a receita mesmo com o recuo dos embarques. Para o melão, o encerramento antecipado da temporada espanhola abriu espaço para pedidos maiores dos compradores europeus já no primeiro mês da nova safra brasileira.
Os dados foram analisados pela equipe do Hortifrúti/Cepea com base nas estatísticas oficiais de comércio exterior.
Exportações de mamão somam 4,2 mil toneladas
O Brasil exportou pouco mais de 4,2 mil toneladas de mamão em agosto, volume 7% inferior ao registrado em julho. O desempenho também ficou abaixo dos resultados mensais observados durante o primeiro semestre.
A receita, entretanto, apresentou estabilidade na comparação mensal. Os embarques movimentaram pouco mais de US$ 6,3 milhões, considerando o valor FOB, que corresponde ao produto colocado a bordo, sem os custos internacionais de frete e seguro.
Segundo o Hortifrúti/Cepea, a redução do volume pode estar relacionada ao aumento da demanda europeia por frutas da estação, como a mexerica. A maior disponibilidade desses produtos amplia a concorrência pela preferência dos consumidores no continente.
Apesar da retração mensal, o resultado de agosto foi o segundo maior para o mês em toda a série histórica do Comex Stat, iniciada em 1997. Esse desempenho reforça a presença do mamão brasileiro no mercado internacional.
Preço médio do mamão sobe 10%
O preço médio obtido pelos exportadores brasileiros de mamão chegou a US$ 1,47 por quilo em agosto, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
No acumulado entre janeiro e agosto, a média ficou em US$ 1,40 por quilo. Os valores mais elevados ajudam a compensar os custos com transporte, armazenagem, classificação e embalagem, favorecendo as margens das empresas exportadoras.
O resultado demonstra que a redução mensal do volume não foi acompanhada por uma queda proporcional da receita. A valorização do produto no exterior manteve as vendas atrativas, especialmente para os fornecedores capazes de atender às exigências de qualidade e regularidade dos compradores.
Oferta de mamão pode crescer até o fim do ano
As perspectivas para os próximos meses apontam para uma recuperação dos embarques brasileiros de mamão. A expectativa está associada ao aumento da disponibilidade e à melhoria da qualidade das frutas nas principais regiões produtoras.
O movimento deve ser liderado pelo Norte do Espírito Santo, Sul da Bahia e Chapada do Apodi, área produtora localizada entre o Rio Grande do Norte e o Ceará.
Caso esse cenário se confirme, os resultados consolidados de 2026 poderão superar ligeiramente os volumes e as receitas registrados em 2025.
O avanço dependerá, entretanto, do comportamento da oferta, da qualidade dos lotes, da demanda europeia e da concorrência com outras frutas disponíveis no mercado internacional.
Exportações de melão aumentam 370% em agosto
O início da campanha 2026/27 de melão no Rio Grande do Norte e Ceará impulsionou fortemente as exportações em agosto.
O volume embarcado chegou a 8,8 mil toneladas, crescimento de 370% na comparação com julho. A receita avançou ainda mais, com alta de 463%, alcançando US$ 7,8 milhões em valores FOB.
O forte aumento mensal reflete principalmente a transição entre a entressafra e o início da nova campanha. Julho representa um período de baixa disponibilidade, enquanto agosto marca a retomada dos embarques do principal polo exportador brasileiro.
Na comparação com agosto de 2025, primeiro mês da campanha anterior, o resultado também foi positivo. O volume exportado cresceu 3%, enquanto a receita aumentou 6%.
Reino Unido e Países Baixos concentram compras
O Reino Unido foi o principal destino do melão brasileiro em agosto, respondendo por 48% dos embarques. Os Países Baixos concentraram outros 43%, enquanto a Argentina recebeu 4%.
Os números demonstram a forte dependência do setor em relação ao mercado europeu. Reino Unido e Países Baixos, juntos, absorveram 91% do volume exportado no período.
A concentração torna o desempenho brasileiro sensível ao calendário de produção da Europa, às condições logísticas e ao ritmo de consumo nesses mercados.
Ao mesmo tempo, o fim da temporada europeia abre uma janela importante para o Brasil, que assume posição de destaque no abastecimento durante os meses de menor oferta do Hemisfério Norte.
Encerramento da safra espanhola favorece melão brasileiro
O desempenho de agosto foi beneficiado pela aproximação do fim da campanha de melão em Castilla-La Mancha, última região espanhola em colheita.
As temperaturas mais elevadas favoreceram o desenvolvimento e aceleraram a maturação das frutas. Segundo a Agência Estatal de Meteorologia da Espanha (Aemet), a temperatura média na região chegou a 27,6 °C em agosto.
Diferentemente da temporada anterior, o plantio espanhol não enfrentou atrasos expressivos. Com isso, a colheita perdeu ritmo mais cedo, estimulando os compradores europeus a anteciparem os pedidos de melão brasileiro.
A safra europeia deve ser encerrada totalmente até o início de outubro, ampliando o espaço para o produto do Rio Grande do Norte e Ceará nos próximos meses.
Qualidade favorece início da campanha 2026/27
Além da janela comercial favorável na Europa, as condições produtivas no Nordeste contribuíram para o bom desempenho inicial das exportações.
Segundo colaboradores do Hortifrúti/Cepea, a campanha começou com baixa incidência de problemas fitossanitários e clima favorável nas áreas produtoras. O cenário contribuiu para a entrega de frutas com boa qualidade aos compradores.
A combinação entre padrão comercial, disponibilidade crescente e menor concorrência europeia elevou o otimismo dos exportadores em relação aos próximos meses.
Exportações de melão podem alcançar 250 mil toneladas
A Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern) estima que as exportações de melão poderão chegar a 250 mil toneladas durante a campanha 2026/27, conforme informação divulgada pelo portal internacional Fresh Plaza.
O volume projetado supera em aproximadamente 10 mil toneladas o resultado da temporada anterior. A estimativa indica crescimento de 4,4% na receita em relação aos R$ 1,36 bilhão, equivalentes a US$ 261,8 milhões, obtidos anteriormente.
A concretização dessa projeção dependerá da evolução da safra, da demanda dos países europeus, das condições fitossanitárias e da eficiência logística nos portos.
Com perspectivas positivas para melão e mamão, o setor brasileiro de frutas inicia a parte final de 2026 apoiado na abertura da janela europeia, na valorização dos produtos e na expectativa de maior disponibilidade nas principais regiões produtoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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