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Nutrição Animal

Nutrição de poedeiras melhora produção de ovos, qualidade da casca e longevidade do plantel

Dietas balanceadas, matérias-primas de qualidade e manejo nutricional por fase ajudam as aves a manter alta taxa de postura, eficiência alimentar e saúde durante ciclos produtivos mais longos


Publicado em: 26/08/2026 às 15:30hs

Nutrição de poedeiras melhora produção de ovos, qualidade da casca e longevidade do plantel
Foto: Freepik

A evolução genética das poedeiras comerciais elevou significativamente o potencial da produção de ovos. Linhagens modernas conseguem manter taxas de postura superiores a 90% durante várias semanas, mesmo sem aumento proporcional no consumo de ração. Esse avanço melhora a eficiência das granjas, mas também exige maior precisão na nutrição das aves.

Com um metabolismo direcionado à produção intensiva, as poedeiras passam a apresentar menor tolerância a falhas na formulação das dietas. Deficiências nutricionais ou matérias-primas de baixa qualidade podem prejudicar o peso corporal, diminuir a produção, comprometer a qualidade dos ovos e provocar perdas difíceis de recuperar durante o restante do ciclo.

Segundo Rafael Morelato, médico-veterinário da Auster Nutrição Animal, o desempenho elevado das linhagens atuais reduziu a margem para erros no manejo alimentar. Por isso, a dieta deve oferecer nutrientes em quantidade, qualidade e disponibilidade adequadas às necessidades do plantel.

Alimentação deve acompanhar cada fase das poedeiras

Um programa nutricional eficiente começa ainda na recria, período fundamental para a formação corporal e o desenvolvimento dos sistemas ósseo e reprodutivo das aves. O acompanhamento frequente do peso permite identificar desvios e ajustar a alimentação antes do início da postura.

Durante a fase produtiva, as trocas de ração não devem considerar apenas a idade cronológica. O percentual de produção, o consumo diário, o peso corporal, o tamanho dos ovos e as condições ambientais também precisam entrar na avaliação.

A adaptação da dieta conforme as exigências de cada etapa pode proporcionar melhores resultados em indicadores como:

  • conversão alimentar;
  • taxa de postura;
  • peso dos ovos;
  • resistência da casca;
  • uniformidade do lote;
  • persistência produtiva;
  • longevidade das poedeiras.

O acompanhamento contínuo também evita que as aves recebam nutrientes abaixo ou acima de suas necessidades, situações que podem aumentar custos e limitar o desempenho.

Qualidade da casca é desafio em ciclos prolongados

A maior longevidade produtiva das poedeiras ampliou a necessidade de estratégias voltadas à preservação da qualidade da casca. Embora a genética permita manter índices elevados de postura por períodos mais longos, a resistência dos ovos tende a diminuir naturalmente com o avanço da idade das aves.

Entre os fatores que precisam ser cuidadosamente ajustados estão os níveis e as fontes de cálcio, fósforo, vitamina D e outros minerais relacionados à formação da casca. O equilíbrio entre esses componentes, além do tamanho das partículas e do horário de fornecimento, influencia a disponibilidade de cálcio durante a calcificação do ovo.

Falhas nessa etapa podem elevar a incidência de ovos trincados, quebrados ou sem padrão comercial. Além das perdas diretas, cascas frágeis aumentam os riscos de contaminação e reduzem o aproveitamento da produção.

Saúde intestinal influencia eficiência da dieta

O desempenho das aves também está diretamente relacionado à integridade intestinal. Um intestino saudável favorece a digestão e a absorção dos nutrientes, melhora a conversão alimentar e contribui para a resposta imunológica do plantel.

Além das medidas de biossegurança, a alimentação pode apoiar a saúde das poedeiras por meio do fornecimento adequado de vitaminas e minerais, do controle de micotoxinas e da utilização criteriosa de aditivos capazes de favorecer o equilíbrio da microbiota intestinal.

De acordo com Morelato, esse conjunto de práticas pode fortalecer a resposta aos programas de vacinação e reduzir os impactos provocados por desafios sanitários.

Matérias-primas precisam de monitoramento constante

A formulação precisa depende do conhecimento da composição nutricional dos ingredientes utilizados na fábrica de ração. Variações na qualidade do milho, do farelo de soja e de outras matérias-primas podem alterar a quantidade de nutrientes realmente disponível para as aves.

O monitoramento laboratorial dos ingredientes, a seleção de fornecedores e a rastreabilidade dos lotes permitem trabalhar com valores mais próximos da composição real da ração. Essas informações ajudam a definir corretamente a inclusão de aminoácidos, minerais, vitaminas e aditivos.

A biodisponibilidade também precisa ser considerada. Não basta que determinado nutriente esteja presente na formulação: ele deve ser aproveitado pelo organismo da ave para produzir os resultados esperados.

Enzimas podem ampliar aproveitamento dos nutrientes

As enzimas nutricionais são utilizadas para melhorar a digestibilidade da dieta e liberar nutrientes que, sem essa tecnologia, poderiam ser parcialmente eliminados pelas aves. A aplicação deve considerar os substratos presentes na ração e as características das matérias-primas empregadas.

A Linha Aela, desenvolvida pela Auster Nutrição Animal em parceria com a AB Vista, adota um diagnóstico dos substratos da dieta para orientar a escolha das enzimas. Conforme as empresas, a estratégia busca aumentar o aproveitamento dos nutrientes, reduzir o custo da alimentação e oferecer maior segurança para a manutenção do desempenho produtivo.

A utilização dessa tecnologia, entretanto, precisa estar integrada a uma formulação equilibrada e ao controle de qualidade dos ingredientes.

Nutrição de precisão pode elevar rentabilidade das granjas

A alimentação representa uma das maiores parcelas do custo da produção de ovos. Em um ambiente de margens apertadas, pequenas diferenças na conversão alimentar, na taxa de postura ou no número de ovos descartados podem provocar impactos relevantes na rentabilidade.

Por isso, o investimento em um programa nutricional estruturado deve ser avaliado como parte da gestão econômica da granja. Dietas ajustadas ao consumo e à fase produtiva, aliadas ao monitoramento das matérias-primas e ao uso técnico de aditivos, podem reduzir desperdícios e preservar o potencial genético das aves.

“A utilização de tecnologias nutricionais, junto ao monitoramento da qualidade das matérias-primas e ao correto balanceamento das dietas, contribui para preservar a produtividade, melhorar a eficiência alimentar e garantir maior rentabilidade às granjas”, conclui Rafael Morelato.

Fonte: Portal do Agronegócio

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