Algodão: demanda melhora no Brasil e preços internos sobem na última semana de outubro
Cotações da pluma avançaram em São Paulo e em Rondonópolis, apesar da pressão acumulada ao longo do mês pela queda do algodão na Bolsa de Nova York; exportações brasileiras também registraram crescimento na comparação anual.
Publicado em: 30/10/2026 às 15:30hs
O mercado brasileiro de algodão apresentou sinais de recuperação no encerramento de outubro, com melhora da demanda e valorização dos preços internos na última semana do mês. Mesmo com o movimento positivo mais recente, as cotações ainda acumulam perdas em relação a setembro, reflexo da pressão exercida pela queda dos contratos na Bolsa de Nova York.
Segundo levantamento da Safras Consultoria, a reação dos preços ocorreu em um ambiente de volume moderado de negócios. O movimento indica maior procura pela pluma no mercado doméstico, embora o desempenho internacional continue influenciando a formação das cotações no Brasil.
Preço do algodão sobe em São Paulo e Rondonópolis
Na quinta-feira (29), o algodão colocado na indústria de São Paulo foi negociado em torno de R$ 4,10 por libra-peso, avanço de 1,74% em relação aos R$ 4,03 registrados na semana anterior.
Apesar da alta semanal, o preço permaneceu abaixo do observado no mês passado. Na comparação com a cotação de R$ 4,20 por libra-peso, houve recuo de 2,38%.
Na região de Rondonópolis, em Mato Grosso, a pluma foi indicada a R$ 128,55 por arroba. O valor representou valorização de R$ 0,24 por arroba na comparação semanal, mas ainda ficou R$ 3,90 por arroba abaixo do patamar registrado um mês antes.
Os dados mostram que a recuperação recente ainda não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo de outubro.
Exportações brasileiras de algodão avançam em outubro
Os embarques brasileiros de algodão também apresentaram desempenho positivo. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações somaram 251,770 mil toneladas nos 16 dias úteis de outubro, com média diária de aproximadamente 15,735 mil toneladas.
A receita totalizou US$ 443,285 milhões, o equivalente a uma média diária de cerca de US$ 27,705 milhões.
Na comparação com o mesmo período de 2025, a média diária de volume exportado cresceu 17,8%, passando de aproximadamente 13,360 mil toneladas para 15,735 mil toneladas.
A receita diária avançou 27,8% em relação aos cerca de US$ 21,684 milhões registrados em outubro do ano anterior.
O resultado indica crescimento tanto na quantidade embarcada quanto na receita obtida com as vendas externas, reforçando a presença do algodão brasileiro no comércio internacional.
Vendas semanais dos Estados Unidos entram no radar
No mercado internacional, os dados de comercialização dos Estados Unidos também integram o cenário de acompanhamento dos preços.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as vendas líquidas norte-americanas de algodão upland para a temporada 2026/27, iniciada em 1º de agosto, alcançaram 216,5 mil fardos na semana encerrada em 22 de outubro.
Para a temporada 2027/28, foram registradas vendas adicionais de 38,3 mil toneladas.
Os números de comercialização norte-americana são acompanhados pelos agentes do setor porque ajudam a dimensionar a demanda internacional e as perspectivas de escoamento da produção dos Estados Unidos.
Mercado de algodão combina recuperação semanal e pressão mensal
O fechamento de outubro mostra um mercado com sinais de melhora na demanda doméstica e avanço das exportações brasileiras, mas ainda sujeito à influência das oscilações internacionais.
A valorização semanal em São Paulo e Rondonópolis indica uma reação recente das cotações. No entanto, os preços permanecem abaixo dos níveis registrados no mês anterior, evidenciando que a recuperação ainda é parcial.
Para os próximos movimentos, o comportamento da demanda interna, o ritmo dos embarques brasileiros e os indicadores de comercialização dos Estados Unidos devem continuar no radar dos participantes do mercado de algodão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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