Eficiência alimentar ganha importância diante dos custos elevados da suinocultura
Saúde intestinal, melhor aproveitamento dos nutrientes e formulação precisa das rações são estratégias para reduzir o custo por quilo de carne produzido
Publicado em: 27/08/2026 às 07:00hs
A pressão sobre os custos de produção e o estreitamento das margens ampliam a necessidade de eficiência na suinocultura brasileira. Como a alimentação representa uma das principais despesas da atividade, produtores e agroindústrias buscam alternativas para melhorar o aproveitamento das dietas sem comprometer a saúde e o desempenho dos animais.
O tema esteve entre os destaques apresentados pela Kemin durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que reuniu cerca de 2,5 mil participantes nesta edição, segundo informações divulgadas pela empresa.
A companhia defendeu uma mudança na avaliação econômica das granjas: em vez de observar apenas o preço da tonelada de ração, o produtor deve calcular quanto a dieta efetivamente contribui para o custo de cada quilo de carne produzido.
Custo por quilo produzido orienta decisões
Uma ração de menor preço nem sempre representa a alternativa mais econômica. Se a dieta resultar em pior conversão alimentar, redução do ganho de peso ou maior tempo até o abate, o custo final da produção poderá aumentar.
Por outro lado, uma formulação mais eficiente pode apresentar valor inicial superior, mas reduzir a quantidade de alimento necessária para produzir cada quilo de carne.
Para Gisele Neri, gerente de negócios da Kemin, a análise deve considerar o desempenho de toda a produção.
“Quando conseguimos melhorar a saúde intestinal, o animal aproveita melhor os nutrientes da ração, e isso se reflete em uma conversão alimentar mais eficiente. No fim, o que importa é quanto custa produzir cada quilo de carne”, afirma.
Saúde intestinal influencia conversão alimentar
O trato gastrointestinal é responsável pela digestão e absorção dos nutrientes, além de desempenhar funções relacionadas à barreira intestinal e à resposta imunológica.
Desequilíbrios na microbiota, desafios sanitários e processos inflamatórios podem comprometer a integridade intestinal. Nessas condições, o animal tende a aproveitar menos a alimentação e direcionar parte da energia para mecanismos de defesa.
A manutenção de um ambiente intestinal equilibrado pode favorecer a digestibilidade e a absorção dos nutrientes. A estratégia também ajuda a preservar o desempenho diante dos desafios comuns aos sistemas intensivos de produção.
Os resultados dependem, entretanto, de um conjunto de fatores, incluindo qualidade das matérias-primas, formulação da dieta, manejo, biosseguridade, ambiência, água e condição sanitária do lote.
Probióticos são apresentados como ferramentas nutricionais
Entre as soluções destacadas pela Kemin estão os probióticos CLOSTAT e ENTEROSURE, direcionados ao equilíbrio da microbiota intestinal.
Segundo a empresa, os produtos podem contribuir para a estabilidade do ambiente gastrointestinal e para o melhor aproveitamento dos nutrientes presentes na ração.
Os probióticos são compostos por microrganismos selecionados que, administrados em quantidades adequadas, buscam favorecer o equilíbrio microbiano. A resposta pode variar conforme a cepa utilizada, a dose, a idade dos animais e as condições de criação.
A inclusão dessas tecnologias deve fazer parte de um programa integrado, acompanhado por profissionais de nutrição e sanidade animal.
Otimização da energia pode reduzir inclusão de óleo
A Kemin também apresentou o LYSOFORTE, solução destinada a melhorar o aproveitamento energético das dietas.
Conforme a companhia, a tecnologia pode permitir ajustes na formulação e reduzir a necessidade de inclusão de óleo, preservando o desempenho dos animais. A proposta é diminuir o custo da ração por meio do uso mais eficiente das fontes de energia.
A energia está entre os componentes mais caros das dietas de suínos. Por isso, pequenas melhorias em seu aproveitamento podem gerar impacto econômico quando consideradas em grandes volumes de produção.
Qualquer redução na inclusão de ingredientes, contudo, deve ser definida a partir de cálculos nutricionais e validada com acompanhamento do desempenho dos lotes.
Formulação precisa evita falsa economia
Em períodos de margens apertadas, a tentativa de reduzir custos pode levar a cortes indiscriminados na dieta. Essa decisão pode provocar efeito contrário caso resulte em pior desempenho, aumento da conversão alimentar ou prolongamento do ciclo produtivo.
A formulação de precisão busca fornecer os nutrientes exigidos em cada fase, evitando tanto deficiências quanto excessos.
Entre os indicadores que devem ser monitorados estão:
- consumo diário de ração;
- ganho médio diário;
- conversão alimentar;
- mortalidade;
- uniformidade dos lotes;
- idade e peso ao abate;
- custo da alimentação por animal;
- custo por quilo de carne produzido.
A avaliação conjunta permite identificar se uma alteração nutricional realmente gera economia ou apenas reduz o preço imediato da ração.
Qualidade da água e ambiência afetam resultados
A eficiência nutricional não depende exclusivamente da formulação. Água contaminada, temperatura inadequada, ventilação insuficiente, alta densidade e falhas de biosseguridade podem limitar a resposta dos animais.
Durante períodos de calor, por exemplo, os suínos tendem a reduzir o consumo de alimento. Se a dieta e o ambiente não forem ajustados, o ganho de peso pode cair e o tempo necessário para atingir o peso de abate aumentar.
Problemas sanitários também elevam o custo metabólico e prejudicam a conversão alimentar. Por isso, investimentos em nutrição devem ser acompanhados por manejo adequado das instalações e monitoramento dos lotes.
Público recorde indica busca por soluções
Para Gisele Neri, a participação de aproximadamente 2,5 mil pessoas no Simpósio Brasil Sul de Suinocultura mostra que produtores, técnicos e representantes da indústria continuam buscando conhecimento mesmo diante das dificuldades econômicas.
“A suinocultura está passando por um momento difícil, mas o público recorde mostra que os profissionais estão procurando soluções e caminhos para continuar produzindo. É justamente nesse momento que a inovação e a eficiência ganham ainda mais importância”, destaca.
Gestão será decisiva para preservar margens
A combinação entre custos elevados e margens pressionadas exige maior controle dos indicadores produtivos e financeiros. Nesse cenário, o objetivo não deve ser apenas formular a ração mais barata, mas identificar a dieta capaz de entregar o menor custo final por quilo de carne.
Tecnologias voltadas à saúde intestinal e ao aproveitamento energético podem integrar essa estratégia, desde que sejam avaliadas nas condições específicas de cada granja.
O avanço da eficiência dependerá da integração entre nutrição, sanidade, ambiência, biosseguridade e gestão. Quanto mais precisos forem os dados da produção, maior será a capacidade de tomar decisões que preservem desempenho, competitividade e rentabilidade na suinocultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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