Preços do feijão carioca e preto ficam travados em outubro com compradores abastecidos
Baixa liquidez, reposição pontual e resistência dos empacotadores limitam a valorização das cotações. Lotes premium mantêm maior sustentação, enquanto padrões comerciais enfrentam pressão para fechar negócios.
Publicado em: 30/10/2026 às 14:30hs
O mercado brasileiro de feijão encerrou outubro com negociações reduzidas e pouca capacidade de reação dos preços. Tanto o feijão carioca quanto o preto registraram liquidez restrita, em um cenário marcado por compradores relativamente abastecidos, reposições pontuais e resistência dos vendedores em aceitar descontos.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, as cotações encontram sustentação principalmente nos lotes de melhor qualidade, mas ainda falta força compradora para consolidar uma nova rodada de valorização.
A seletividade dos empacotadores tem sido determinante para a formação dos preços. Cor, uniformidade, peneira, umidade e incidência de defeitos influenciam diretamente a disposição de compra, ampliando a diferença entre os padrões comerciais e os lotes considerados premium.
Feijão carioca: lotes de qualidade superior sustentam as cotações
O mercado de feijão carioca terminou outubro com liquidez mínima e dificuldade para transformar as indicações de preços em negócios efetivos.
A sustentação das referências ficou concentrada na oferta mais seletiva de lotes extras, especialmente aqueles classificados como notas 9 e 9,5. Já os padrões comerciais encontraram maior resistência dos compradores, que seguem priorizando aquisições pontuais.
No mercado físico, os padrões comerciais foram indicados entre R$ 305 e R$ 325 por saca (sc), CIF São Paulo, na Bolsa. Os lotes de nota 8, com maior incidência de defeitos, ficaram próximos de R$ 305/sc.
Para mercadorias de qualidade superior, as pedidas alcançaram R$ 350 a R$ 360/sc. Entretanto, não houve volume representativo de negócios que permita considerar esses valores como referências generalizadas.
Na origem (FOB), o interior de São Paulo registrou indicações entre R$ 345 e R$ 348/sc. Em Minas Gerais, os preços ficaram entre R$ 305 e R$ 320/sc, enquanto Goiás manteve estabilidade.
“A diferença entre os padrões reforça que nota de cor e aspectos físicos continuam determinantes para a formação dos preços”, observa Oliveira.
Umidade e ritmo da colheita influenciam oferta de feijão
No campo, a colheita em ritmo lento no sudoeste paulista e as condições de umidade seguem no radar do mercado. Esses fatores influenciam tanto a entrada de novos lotes quanto o risco de comprometimento da qualidade dos grãos.
A seletividade dos compradores ficou evidente nos descontos aplicados a mercadorias com problemas de qualidade. Lotes de nota 8,5 com 9% de bandinhas chegaram a registrar deságio de até R$ 20 por saca.
Ao mesmo tempo, a disponibilidade relativamente menor de feijão extra permite que os vendedores mantenham pedidas mais elevadas. A disposição para reter o produto, porém, varia conforme a necessidade de caixa de cada produtor e agente comercial.
Para o curto prazo, o retorno das negociações após o feriado será um fator importante para definir o comportamento do mercado. Sem recomposição dos estoques da indústria e maior presença dos empacotadores, a tendência é de continuidade da baixa liquidez, com pressão sobre os padrões comerciais e maior resistência dos lotes premium.
Feijão preto também encerra outubro com pouca liquidez
O mercado de feijão preto apresentou comportamento semelhante ao carioca. O mês terminou com pouca circulação de amostras e dificuldade para transformar as referências de preços em operações efetivas.
A sustentação das cotações está relacionada principalmente à resistência dos vendedores, sobretudo nos lotes de melhor qualidade, e ao custo mais elevado da alternativa importada. Mesmo assim, a demanda permanece cautelosa e os compradores continuam relativamente abastecidos.
“Assim, o mercado apresenta firmeza nominal, mas ainda não reúne condições para caracterizar uma valorização generalizada”, destaca Oliveira.
Nas principais regiões produtoras, Mato Grosso registrou negócios indicados em até R$ 285/sc. No Paraná, as referências ficaram acima de R$ 280/sc, enquanto em Santa Catarina circularam indicações de até R$ 285/sc.
Lotes mais antigos do Paraná foram apontados entre R$ 290 e R$ 300/sc, CIF São Paulo.
Qualidade e idade dos estoques ampliam diferença entre preços
Na Zona Cerealista, o feijão preto comercial foi indicado entre R$ 270 e R$ 280/sc. Os lotes de melhor qualidade encontraram sustentação entre R$ 305 e R$ 310/sc.
Já a referência de R$ 320/sc, CIF São Paulo, permaneceu em discussão, sem se consolidar como preço generalizado.
“Essas diferenças refletem qualidade, idade dos estoques e condições de comercialização, não devendo ser interpretadas como uma única referência de mercado”, aponta o analista.
A resistência dos vendedores em conceder descontos nos melhores padrões ajuda a manter as cotações nominais. No entanto, a ausência de compras em volume limita a liquidez e impede uma valorização mais consistente.
A alta do dólar e o encarecimento da reposição de feijão importado oferecem proteção relativa ao produto nacional. Esses fatores, contudo, não substituem a demanda interna como principal elemento para sustentar uma reação dos preços.
Plantio de feijão no Paraná alcança 76% da área prevista
As condições da nova safra também começam a influenciar as expectativas do mercado. No Paraná, o plantio atingiu 76% da área prevista, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).
O levantamento aponta ainda que 70% das lavouras estão em boas condições. Essas informações passam a integrar as avaliações sobre a oferta futura e o comportamento das cotações nas próximas semanas.
No curto prazo, a sustentação do feijão preto dependerá da capacidade dos vendedores de preservar suas referências e, principalmente, do retorno dos empacotadores às compras.
Mercado do feijão depende da retomada da demanda
O encerramento de outubro mostra um mercado com preços sustentados em determinadas categorias, mas sem volume de negócios suficiente para confirmar uma tendência generalizada de alta.
No feijão carioca, a qualidade dos lotes continua sendo o principal diferencial, com maior resistência para mercadorias extras e pressão sobre os padrões comerciais. No feijão preto, a percepção de oferta mais restrita e o custo da importação ajudam a limitar recuos, mas a demanda ainda não apresenta força para impulsionar as cotações.
A retomada das compras da indústria e dos empacotadores será decisiva para definir os próximos movimentos. Enquanto os estoques permanecerem confortáveis, a tendência é de negociações pontuais e preços com pouca capacidade de reação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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