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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo segue valorizado no Sul com risco à qualidade, importação no RS e alta em Chicago

Poucos negócios e distância entre compradores e vendedores limitam o mercado brasileiro, enquanto riscos no Mar Negro e menor produção do Canadá sustentam as cotações internacionais


Publicado em: 17/09/2026 às 11:20hs

Trigo segue valorizado no Sul com risco à qualidade, importação no RS e alta em Chicago

O mercado de trigo permanece firme no Sul do Brasil, com preços elevados, baixa liquidez e compradores atentos à qualidade da nova safra. No Rio Grande do Sul, a disponibilidade restrita também reforça a possibilidade de novas importações, enquanto Santa Catarina e Paraná registram negociações pontuais e diferenças expressivas entre as ofertas de compra e venda.

No exterior, os contratos futuros fecharam em leve alta na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (16). Os preços receberam suporte dos riscos às exportações pelo Mar Negro e da projeção de queda na produção canadense, apesar da pressão provocada por vendas técnicas e pela desvalorização do petróleo.

Esse conjunto de fatores mantém o trigo valorizado e exige cautela de produtores, moinhos e compradores, segundo análise da TF Agroeconômica.

Preço do trigo chega a R$ 1.600 por tonelada no Rio Grande do Sul

No mercado gaúcho, os moinhos indicam compras próximas de R$ 1.400 por tonelada FOB. Os vendedores, entretanto, pedem cerca de R$ 1.500, com ofertas que chegam a R$ 1.600 por tonelada na região de Vacaria.

Algumas negociações foram efetivadas a R$ 1.450 por tonelada, mostrando que os negócios avançam apenas quando compradores e vendedores reduzem a distância entre suas referências.

Em Panambi, a cotação paga ao produtor subiu para R$ 71 por saca. Já as ofertas para exportação estão próximas de R$ 1.270 por tonelada para embarque em dezembro, posto no porto, nível ainda considerado pouco atrativo pelos vendedores.

A paridade baseada na cobertura em Chicago voltou a avançar e alcançou R$ 1.374,81 por tonelada no melhor momento.

Rio Grande do Sul pode precisar importar mais trigo

A oferta disponível no Rio Grande do Sul mantém os agentes atentos à necessidade de importações até a entrada efetiva da nova safra.

A estimativa considera aproximadamente 70 mil toneladas ainda disponíveis, além dos estoques mantidos pelos moinhos. Mesmo assim, o estado poderá precisar de outras 70 mil toneladas para atender ao consumo até a próxima colheita.

Com a inclusão de uma reserva técnica, o volume necessário poderia corresponder a até três cargas de navios. A confirmação dessa demanda dependerá do ritmo de consumo, dos estoques industriais e da quantidade e qualidade do trigo que chegará ao mercado nas próximas semanas.

Tempo melhora, mas giberela preocupa lavouras gaúchas

A abertura do tempo após o período de chuvas favorece o desenvolvimento e a colheita das lavouras no Rio Grande do Sul. A avaliação apresentada pela TF Agroeconômica aponta 15% das áreas em condição excelente, 82% classificadas entre boas e medianas e 3% em situação ruim ou com perdas consideradas irreversíveis.

Parte do trigo gaúcho deverá ser colhida ainda em setembro. A principal preocupação está nas lavouras atingidas por giberela, doença que pode comprometer rendimento e qualidade industrial dos grãos.

O impacto das chuvas deverá ser avaliado à medida que a colheita avançar e os primeiros lotes forem analisados pelos moinhos.

Santa Catarina tem negócios pontuais a R$ 1.520

Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos, reduzindo a necessidade de novas compras no curto prazo. As negociações permanecem pontuais, com registros ao redor de R$ 1.520 por tonelada FOB.

A menor urgência dos compradores contribui para limitar a liquidez, mesmo diante da sustentação dos preços observada no mercado regional.

Chuvas afetam qualidade do trigo no Paraná

No Paraná, as indicações de compra variam entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada, dependendo do prazo de entrega. Os vendedores de trigo tipo 1, por sua vez, buscam valores entre R$ 1.550 e R$ 1.600 por tonelada FOB.

Além da diferença entre as propostas, a qualidade do cereal tornou-se um fator decisivo nas negociações. As chuvas afetaram principalmente as regiões Norte e Oeste do estado, com registros de brusone e giberela.

Também foram observadas variações em parâmetros importantes para a indústria, como peso hectolitro (PH), força de glúten (W) e falling number. Esses indicadores ajudam a determinar a aptidão do trigo para moagem e produção de farinha, influenciando diretamente o valor dos lotes.

Riscos no Mar Negro sustentam trigo em Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), o trigo terminou a sessão desta quarta-feira em leve alta. Os contratos com entrega em dezembro fecharam a US$ 7,30 3/4 por bushel, avanço de 2,25 centavos de dólar, ou 0,30%.

O vencimento de março encerrou cotado a US$ 7,46 3/4 por bushel, também com alta de 2,25 centavos, equivalente a 0,30%.

As cotações foram sustentadas pelas preocupações com possíveis interrupções no fluxo de grãos pelo Mar Negro. Novos ataques à infraestrutura regional reduziram as expectativas de uma desescalada do conflito entre Rússia e Ucrânia, recolocando no mercado o risco de dificuldades logísticas e comerciais.

Produção de trigo do Canadá deve cair 10,9%

A perspectiva de menor oferta canadense também deu suporte aos contratos futuros. Segundo estimativa divulgada pela Statistics Canada, a produção total de trigo do país deverá cair 10,9% em 2026, passando de 40,6 milhões para 36,1 milhões de toneladas.

Para o trigo durum, utilizado principalmente na fabricação de massas, a projeção indica recuo de 12,2%. A produção deverá alcançar 6,4 milhões de toneladas, ante 7,3 milhões no ano anterior.

De acordo com a agência canadense, as condições foram desiguais nas regiões produtoras das pradarias, com algumas áreas registrando precipitação abaixo da média.

Compras da Argélia e do Paquistão movimentam demanda

A demanda internacional também permanece no radar dos operadores. A agência estatal de grãos da Argélia, a OAIC, adquiriu cerca de 500 mil toneladas de trigo para moagem em uma licitação encerrada na terça-feira (15).

O Paquistão, por sua vez, recebeu ofertas em uma concorrência internacional para a compra de 750 mil toneladas do cereal.

No Brasil, o comportamento de Chicago, a disponibilidade doméstica, a necessidade de importação e a qualidade da safra do Sul deverão continuar orientando a formação dos preços. Com compradores e vendedores distantes, porém, a tendência é de negócios seletivos até que a colheita ofereça referências mais claras sobre volume e padrão industrial do novo trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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