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Bovinos de Corte

DDGS de sorgo pode substituir até 50% do milho na dieta de bovinos confinados, aponta estudo inédito

Pesquisa conduzida pela Inpasa e pela UFG avalia 200 animais Nelore e indica rápida adaptação, segurança digestiva e potencial do coproduto para a engorda intensiva


Publicado em: 26/08/2026 às 15:00hs

DDGS de sorgo pode substituir até 50% do milho na dieta de bovinos confinados, aponta estudo inédito
Foto: Inpasa

O uso do DDGS de sorgo na alimentação de bovinos confinados está sendo avaliado em um estudo científico inédito no Brasil. A pesquisa, realizada por meio de uma parceria entre a Inpasa e a Universidade Federal de Goiás (UFG), investiga a substituição gradual do milho pelo coproduto em dietas destinadas à terminação intensiva do gado de corte.

O experimento reúne 200 bovinos da raça Nelore, distribuídos em 25 baias no confinamento experimental da UFG. O trabalho é conduzido pelo Laboratório de Pesquisa em Zootecnia da universidade, que acumula mais de cinco anos de experiência em estudos envolvendo coprodutos derivados do processamento de grãos.

Conhecido como Grãos Secos de Destilaria com Solúveis, o DDGS é obtido durante a produção de etanol. No estudo, os pesquisadores utilizam um produto originado exclusivamente do processamento do sorgo, comercializado pela Inpasa com a marca FortiPro.

Pesquisa avalia substituição do milho por DDGS de sorgo

As dietas experimentais foram formuladas para proporcionar elevado ganho de peso e contêm milho e 8,5% de bagaço de cana-de-açúcar como fonte de fibra. Ao longo do trabalho, o milho é substituído progressivamente pelo DDGS de sorgo em níveis que variam de 0% a 50% da matéria seca da alimentação.

Entre os principais indicadores acompanhados estão:

  • ganho médio diário de peso;
  • consumo de matéria seca;
  • conversão alimentar;
  • aproveitamento dos nutrientes;
  • digestibilidade da dieta;
  • rendimento e qualidade da carcaça.

O objetivo é determinar até que ponto o DDGS de sorgo pode substituir o milho sem comprometer a saúde digestiva, o consumo de alimento e o desempenho produtivo dos bovinos.

Resultados preliminares indicam rápida adaptação dos animais

As primeiras observações mostram que os animais aceitaram rapidamente o coproduto. Mesmo nas dietas em que o DDGS de sorgo representa metade da matéria seca, os bovinos alcançaram um ritmo considerado satisfatório de consumo em menos de uma semana.

Segundo o professor Juliano Fernandes, pesquisador e docente de nutrição de ruminantes da Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG, a segurança digestiva está entre os principais pontos identificados nesta fase do experimento.

De acordo com o pesquisador, o ingrediente ajudou a evitar reduções acentuadas no apetite associadas à acidez do ambiente ruminal, problema que pode ocorrer em sistemas de confinamento com dietas de alta concentração energética.

Os dados preliminares de consumo também apontam desempenho semelhante ao observado com o DDGS de milho, ingrediente que já possui utilização consolidada na nutrição de bovinos.

DDGS de sorgo amplia alternativas para a pecuária intensiva

A pesquisa ganha relevância diante da expansão do sorgo em Goiás e da demanda crescente por ingredientes alternativos na alimentação animal. O estado ocupa posição de destaque na produção nacional do cereal, conhecido pela rusticidade e pela maior tolerância a períodos de restrição hídrica.

Ao transformar o sorgo em etanol e coprodutos destinados à nutrição animal, a indústria cria uma conexão entre a produção agrícola regional e os confinamentos de bovinos do Centro-Oeste. A estratégia pode ampliar as opções disponíveis aos pecuaristas e reduzir a dependência do milho em determinadas formulações.

O aproveitamento do DDGS também fortalece a integração entre a produção de biocombustíveis e a pecuária, agregando valor ao cereal e destinando parte dos nutrientes remanescentes do processo industrial à alimentação dos rebanhos.

Produto puro favorece rastreabilidade nutricional

Um dos diferenciais do ingrediente avaliado pela UFG é sua origem exclusivamente no sorgo. Em mercados como o dos Estados Unidos, o DDGS costuma ser comercializado em misturas formadas por diferentes cereais.

O processamento de sorgo puro permite conhecer com maior precisão a matéria-prima utilizada na fabricação do coproduto. Para o pecuarista e o nutricionista, essa característica pode favorecer a rastreabilidade, a padronização das dietas e a previsibilidade da composição nutricional.

Esses fatores são especialmente importantes em confinamentos, nos quais pequenas alterações no equilíbrio entre energia, proteína e fibras podem interferir no consumo, na eficiência alimentar e no acabamento dos animais.

Abate permitirá avaliar rendimento e qualidade da carcaça

Após o encerramento do ciclo de confinamento, os bovinos serão abatidos e os pesquisadores iniciarão a análise estatística dos dados finais. A próxima etapa deverá avaliar indicadores como rendimento de carcaça, espessura de gordura, digestibilidade e eficiência de aproveitamento dos nutrientes.

Embora o experimento seja conduzido com animais Nelore, os resultados poderão fornecer referências para dietas utilizadas em bovinos cruzados, incluindo o cruzamento entre Nelore e Angus.

Novas pesquisas devem testar DDGS de sorgo na recria a pasto

A parceria entre Inpasa e UFG também prevê novos projetos de pesquisa e desenvolvimento. Entre as próximas frentes está a avaliação do DDGS de sorgo como suplemento para bovinos mantidos em pastagens durante a fase de recria.

A proposta é investigar a combinação entre pastagens tropicais e suplementação intensiva, aproveitando uma característica do sistema pecuário brasileiro: a disponibilidade de volumoso produzido a pasto associada ao uso estratégico de ingredientes concentrados.

Os resultados definitivos do estudo poderão indicar os níveis mais eficientes de inclusão do DDGS de sorgo e ajudar confinadores e nutricionistas a avaliar o coproduto como alternativa ao milho nas dietas de bovinos de corte.

Fonte: Portal do Agronegócio

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