Carne suína sobe até 10,81% em outubro e mercado projeta demanda aquecida no fim do ano
Cotações do suíno vivo, da carcaça e dos cortes de pernil avançaram no mês, enquanto exportações seguem sustentando o mercado; possível restrição às importações nas Filipinas exige atenção do setor.
Publicado em: 30/10/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de carne suína registrou forte valorização em outubro, com altas nas cotações do animal vivo e dos principais produtos comercializados no atacado. Levantamento da consultoria Safras & Mercado aponta avanço de 9,50% no preço médio do suíno vivo no Centro-Sul e de 10,81% no valor da carcaça.
Segundo o analista de Safras & Mercado Allan Maia, o movimento deu continuidade à recuperação iniciada na segunda quinzena de setembro. A valorização foi impulsionada principalmente pela maior disposição da indústria em comprar animais, sobretudo na primeira metade de outubro.
Na segunda quinzena, entretanto, o ritmo das negociações perdeu intensidade. Com o escoamento da carne mais lento e o orçamento das famílias mais limitado, a indústria passou a atuar com maior cautela. Apesar da desaceleração, os preços permaneceram praticamente estáveis, preservando os ganhos acumulados no início do mês.
Preços da carne suína avançam em outubro
O levantamento mensal de Safras & Mercado identificou valorização nas principais referências do mercado brasileiro. No Centro-Sul, o preço médio do quilo do suíno vivo passou de R$ 5,36 para R$ 5,87, alta de 9,50%.
A carcaça suína apresentou o maior avanço entre os indicadores destacados, com valorização de 10,81%, de R$ 8,90 para R$ 9,86. Já o preço médio dos cortes de pernil no atacado subiu 5,35%, passando de R$ 10,28 para R$ 10,83 por quilo.
Em São Paulo, a arroba suína avançou de R$ 114,00 para R$ 130,00. Nas demais regiões acompanhadas pela consultoria, as cotações também registraram altas:
- Rio Grande do Sul: na integração, o quilo vivo passou de R$ 4,80 para R$ 4,90. No mercado independente do interior, avançou de R$ 5,40 para R$ 5,95.
- Santa Catarina: o preço na integração subiu de R$ 4,65 para R$ 4,75 por quilo. No interior, passou de R$ 5,35 para R$ 6,00.
- Paraná: no mercado livre, a cotação avançou de R$ 5,40 para R$ 5,95. Na integração, passou de R$ 5,05 para R$ 5,10.
- Mato Grosso do Sul: em Campo Grande, o quilo vivo subiu de R$ 5,30 para R$ 5,90. Na integração, avançou de R$ 4,65 para R$ 4,75.
- Goiás: em Goiânia, os preços passaram de R$ 5,80 para R$ 6,80 por quilo.
- Minas Gerais: no interior, a cotação subiu de R$ 6,20 para R$ 7,00. No mercado independente, avançou de R$ 6,40 para R$ 7,20.
- Mato Grosso: em Rondonópolis, o preço passou de R$ 5,45 para R$ 6,10. Na integração estadual, subiu de R$ 4,65 para R$ 4,75.
Consumo de proteínas pode favorecer a carne suína no fim do ano
Apesar da perda de ritmo nas negociações durante a segunda metade de outubro, as perspectivas para novembro e dezembro permanecem positivas. Historicamente, o período de festas de fim de ano amplia o consumo de proteínas, cenário que pode beneficiar a comercialização da carne suína.
Outro fator que pode favorecer a demanda é o preço elevado da carne bovina, que reduz o acesso de parte dos consumidores a essa proteína. De acordo com Allan Maia, essa diferença de preços pode estimular a substituição por alternativas de menor custo, especialmente carne suína e de frango.
A intensidade desse movimento, porém, dependerá do poder de compra das famílias e da capacidade do mercado de absorver a oferta disponível.
Exportações sustentam o mercado, mas Filipinas entram no radar
O mercado externo continua sendo um importante fator de sustentação para a suinocultura brasileira. Os embarques em volumes elevados ajudam a reduzir a disponibilidade de carne no mercado doméstico e contribuem para equilibrar a oferta.
Entretanto, o setor acompanha com atenção as notícias envolvendo as Filipinas, atualmente o principal destino da carne suína brasileira. Informações recentes indicam que o governo filipino avalia suspender por aproximadamente dois meses a emissão de licenças de importação para alguns cortes suínos.
Caso a medida seja adotada, poderá afetar os embarques brasileiros nos próximos meses e limitar parte do suporte proporcionado pelas exportações. O impacto dependerá da abrangência da restrição e da possibilidade de redirecionar os volumes para outros compradores internacionais.
Exportações de carne suína somam US$ 223,18 milhões em outubro
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de carne suína in natura alcançaram US$ 223,183 milhões em outubro, considerando 16 dias úteis.
O volume embarcado chegou a 99,087 mil toneladas, com média diária de 6,193 mil toneladas. A receita média diária foi de US$ 13,949 milhões, enquanto o preço médio da tonelada ficou em US$ 2.252,40.
Na comparação com outubro de 2025, os resultados apresentaram comportamentos distintos:
- Valor médio diário: queda de 4,2%;
- Quantidade média diária: crescimento de 8,5%;
- Preço médio por tonelada: recuo de 11,7%.
Os números indicam aumento do volume médio diário exportado, acompanhado por redução do preço médio recebido pela carne brasileira no mercado internacional.
Mercado suíno combina valorização interna e atenção ao cenário externo
O desempenho de outubro reforça a recuperação das cotações da suinocultura brasileira, com altas expressivas no animal vivo, na carcaça e em diferentes praças produtoras. A expectativa de maior consumo sazonal também oferece perspectiva favorável para os últimos meses do ano.
Por outro lado, a evolução das exportações e a possível restrição de importações nas Filipinas permanecem entre os principais pontos de atenção. Para o setor, o comportamento da demanda doméstica e a capacidade de manter o acesso aos mercados internacionais serão determinantes para a sustentação dos preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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