Fertilizantes devem representar 56,5% do custo dos insumos na safrinha de milho 2027
Participação cresce no pacote tecnológico do Paraná, enquanto ureia supera US$ 600 por tonelada no interior e El Niño amplia busca por alternativas como o sorgo
Publicado em: 17/09/2026 às 10:40hs
O planejamento da safrinha de milho de 2027 começa sob maior pressão dos fertilizantes. Com preços elevados e participação crescente no pacote tecnológico, esses insumos devem concentrar 56,5% dos custos com sementes, defensivos e adubação na temporada 2026/27 no Paraná.
Os dados são da Agrinvest Commodities e mostram uma mudança relevante na composição dos gastos. Enquanto os fertilizantes ganham peso, sementes e defensivos reduzem sua participação relativa no investimento necessário para a implantação das lavouras.
O cenário exige atenção dos produtores no momento de definir o nível tecnológico, a janela de plantio e o potencial de retorno da segunda safra. As incertezas climáticas associadas ao El Niño adicionam outra variável ao planejamento.
Participação dos fertilizantes avança para 56,5%
Nas últimas cinco safras, os fertilizantes representaram, em média, 51% do custo do pacote de insumos do milho no Paraná.
Na temporada 2024/25, a participação ficou em 49,9%. O percentual subiu para 51,5% em 2025/26 e deverá alcançar 56,5% no ciclo 2026/27.
O avanço aumenta a exposição do produtor às oscilações internacionais dos fertilizantes, ao câmbio, ao custo logístico e à disponibilidade dos produtos no mercado doméstico.
Como esses insumos passam a absorver mais da metade dos recursos destinados ao pacote tecnológico, mudanças de preço ou atrasos nas compras podem alterar de forma significativa o orçamento da safrinha.
Sementes e defensivos perdem participação relativa
Enquanto os fertilizantes ganham espaço, a participação das sementes no custo total deve recuar. Esse componente representou 25,3% do pacote na safra 2024/25, caiu para 23,7% em 2025/26 e está projetado em 22,3% para 2026/27.
Os defensivos corresponderam a 24,8% dos custos nas temporadas 2024/25 e 2025/26. Para a safra 2026/27, a estimativa diminui para 21,2%.
Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o gasto nominal com defensivos por hectare recuou da safra passada para a atual, inclusive em situações nas quais houve aumento no número de aplicações.
O movimento indica menor desembolso com os produtos. No caso das sementes, os gastos não apresentaram mudanças expressivas, embora a média esteja mais favorável do que a registrada no ciclo anterior.
Ureia ultrapassa US$ 600 por tonelada no interior
A pressão dos fertilizantes também aparece nas cotações da ureia, uma das principais fontes de nitrogênio utilizadas no milho.
No mercado internacional, o produto está cotado entre US$ 490 e US$ 500 por tonelada CFR. Nos portos brasileiros, os preços já superam US$ 550 por tonelada.
No interior, a ureia ultrapassa US$ 600 por tonelada, dependendo da região. A diferença reflete custos de internalização, transporte e distribuição até as áreas produtoras.
Esse cenário reforça a necessidade de calcular com antecedência a relação entre o investimento em adubação e a produtividade esperada, especialmente em uma temporada marcada por incertezas climáticas e custos financeiros elevados.
El Niño amplia debate sobre sorgo no MAPITO
No MAPITO, o sorgo ganha espaço nas discussões sobre a próxima temporada. A possibilidade de efeitos do El Niño leva produtores a avaliar culturas alternativas para áreas em que a janela de plantio pode ficar mais curta ou arriscada.
A decisão considera fatores como época de semeadura, potencial produtivo, demanda regional e nível de investimento necessário.
Com os fertilizantes concentrando uma parcela maior dos custos, o planejamento da safrinha de 2027 deverá exigir atenção redobrada à compra dos insumos, à escolha da cultura e ao retorno econômico esperado em cada área.
Fonte: Portal do Agronegócio
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