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Bovinos de Corte

Preço do boi gordo fica estável em parte do Brasil, mas escalas de abate limitam reação da arroba

Frigoríficos mantêm posição confortável nas compras, enquanto mercado futuro opera firme, atacado registra valorização do traseiro e exportações de carne bovina recuam em setembro


Publicado em: 11/09/2026 às 14:30hs

Preço do boi gordo fica estável em parte do Brasil, mas escalas de abate limitam reação da arroba

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com preços acomodados nas principais regiões pecuárias do Brasil. As escalas de abate mais confortáveis, especialmente entre os frigoríficos de grande porte, reduziram a necessidade de compras e limitaram as tentativas de valorização da arroba.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário permite que as indústrias adotem maior cautela nas negociações. Com animais contratados para os próximos dias, parte dos frigoríficos mantém preços abaixo das referências observadas no encerramento da semana anterior.

Apesar da estabilidade predominante no mercado físico, os contratos futuros do boi gordo seguem negociados em patamares firmes, ampliando a diferença em relação às cotações disponíveis nas praças pecuárias.

Mercado futuro do boi gordo mantém preços firmes

Os contratos de boi gordo com vencimentos em setembro, outubro, novembro e dezembro apresentaram forte valorização ao longo da semana. O movimento foi influenciado por especulações relacionadas a uma possível retomada antecipada das compras chinesas.

Para Iglesias, entretanto, a utilização de rotas marítimas mais longas poderia elevar significativamente os custos logísticos, reduzindo a viabilidade econômica dessa alternativa.

“O motivo da alta expressiva ao longo da semana ainda são especulações ligadas à China, com um possível retorno precoce fazendo uso de rotas marítimas mais extensas. Do ponto de vista da logística, parece pouco provável que essa movimentação aconteça considerando o adicional de custos envolvidos”, avalia o analista.

Enquanto não surgem informações concretas sobre a demanda chinesa, o mercado físico permanece sustentado principalmente pela oferta regional de animais terminados e pela situação das escalas dos frigoríficos.

Preço da arroba do boi gordo recua em São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul

Nas negociações a prazo realizadas em 10 de setembro, a arroba do boi gordo apresentou quedas em importantes regiões produtoras. Em outras praças, os preços permaneceram estáveis.

Em São Paulo, a referência recuou 1,45%, passando de R$ 345 para R$ 340 por arroba. Em Goiânia, Goiás, o preço caiu 1,49%, de R$ 335 para R$ 330 por arroba.

A maior retração foi registrada em Dourados, Mato Grosso do Sul, onde a arroba passou de R$ 345 para R$ 335, baixa semanal de 2,90%.

Em Uberaba, Minas Gerais, o boi gordo permaneceu cotado a R$ 335 por arroba. Em Cuiabá, Mato Grosso, a referência ficou estável em R$ 330. Já em Vilhena, Rondônia, o valor permaneceu em R$ 333 por arroba.

Cotações do boi gordo nas principais praças

Os preços a prazo registrados em 10 de setembro foram:

  • São Paulo: R$ 340 por arroba, queda semanal de 1,45%;
  • Goiânia: R$ 330 por arroba, recuo de 1,49%;
  • Uberaba: R$ 335 por arroba, estabilidade;
  • Dourados: R$ 335 por arroba, baixa de 2,90%;
  • Cuiabá: R$ 330 por arroba, sem alteração;
  • Vilhena: R$ 333 por arroba, estabilidade.

As diferenças regionais refletem a disponibilidade de animais terminados, a demanda das indústrias e o posicionamento das escalas de abate em cada estado.

Preço do traseiro bovino sobe no atacado

Embora o mercado físico do boi gordo tenha apresentado pouca movimentação, o atacado registrou alta nos preços dos cortes do traseiro bovino.

O quarto traseiro foi negociado a R$ 26,50 por quilo, valorização de 1,92% em relação aos R$ 26 registrados no final da semana anterior.

O aumento foi favorecido pela entrada dos salários na economia e pela aceleração da reposição de estoques entre atacadistas e varejistas.

Em sentido contrário, o quarto dianteiro caiu 5%, passando de R$ 20 para R$ 19 por quilo. O comportamento diferente entre os cortes indica uma demanda mais concentrada nos produtos de maior valor agregado.

Carne bovina enfrenta concorrência do frango e dos ovos

Mesmo com a valorização do traseiro, o mercado de carne bovina continua enfrentando forte concorrência de proteínas mais acessíveis, especialmente a carne de frango e os ovos.

O atual ambiente de consumo favorece produtos com preços menores, principalmente entre as famílias que precisam ajustar o orçamento. Essa condição pode limitar o repasse das altas da arroba e dos custos industriais ao varejo.

Setembro também apresenta poucos eventos ou datas comemorativas capazes de impulsionar de forma expressiva o consumo. Por isso, a expectativa é de um mês ainda desafiador para as vendas de carne bovina no mercado doméstico.

Exportações brasileiras de carne bovina recuam em setembro

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada movimentaram US$ 249,076 milhões nos quatro primeiros dias úteis de setembro. A média diária de receita alcançou US$ 62,269 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O volume embarcado chegou a 40,582 mil toneladas, com média diária de 10,145 mil toneladas. O preço médio da carne bovina exportada ficou em US$ 6.137,60 por tonelada.

Na comparação com setembro de 2025, a receita média diária apresentou queda de 22,5%. O volume médio exportado por dia recuou 29,1%.

Apesar da redução nos embarques, o preço médio da tonelada aumentou 9,3% na comparação anual. O resultado indica maior valorização do produto brasileiro no exterior, mas ainda insuficiente para compensar a retração do volume comercializado.

Escalas de abate devem continuar direcionando o mercado

No curto prazo, o comportamento do boi gordo continuará condicionado à situação das escalas de abate. Enquanto os frigoríficos mantiverem animais contratados por períodos mais longos, a tendência é de cautela nas compras e menor espaço para valorização da arroba.

Por outro lado, a firmeza dos contratos futuros, uma eventual redução da oferta de animais terminados e possíveis mudanças na demanda internacional podem alterar o cenário.

O mercado também acompanhará o desempenho das vendas de carne bovina no atacado, a concorrência com outras proteínas e os próximos dados das exportações brasileiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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