Manejo de bezerros recém-nascidos: colostro e higiene ajudam a prevenir doenças e perdas
Cuidados nas primeiras horas de vida, cura do umbigo e observação diária influenciam a saúde, o crescimento e o desempenho futuro do rebanho
Publicado em: 13/10/2026 às 08:00hs
O manejo dos bezerros nas primeiras horas de vida é decisivo para reduzir doenças e favorecer o desenvolvimento dos animais. O fornecimento precoce de colostro de boa qualidade, a cura do umbigo e a permanência em ambiente limpo, seco e protegido estão entre as prioridades após o nascimento.
Segundo Gibrann Frederiko, médico-veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura, o bezerro nasce com pouca proteção imunológica e depende desses cuidados iniciais. Verificar a respiração e confirmar que o animal consegue mamar também fazem parte da assistência ao recém-nascido.
Falhas nessa etapa podem comprometer o crescimento e gerar consequências ao longo da vida produtiva, com reflexos sobre a eficiência alimentar, a reprodução e a rentabilidade da propriedade.
Colostro deve ser fornecido o mais cedo possível
O colostro fornece anticorpos, energia, proteínas, vitaminas e fatores de crescimento. Sua oferta logo após o nascimento é importante porque a capacidade de absorção dos anticorpos é maior nas primeiras horas de vida.
Quando esse fornecimento é inadequado, aumentam os riscos de diarreia, pneumonia e outras infecções. O animal também fica mais sujeito a atraso no crescimento, mortalidade e desempenho inferior nas etapas seguintes da criação.
Nos sistemas de corte, o acompanhamento da primeira mamada é uma medida essencial para verificar se o bezerro teve acesso ao colostro.
Cura do umbigo exige aplicação adequada e acompanhamento
A estrutura umbilical pode servir de porta de entrada para bactérias. Sem os cuidados necessários, infecções nessa região podem evoluir para quadros graves.
De acordo com Frederiko, a cura deve ser realizada logo após o nascimento, utilizando produto apropriado e recomendado, com aplicação em toda a estrutura umbilical. A repetição deve seguir o protocolo adotado na propriedade.
A observação diária também é necessária. Inchaço, secreção e mau cheiro são alterações que precisam ser identificadas para orientar a avaliação e o atendimento do animal.
Ambiente limpo e alimentação higiênica reduzem riscos
As instalações destinadas aos bezerros devem permanecer limpas, secas, ventiladas e protegidas de correntes de ar. A proteção contra frio e umidade integra o manejo preventivo nessa fase.
Nas propriedades de corte, o especialista destaca a adequação dos pastos maternidade, o acesso à água e a vigilância constante dos recém-nascidos.
Quando há fornecimento de leite ou sucedâneo, é necessário manter quantidade, horários e condições higiênicas adequadas. Mamadeiras, baldes e demais utensílios devem ser higienizados após cada utilização.
Controle de verminoses precisa considerar a realidade da propriedade
A vermifugação integra o planejamento sanitário dos bezerros, mas deve considerar a idade, o ambiente, a categoria animal e o histórico da fazenda.
Segundo o médico-veterinário, o controle adequado busca reduzir perdas de nutrientes, atrasos no crescimento e contaminação das pastagens. A definição criteriosa do manejo também deve levar em conta o risco de resistência dos parasitas aos medicamentos.
Alterações de comportamento ajudam a identificar doenças
Falta de apetite, dificuldade para mamar, apatia e isolamento estão entre os sinais que exigem atenção. Diarreia, tosse, secreção nasal e respiração acelerada também podem indicar problemas de saúde.
Frederiko ressalta que a identificação precoce aumenta as possibilidades de recuperação. Por isso, observar os animais diariamente deve fazer parte da rotina da fazenda, permitindo reconhecer alterações e buscar o atendimento adequado.
Doenças neonatais podem deixar sequelas, reduzir a eficiência alimentar e atrasar a entrada na reprodução, o primeiro parto ou o abate. Nos casos mais graves, podem resultar em descarte precoce ou morte.
Prevenção começa com as matrizes e a preparação para o parto
O cuidado com os bezerros começa antes do nascimento. Nutrição e sanidade das matrizes, associadas à preparação de um local de parto limpo, seco e protegido, compõem a base do manejo preventivo.
Após o parto, a padronização dos procedimentos e o acompanhamento diário ajudam a identificar falhas. Registrar nascimentos, doenças, tratamentos e mortes permite ao produtor avaliar os resultados e orientar ajustes para reduzir perdas no rebanho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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