Preço do milho se mantém firme, mas cautela dos compradores limita negócios no Brasil
Produtores restringem a oferta à espera de melhores cotações; déficit em Santa Catarina e demanda da bioenergia em Mato Grosso do Sul ajudam a sustentar o mercado
Publicado em: 17/09/2026 às 11:50hs
O mercado brasileiro de milho mantém preços sustentados em diferentes regiões, mas a distância entre as propostas dos compradores e os valores pedidos pelos produtores limita a comercialização. As negociações permanecem pontuais no Sul e no Centro-Oeste, com indústrias concentradas na reposição de curto prazo e vendedores mais seletivos.
Segundo levantamento da TF Agroeconômica, as cotações apresentam comportamentos distintos entre os estados. Enquanto o déficit de milho em Santa Catarina mantém a necessidade de compras interestaduais e importações, a indústria de bioenergia continua oferecendo suporte ao mercado de Mato Grosso do Sul.
As exportações brasileiras também mostram recuperação gradual em setembro. Apesar da melhora, o ritmo médio dos embarques permanece 16,7% abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Milho varia de R$ 60 a R$ 68 no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as indicações estão entre R$ 60 e R$ 68 por saca, dependendo da praça, da qualidade do produto e das condições de entrega.
De acordo com a Emater, o preço médio estadual subiu 0,83% na semana, passando de R$ 61,09 para R$ 61,60 por saca.
As indústrias compradoras concentram as aquisições na reposição das necessidades imediatas e evitam formar estoques maiores. Do lado vendedor, os produtores limitam a oferta na expectativa de preços mais favoráveis.
Esse comportamento reduz a liquidez e impede a formação de um movimento mais uniforme das cotações. Os negócios ocorrem principalmente quando há necessidade de caixa ou quando as condições oferecidas se aproximam das expectativas dos vendedores.
Déficit de milho sustenta demanda em Santa Catarina
Em Santa Catarina, as referências de venda estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto as propostas de compra giram ao redor de R$ 55. A diferença entre os valores mantém o ritmo de negócios reduzido.
O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, mas produziu 2,67 milhões de toneladas na safra 2025/26. O déficit se aproxima de 6 milhões de toneladas.
Parte dessa necessidade é atendida por milho proveniente do Centro-Oeste e do Paraguai. A dependência de outras regiões aumenta a importância dos custos logísticos e da disponibilidade do cereal na formação dos preços catarinenses.
Mesmo com a demanda estrutural das cadeias de aves e suínos, os compradores permanecem cautelosos e realizam aquisições conforme a necessidade de abastecimento.
Cotações chegam a R$ 67,91 em Ponta Grossa
No Paraná, as indicações de compra também ficam próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda está ao redor de R$ 55 na modalidade CIF, quando o vendedor assume o custo de entrega até o destino.
Entre as praças paranaenses acompanhadas, Ponta Grossa apresentou a maior referência, com R$ 67,91 por saca. Em Cascavel, o milho foi cotado a R$ 61,95, enquanto Maringá registrou R$ 61,99.
As diferenças regionais refletem fatores como disponibilidade local, consumo das indústrias, frete e condições específicas de entrega. A comercialização, entretanto, continua limitada pela resistência dos produtores em aceitar os valores oferecidos.
Bioenergia mantém compras ativas em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 55,50 por saca. Após uma sequência de altas, o mercado apresentou estabilidade e recuos em algumas praças.
Maracaju registrou queda semanal de 3,37%, refletindo o ajuste das cotações depois do movimento de valorização observado anteriormente.
A indústria de bioenergia permanece ativa nas compras e funciona como um dos principais canais de demanda no estado. O crescimento do processamento de milho para a produção de etanol amplia a competição regional pelo cereal e ajuda a absorver parte da oferta.
Mesmo assim, o mercado segue condicionado ao comportamento dos compradores, às necessidades de venda dos produtores e à relação entre os preços internos e a paridade de exportação.
Exportações de milho ainda estão abaixo de 2025
Os embarques brasileiros apresentam recuperação gradual ao longo de setembro, mas continuam abaixo do desempenho observado no mesmo período do ano passado.
O ritmo médio das exportações está 16,7% inferior ao registrado em setembro de 2025. Essa diferença reduz o suporte externo ao mercado doméstico e mantém a demanda interna como fator relevante para a formação dos preços.
A evolução dos embarques dependerá da competitividade do milho brasileiro, do câmbio, dos custos portuários e da disputa com outros fornecedores no mercado internacional.
Mercado aguarda aproximação entre compradores e vendedores
A baixa liquidez deve continuar enquanto permanecer a diferença entre as propostas das indústrias e os valores pretendidos pelos produtores.
No Sul, a demanda estrutural de Santa Catarina e as compras para reposição oferecem sustentação às cotações. Em Mato Grosso do Sul, a indústria de bioenergia permanece como importante fonte de consumo.
Por outro lado, o menor ritmo das exportações em relação a 2025 e a cautela dos compradores limitam movimentos mais expressivos de alta. Nesse cenário, o preço do milho tende a continuar regionalizado, com negociações pontuais e forte influência dos custos logísticos e das necessidades imediatas de cada mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias