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Bovinos Leite

Nutrição de vacas leiteiras: pesquisas apontam avanços no uso de amido e fibra

No 15º SBSBL, em Chapecó, professor da USP destacou respostas das vacas às dietas brasileiras e tecnologias em estudo para melhorar a digestibilidade da silagem


Publicado em: 09/10/2026 às 11:55hs

Nutrição de vacas leiteiras: pesquisas apontam avanços no uso de amido e fibra
Foto: Andressa Kroth

O equilíbrio entre amido e qualidade da fibra pode ampliar a eficiência da alimentação de vacas leiteiras nos sistemas brasileiros. Esse foi o foco da palestra do professor Francisco Palma Rennó, da Universidade de São Paulo (USP), que encerrou a programação científica do 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL) nesta quinta-feira (8), em Chapecó (SC).

Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o evento reuniu discussões sobre a produção leiteira. Na apresentação, Rennó abordou pesquisas recentes sobre carboidratos não fibrosos, especialmente o amido, e alternativas para melhorar o aproveitamento da fibra pelos animais.

Médico-veterinário, mestre e doutor em Zootecnia, o palestrante é professor do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.

Qualidade da fibra influencia a resposta ao amido

Segundo Rennó, estudos conduzidos no laboratório de pesquisa em bovinos de leite da USP indicam que as respostas ao teor de amido nas dietas brasileiras diferem das observadas nos Estados Unidos. Parte desses trabalhos ainda não foi publicada.

Nas pesquisas citadas pelo professor, as vacas apresentaram respostas ao amido de duas a duas vezes e meia maiores que as registradas no contexto norte-americano. Ele relacionou essa diferença à qualidade da fibra utilizada na alimentação dos rebanhos brasileiros.

O resultado, na avaliação do especialista, reforça a necessidade de formular dietas considerando as características dos alimentos disponíveis no país e as condições de cada sistema produtivo.

“Essa resposta advém da questão da qualidade da fibra brasileira. Então, muda o jeito de pensar”, afirmou.

Tecnologias buscam melhorar a digestibilidade da silagem

Outra frente apresentada envolve a redução da Fibra em Detergente Neutro Indigestível (FDNi), fração da fibra que não é digerida pelo ruminante.

A abordagem em estudo utiliza aleloquímicos naturais e compostos sintéticos biodegradáveis para modificar características da planta e aumentar a digestibilidade da silagem. O objetivo é facilitar o aproveitamento do alimento, ampliando seu potencial de contribuição para a produção animal.

Conforme Rennó, as pesquisas acompanhadas por ele indicam que a estratégia não compromete o crescimento nem a produtividade das plantas avaliadas.

Alteração da lignina facilita o acesso à fibra

A tecnologia atua durante o desenvolvimento da planta sobre a formação da lignina, componente da parede celular que dificulta o acesso dos microrganismos do rúmen à fibra.

Em vez de diminuir a quantidade de lignina, a proposta é modificar sua estrutura. Com isso, a fibra se torna mais acessível à ação dos microrganismos e mais digestível para os animais.

Essa linha de investigação busca melhorar a qualidade nutricional do volumoso, preservando o desempenho produtivo da planta.

Dietas exigem equilíbrio entre volumosos e concentrados

Para o professor, o avanço na nutrição de vacas leiteiras depende de trabalhar conjuntamente o fornecimento de amido e a qualidade da fibra. A interação entre esses componentes é central para a eficiência da alimentação na fazenda.

A formulação, portanto, deve considerar tanto as proporções de volumosos e concentrados quanto as características nutricionais de cada ingrediente.

“A formulação de dietas para vacas leiteiras requer equilíbrio entre volumosos e concentrados, considerando não apenas a quantidade, mas também a qualidade”, concluiu Rennó.

Fonte: Portal do Agronegócio

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