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Soja

Soja sobe em Chicago com apoio da demanda, mas baixa liquidez limita negócios no Brasil

Alta do farelo e expectativa de compras chinesas sustentam a oleaginosa na CBOT, enquanto mercado físico brasileiro registra negociações pontuais e preços distintos entre as regiões


Publicado em: 17/09/2026 às 11:10hs

Soja sobe em Chicago com apoio da demanda, mas baixa liquidez limita negócios no Brasil

Os contratos futuros da soja avançaram na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (17), apoiados pela valorização do farelo e pelas expectativas de demanda chinesa. No mercado físico brasileiro, porém, o ritmo permaneceu lento, com produtores seletivos e compradores concentrados na cobertura de necessidades imediatas.

O contraste mostra que a alta internacional ainda não se traduz automaticamente em maior liquidez ou valorização uniforme nas praças nacionais. No Brasil, os preços continuam condicionados pelo comportamento do dólar, pelos prêmios de exportação, pela disponibilidade regional do grão e pela disposição dos produtores para negociar.

Na quarta-feira (16), o mercado doméstico encerrou o dia com poucos negócios em importantes regiões produtoras, segundo levantamento da TF Agroeconômica.

Farelo de soja sustenta alta em Chicago

A soja operou em alta na Bolsa de Chicago mesmo diante da desvalorização de outras commodities. Os futuros do trigo e do óleo de soja recuaram, enquanto o petróleo manteve trajetória negativa nos mercados de Nova York e Londres.

O principal suporte veio do farelo de soja. Os contratos mais negociados do derivado avançaram mais de 1,5%, oferecendo sustentação às cotações do grão.

Os fundamentos relacionados à demanda também ganharam peso. A expectativa de continuidade das compras chinesas de soja dos Estados Unidos ajudou a compensar parte da pressão provocada pela perspectiva de uma safra norte-americana volumosa.

USDA projeta oferta elevada, mas exportações reduzem pressão

O mercado também avalia as estimativas mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Embora o órgão projete produção elevada para a safra norte-americana, o aumento previsto das exportações reduz parcialmente o impacto da maior oferta sobre os estoques finais.

A combinação entre demanda externa, valorização do farelo e expectativa de compras pela China permitiu que a soja apresentasse maior firmeza em Chicago, mesmo em uma sessão de desempenho negativo para outros mercados.

Mercado da soja segue travado no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a retenção da oferta pelos produtores restringiu novas operações. Parte das praças registrou queda nas cotações após a valorização observada no dia anterior.

Em Rio Grande, a soja foi cotada a R$ 162 por saca, recuo de 0,61%. Ijuí e Cruz Alta permaneceram em R$ 153.

Passo Fundo registrou preço de R$ 155 por saca, enquanto Santa Rosa marcou R$ 154. A postura cautelosa dos vendedores continuou limitando o volume negociado.

Santa Catarina tem poucas referências de preços

O mercado catarinense permaneceu sem uma direção regional clara devido à ausência de novas referências e ao baixo volume de negócios.

Em São Francisco do Sul, a soja ficou cotada a R$ 162 por saca. Palma Sola registrou R$ 139,50, enquanto Rio do Sul apresentou preço de R$ 140.

A necessidade de abastecimento da agroindústria manteve compradores atentos, mas não foi suficiente para estabelecer uma tendência uniforme para as cotações no estado.

Soja sobe no atacado do Paraná, mas recua no porto

No Paraná, a média estadual de compra da soja industrial tipo 1 no atacado avançou 1,70%, passando de R$ 137,79 para R$ 140,13 por saca.

O movimento não foi acompanhado por todas as praças. Em Paranaguá, a cotação caiu 0,61%, para R$ 163 por saca. Cascavel recuou para R$ 153, enquanto Maringá ficou em R$ 152,50.

A diferença entre o avanço da média estadual e a queda em determinados mercados reforça o caráter regionalizado das negociações.

Mato Grosso mantém negociações seletivas

Em Mato Grosso, o mercado físico da soja permaneceu seletivo, com estabilidade nas praças acompanhadas. As operações continuaram direcionadas principalmente ao atendimento de demandas imediatas.

A disponibilidade física do grão e o comportamento dos vendedores seguem determinando o ritmo das negociações. Sem maior pressão de venda, compradores encontram dificuldade para ampliar volumes sem melhorar as ofertas.

Plantio avança em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, o plantio da safra 2026/27 já começou. A área destinada à soja está estimada em 4,874 milhões de hectares, crescimento de 5,5%.

Apesar da expansão da área, a produção inicial é projetada em 15,331 milhões de toneladas, queda de 8,4%. A produtividade estimada é de 52,4 sacas por hectare, recuo de 13,2%.

As projeções indicam que o aumento da área cultivada pode não ser suficiente para compensar a redução esperada no rendimento das lavouras.

Chicago, dólar e prêmios definem preços da soja no Brasil

A valorização da soja em Chicago representa um sinal positivo para os produtores brasileiros, mas o repasse ao mercado interno depende de outras variáveis.

Além dos contratos internacionais, o dólar influencia a conversão dos preços para reais. Os prêmios pagos nos portos e os diferenciais regionais também interferem nas cotações recebidas em cada praça.

Nesse cenário, a demanda chinesa e o desempenho do farelo podem continuar oferecendo suporte à CBOT. No Brasil, entretanto, a baixa liquidez e a distância entre as expectativas de compradores e vendedores devem manter os negócios restritos até que surjam estímulos mais claros para a comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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