Transição climática aumenta riscos sanitários na pecuária e exige manejo preventivo para proteger o rebanho
Mudanças de temperatura e umidade entre a seca e o período chuvoso favorecem verminoses e doenças respiratórias em bovinos; especialistas reforçam a importância da vacinação, nutrição e manejo integrado para reduzir perdas produtivas
Publicado em: 27/07/2026 às 14:30hs
A transição climática entre os períodos de seca e chuvas representa um dos momentos de maior atenção para a sanidade dos rebanhos bovinos. As mudanças nas condições ambientais, associadas ao estresse dos animais e às alterações no manejo das pastagens, aumentam a pressão sanitária nas propriedades e favorecem o surgimento de problemas como verminoses e Doença Respiratória Bovina (DRB).
Sem um planejamento preventivo, esses desafios podem comprometer o ganho de peso, a eficiência alimentar, a produtividade e a rentabilidade da pecuária.
Segundo especialistas, a combinação entre maior umidade, elevação das temperaturas e alterações no ambiente cria condições ideais para o desenvolvimento de parasitas e agentes infecciosos, ao mesmo tempo em que pode reduzir a resistência imunológica dos animais.
“As transições climáticas reúnem fatores que favorecem o surgimento de enfermidades. O ambiente fica mais favorável para parasitas e agentes infecciosos, enquanto os animais passam por situações de estresse que diminuem a imunidade, aumentando a vulnerabilidade do rebanho”, explica Gibrann Frederiko, médico veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura.
Verminoses comprometem ganho de peso e eficiência produtiva do gado
Entre os principais desafios sanitários durante a mudança de estação estão as verminoses bovinas, que ganham força devido às condições de umidade e temperatura favoráveis ao desenvolvimento das larvas no pasto.
Além disso, fatores como aumento da carga parasitária acumulada nas áreas de pastejo, maior concentração de animais e queda da imunidade contribuem para elevar o risco de infestação.
Os impactos econômicos aparecem diretamente no desempenho dos animais. Bovinos infectados podem apresentar:
- redução do ganho de peso;
- menor aproveitamento dos nutrientes;
- queda no consumo de alimento;
- pior conversão alimentar;
- maior predisposição a outras doenças.
Em situações mais avançadas, os sinais clínicos incluem perda de condição corporal, pelagem opaca, apatia, anemia e edema submandibular, conhecido popularmente como “papada”.
“A verminose muitas vezes evolui de forma silenciosa, mas seus efeitos aparecem na produtividade. O animal demora mais para atingir o peso esperado, aproveita menos a dieta e fica mais suscetível a outros problemas sanitários”, destaca o veterinário.
Doença Respiratória Bovina exige atenção durante mudanças climáticas
Outro ponto de alerta para os pecuaristas é a Doença Respiratória Bovina (DRB), enfermidade de origem multifatorial que pode afetar animais tanto em confinamento quanto em sistemas de produção a pasto.
Durante a transição climática, fatores como variações bruscas de temperatura, aumento da umidade, transporte, mudanças de lote, maior concentração de animais e desafios nutricionais podem favorecer o aparecimento da doença.
Quando não controlada, a DRB provoca redução do desempenho, aumento dos custos com medicamentos, maior tempo de recuperação dos animais e, em casos graves, mortalidade.
“Quando verminoses e doenças respiratórias não são prevenidas corretamente, os prejuízos econômicos podem ser significativos. O produtor perde eficiência, aumenta gastos com tratamentos e reduz a produtividade da propriedade”, alerta Gibrann Frederiko.
Manejo integrado é fundamental para reduzir riscos sanitários
A prevenção sanitária na pecuária depende de uma estratégia integrada, combinando diferentes práticas de manejo.
Entre as principais medidas recomendadas estão:
- elaboração de calendário estratégico de vermifugação;
- vacinação conforme a categoria animal;
- rotação adequada de pastagens;
- controle da lotação dos piquetes;
- melhoria da drenagem em áreas úmidas;
- higiene das instalações;
- monitoramento frequente dos animais.
O controle das verminoses, segundo especialistas, não deve depender exclusivamente do uso de medicamentos. O manejo correto das pastagens tem papel essencial para reduzir a contaminação ambiental e controlar o ciclo dos parasitas.
“A redução da pressão parasitária depende de um conjunto de ações. A rotação de piquetes, o descanso adequado das áreas de pastejo, a manutenção da altura correta do capim e a limpeza dos locais de maior concentração de animais são estratégias importantes”, explica o especialista.
Nutrição fortalece imunidade e melhora resposta do rebanho
Além do controle sanitário, a nutrição é uma ferramenta estratégica para aumentar a resistência dos bovinos aos desafios do período.
Uma dieta equilibrada contribui para o fortalecimento do sistema imunológico, melhora a recuperação dos animais e ajuda a manter índices produtivos mesmo em períodos de maior pressão ambiental.
O manejo também deve incluir cuidados específicos com categorias mais sensíveis, como bezerros e fêmeas gestantes, além da adoção de medidas como:
- quarentena de animais recém-adquiridos;
- separação por categorias;
- acompanhamento do escore corporal;
- fornecimento de água de qualidade;
- redução de situações de estresse.
Vacinação preventiva reduz impactos da DRB
No controle da Doença Respiratória Bovina, a vacinação é uma das principais ferramentas disponíveis para os pecuaristas.
Quando aplicada dentro de um protocolo adequado, considerando idade, categoria e fase produtiva dos animais, a imunização reduz a ocorrência da doença, diminui a gravidade dos casos e contribui para menores índices de mortalidade.
“Em bezerros, é fundamental seguir corretamente o protocolo inicial e os reforços recomendados para garantir uma boa resposta imunológica. Nos animais adultos, a manutenção da proteção por meio de reforços periódicos é essencial, principalmente antes de períodos de maior desafio sanitário”, afirma Gibrann.
Além da vacinação, o controle da DRB exige medidas complementares, como redução de estresse, boa ventilação, controle da umidade, espaço adequado, água limpa e nutrição balanceada.
Programa sanitário aumenta eficiência e rentabilidade da pecuária
A adoção de um programa sanitário estruturado permite ao produtor reduzir perdas, preservar o potencial produtivo dos animais e melhorar os resultados econômicos da fazenda.
A integração entre vacinação, vermifugação estratégica, nutrição e boas práticas de manejo é considerada uma das formas mais eficientes de manter a saúde do rebanho e aumentar a eficiência da produção pecuária.
Nesse cenário, a Nossa Lavoura atua como parceira técnica dos produtores, auxiliando na avaliação das condições sanitárias das propriedades, elaboração de protocolos personalizados e acompanhamento das estratégias de prevenção.
“Nosso objetivo é ajudar cada produtor a desenvolver um programa preventivo adequado às necessidades do seu rebanho, promovendo mais eficiência, bem-estar animal e resultados sustentáveis para a pecuária”, finaliza Gibrann Frederiko, médico veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias