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Bovinos de Corte

Boi gordo cai em São Paulo, sobe em Mato Grosso e exportação de carne perde ritmo

Preços recuam até R$ 5 por arroba em importantes regiões consumidoras, enquanto oferta restrita sustenta alta de 3,31% em Mato Grosso; embarques brasileiros diminuem 26,4%


Publicado em: 26/08/2026 às 13:10hs

Boi gordo cai em São Paulo, sobe em Mato Grosso e exportação de carne perde ritmo
Foto: Shutterstock

O mercado do boi gordo apresenta movimentos distintos entre as principais regiões pecuárias do Brasil nesta reta final de agosto de 2026. Enquanto a arroba perdeu força em São Paulo e em parte de Minas Gerais, pressionada pela menor demanda doméstica, Mato Grosso registrou valorização mensal de 3,31%, impulsionada pela oferta mais restrita de animais para abate.

No mercado externo, as exportações brasileiras de carne bovina in natura também desaceleraram. Até a terceira semana do mês, o volume embarcado ficou 26,4% abaixo da média observada em agosto de 2025, apesar da valorização do preço médio da tonelada.

Boi gordo cai R$ 2 por arroba em São Paulo

Em São Paulo, a cotação do boi gordo recuou R$ 2 por arroba nesta terça-feira (25), segundo o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria. A mesma redução foi registrada para o chamado “boi China”, destinado a atender às exigências do mercado chinês.

Os preços das demais categorias permaneceram estáveis.

A pressão negativa veio do desempenho abaixo do esperado nas vendas de carne bovina durante o fim de semana. Com a aproximação do fim do mês, período tradicionalmente marcado pela redução do poder de compra do consumidor, os frigoríficos diminuíram o ritmo das aquisições.

Algumas indústrias chegaram a oferecer valores inferiores às referências do mercado, mas encontraram resistência dos pecuaristas. As escalas de abate paulistas atendem, em média, a sete dias.

Arroba recua até R$ 5 em Minas Gerais

O mercado pecuário também enfraqueceu em importantes regiões de Minas Gerais. A menor saída de carne levou as indústrias frigoríficas a reduzir as compras e pressionar as cotações.

Na região de Belo Horizonte, os preços recuaram R$ 5 por arroba para todas as categorias. As escalas de abate ficaram posicionadas, em média, para cinco dias.

No Triângulo Mineiro, a queda foi de R$ 2 por arroba para o boi gordo e as demais categorias acompanhadas. Nessa região, os frigoríficos contam com escalas mais confortáveis, suficientes para aproximadamente 11 dias.

No Norte de Minas Gerais, as cotações permaneceram estáveis, com escalas de abate ao redor de sete dias.

Boi gordo sobe 3,31% em Mato Grosso

Em sentido contrário ao observado em São Paulo e Minas Gerais, o preço do boi gordo avançou em Mato Grosso durante agosto. Até a terceira semana do mês, a arroba a prazo foi negociada, em média, a R$ 328,33, alta de 3,31% ante igual intervalo de julho, conforme levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A valorização foi sustentada principalmente pela menor disponibilidade de animais terminados em algumas regiões do estado. A oferta mais restrita aumentou o poder de negociação dos pecuaristas e deu suporte às cotações.

A carne bovina no atacado, porém, não acompanhou integralmente a alta da matéria-prima. O ritmo moderado das compras pelo varejo limitou os reajustes e estreitou a relação entre os valores obtidos pela indústria e o custo de aquisição dos bovinos.

Margem da indústria fica mais apertada

O descompasso entre a valorização da arroba e o comportamento da carne no atacado provocou queda no Equivalente Físico, indicador calculado pelo Imea para medir a relação entre o preço da carne bovina com osso e a cotação do boi gordo.

Até a terceira semana de agosto, o indicador ficou em 1,38%, recuo de 1,80 ponto percentual na comparação mensal.

A redução mostra que os frigoríficos encontraram dificuldades para repassar ao atacado todo o aumento registrado no custo dos animais. Esse cenário tende a manter as margens industriais sob pressão, especialmente se o consumo doméstico permanecer enfraquecido no encerramento do mês.

Exportação de carne bovina cai 26,4%

A desaceleração não se restringe ao mercado interno. Até a terceira semana de agosto, o Brasil exportou 141,1 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 9,4 mil toneladas.

O ritmo diário ficou 26,4% abaixo do registrado em agosto de 2025. Em termos absolutos, os embarques acumulados ainda estavam 127,3 mil toneladas abaixo do volume alcançado em todo o mesmo mês do ano passado.

A perda de velocidade está relacionada, sobretudo, à redução dos embarques destinados à China, principal mercado internacional da carne bovina brasileira.

Preço médio da carne exportada avança 10,6%

Apesar da retração no volume, a carne bovina brasileira alcançou preços mais elevados no exterior. A tonelada foi negociada, em média, por US$ 6,2 mil, valorização de 10,6% na comparação anual.

O aumento do preço médio ajuda a compensar parte da queda dos embarques, mas não elimina a preocupação com o menor ritmo das vendas internacionais.

Mercado do boi gordo pode ter novos ajustes

A expectativa para os últimos dias de agosto é de pressão sobre os diferentes elos da cadeia pecuária. A menor demanda interna típica do fim do mês, somada à desaceleração das exportações, pode limitar novas altas da arroba nas regiões onde os preços permanecem firmes.

Ao mesmo tempo, a disponibilidade regional de animais continuará determinante para a formação das cotações. Em estados com oferta restrita, como Mato Grosso, o boi gordo ainda encontra sustentação. Em praças nas quais os frigoríficos possuem escalas mais confortáveis e as vendas de carne estão enfraquecidas, a pressão baixista tende a permanecer.

O comportamento do consumo doméstico, os embarques para a China e a capacidade da indústria de repassar os custos da arroba ao atacado serão os principais fatores para a definição do mercado brasileiro de boi gordo nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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