Mercado de genética bovina cresce 12,4% e supera 12 milhões de doses de sêmen em 2026
Vendas de genética de corte avançam no Brasil, exportações atingem volume recorde e inseminação artificial já está presente em 76,4% dos municípios brasileiros
Publicado em: 26/08/2026 às 12:00hs
O mercado brasileiro de genética bovina encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento expressivo. Entre janeiro e junho, foram comercializadas 12.329.148 doses de sêmen bovino no mercado interno e no exterior, avanço de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Os números fazem parte do Index Asbia Sêmen referente ao primeiro semestre de 2026. O levantamento é elaborado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.
O desempenho confirma o aumento dos investimentos em melhoramento genético, especialmente na pecuária de corte, além da maior presença internacional da genética bovina produzida no Brasil.
Vendas de sêmen bovino crescem no mercado nacional
Do total comercializado no semestre, 11.114.123 doses foram vendidas diretamente aos pecuaristas brasileiros de corte e leite. O resultado representa crescimento de 11,5% na comparação com os seis primeiros meses de 2025.
Outras 663.481 doses foram destinadas ao mercado externo, enquanto 551.544 unidades integraram a categoria de prestação de serviços. Nessa modalidade, os criadores contratam empresas especializadas para coletar e industrializar o sêmen dos próprios rebanhos.
A expansão das vendas aos clientes finais mostra que as biotecnologias reprodutivas estão ganhando espaço nas estratégias de produtividade, reposição do rebanho e seleção de animais com características superiores.
Genética bovina de corte lidera crescimento
O segmento de corte foi o principal responsável pelo avanço do mercado interno. As vendas alcançaram 7.877.750 doses no primeiro semestre, alta de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Na pecuária leiteira, foram comercializadas 3.236.373 doses. O volume permaneceu praticamente estável, com crescimento de 0,1% na comparação anual.
Segundo o presidente da ASBIA, Luis Adriano Teixeira, a valorização do bezerro e as mudanças no ciclo pecuário têm estimulado os produtores a investir na reposição de animais com maior qualidade genética.
Na avaliação da entidade, o uso de inseminação artificial e de outras biotecnologias reprodutivas é estratégico para ampliar a eficiência dos sistemas produtivos e fortalecer a competitividade brasileira nos mercados de carne e leite.
Exportações de genética bovina avançam 66,8%
As exportações foram um dos principais destaques do Index Asbia. O Brasil enviou 663.481 doses de sêmen bovino ao exterior no primeiro semestre de 2026, crescimento de 66,8% frente ao mesmo intervalo do ano passado.
O resultado reforça o reconhecimento internacional da genética desenvolvida no país, especialmente entre raças e linhagens voltadas à produção de carne em ambientes tropicais.
Os embarques de genética de corte cresceram 119,9% e atingiram o recorde de 415.024 doses. Já as exportações de sêmen de raças leiteiras somaram 248.457 unidades, aumento de 18,9%.
Oferta de material genético supera 14 milhões de doses
O volume de material genético disponível no mercado brasileiro, considerando a produção nacional e as importações, chegou a 14.036.310 doses entre janeiro e junho.
A oferta aumentou 7,1% em relação ao primeiro semestre de 2025.
A produção brasileira alcançou 10.286.639 doses, com crescimento de 0,7%. As importações, por sua vez, avançaram 29,7% e totalizaram 3.749.671 unidades.
O aumento das compras externas mostra que o mercado nacional continua absorvendo genética produzida em outros países, ao mesmo tempo que amplia sua presença nas exportações.
Produção nacional de genética leiteira bate recorde
A produção brasileira de sêmen voltado à pecuária leiteira superou 2 milhões de doses no primeiro semestre de 2026, estabelecendo um novo recorde para o período.
O volume foi 24,14% superior ao registrado nos seis primeiros meses de 2025. O resultado evidencia a capacidade das centrais brasileiras de ampliar a produção de material genético para sistemas leiteiros, mesmo diante da estabilidade das vendas nacionais desse segmento.
Inseminação artificial chega a 76,4% dos municípios
A expansão territorial da inseminação artificial também ganhou força no primeiro semestre. Segundo a ASBIA, a tecnologia foi utilizada em 4.225 municípios brasileiros, o equivalente a 76,4% das cidades do país.
O número de municípios atendidos cresceu 9,95% em relação ao mesmo período de 2025.
A maior capilaridade mostra que o melhoramento genético deixou de estar concentrado apenas nos grandes polos pecuários. A tecnologia avança também em regiões com propriedades de diferentes portes e sistemas variados de produção.
Melhoramento genético ganha importância na pecuária
O crescimento do mercado de sêmen bovino ocorre em um momento no qual os pecuaristas buscam elevar a produtividade sem depender exclusivamente da expansão dos rebanhos ou das áreas de produção.
A inseminação artificial permite acelerar o ganho genético, planejar cruzamentos e selecionar características relacionadas à fertilidade, ganho de peso, qualidade da carne, produção de leite e adaptação aos diferentes ambientes brasileiros.
Com vendas domésticas em alta, exportações recordes e presença em mais de três quartos dos municípios do país, o setor de genética bovina amplia sua relevância para a competitividade e o futuro da pecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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