Crise do cacau no Pará leva CNA e Mapa a discutir compra pública e crédito rural
Redução das aquisições pelas empresas moageiras limita o escoamento da safra e pressiona produtores a vender amêndoas por valores inferiores aos praticados no mercado
Publicado em: 17/09/2026 às 10:35hs
A dificuldade para comercializar o cacau produzido no Pará levou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a avaliar medidas de apoio aos produtores. Entre as alternativas discutidas estão a compra pública da produção, a ampliação dos canais de venda e a oferta de instrumentos de crédito rural.
O debate ocorreu na terça-feira (15), após produtores relatarem redução das compras de amêndoas pelas empresas moageiras. Com menos compradores no mercado, parte dos cacauicultores tem recorrido a cerealistas e intermediários, muitas vezes aceitando valores inferiores para conseguir escoar a produção.
Participaram da reunião o coordenador de Produção Agrícola da CNA, Guilherme Rios; a assessora técnica da entidade, Madeliny Saracho Jara; e o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos.
Redução das compras pressiona o preço do cacau
A retração das aquisições pelas moageiras diminuiu as opções de comercialização disponíveis aos produtores paraenses. A menor concorrência entre compradores enfraquece a capacidade de negociação dos cacauicultores e aumenta a pressão sobre a renda das propriedades.
“Isso reduz o poder de negociação e pressiona a renda no campo”, afirma Guilherme Rios.
Além da busca por novos compradores, a CNA defende medidas que ampliem a capacidade de armazenagem. A possibilidade de manter as amêndoas estocadas por mais tempo pode evitar vendas imediatas em condições desfavoráveis, desde que o produtor tenha acesso à estrutura adequada e aos recursos necessários para sustentar a operação.
Compra pública de cacau entra em discussão
Entre os mecanismos avaliados está a Aquisição do Governo Federal (AGF). O instrumento permite ao poder público adquirir produtos agropecuários em situações específicas, contribuindo para a sustentação da comercialização e para a formação de estoques.
A AGF, contudo, foi apresentada como uma possibilidade em análise. O material divulgado pela CNA não informa se houve aprovação da medida, nem detalha volumes, preços ou prazos para uma eventual compra governamental de cacau no Pará.
A discussão também incluiu a criação de outros canais comerciais que reduzam a dependência dos produtores em relação a poucos compradores.
Crédito rural pode ajudar produtores a evitar vendas desfavoráveis
CNA e Mapa avaliaram ainda instrumentos de crédito rural capazes de oferecer suporte financeiro aos cacauicultores durante o período de menor liquidez.
O acesso a recursos pode dar ao produtor mais tempo para armazenar e negociar a produção, reduzindo a necessidade de vender imediatamente para cumprir compromissos financeiros. As modalidades e condições das possíveis linhas de financiamento, entretanto, ainda não foram definidas.
CNA pede apuração sobre suspensão das aquisições
Para a entidade, também é necessário identificar os fatores que levaram as empresas moageiras a reduzir ou suspender as compras de cacau. Esse diagnóstico poderá orientar as próximas decisões e ajudar na construção de medidas adequadas à realidade da cadeia produtiva no Pará.
“É preciso entender o que levou à suspensão das compras e, paralelamente, buscar alternativas que garantam canais de comercialização e melhores condições para o produtor, evitando que ele fique pressionado a vender a produção a preços desfavoráveis”, ressalta Rios.
As propostas permanecem em discussão entre a CNA e o Mapa. Até o momento, não foram anunciados prazos para a definição das medidas nem para a eventual adoção de compras públicas ou linhas específicas de crédito.
Fonte: Portal do Agronegócio
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